|
Deus nos deu o livre-arbítrio
para decidirmos nossas vidas, mas as pessoas deveriam ser proibidas de desistir
de viver.
Será possível perder qualquer
motivação de viver?
Grandes desgostos, desespero,
traumas de infância, drogas e doenças, como a depressão, podem provocar
situações limites em que o raciocínio cede lugar ao descontrole ou à prostração.
O equilíbrio espiritual, o carinho dos entes queridos e o acompanhamento médico
podem ajudar a superar esses momentos extremos, mas nada terá sucesso se não
houver um mínimo de vontade de reagir, de sair dessa condição de extrema
ambigüidade onde, ao mesmo tempo, nos consideramos vítimas impotentes e
demonstramos certo egoísmo.
De que adiantam os cinco
sentidos se a mente estiver alheia ao que detectam? Cegos aos sorrisos, surdos
às palavras amigas, insensíveis aos afagos, aos perfumes da natureza e ao
paladar da vida, afastamos tudo o que pode curar e ainda deixamos seqüelas nos
que sinceramente, mas em vão, buscaram nos resgatar.
Deveríamos ter consciência de
que, mesmo quando não nos consideramos felizes, podemos contribuir para a
felicidade dos outros! Quem sabe, assim, possamos encontrar a nossa.
Não existe autodestruição
pura: ela sempre afeta mais alguém, às vezes, de forma mais dramática e
duradoura pois, ao pensarmos que a morte é a solução para nossos problemas,
legamos uma mensagem amarga aos queriam nossa sobrevivência.
Desistir da vida pela perda do
amor-próprio, pela incapacidade de superar as dificuldades do mundo ou da
própria personalidade, pela falta de habilidade em adaptar-se ao novo e pelo
inconformismo compulsivo, caracterizado pelo apego a valores superados, são
demonstrações da face mais triste da imperfeição humana. Definhar assim é
contrariar a lógica da natureza; é insistir em murchar, mesmo quando as lágrimas
dos que nos amam insistem em regar nossas almas com sua água pura e doce sal,
rogando para que refloresçamos.
É certeza absoluta que um dia
todos expiraremos... Mas, que seja de forma digna! E mesmo que não acreditemos
ter sido boa semente, que ao menos sejamos bom solo e consolo para que outras
germinem. E não existe melhor campo para a vida que o amor, revirado e
recomposto desde a infância e em cada gesto!
Por isso, maridos, esposas,
pais, filhos e famílias - o embrião de tudo: amem-se e nunca tenham vergonha de
manifestar seu carinho, externar suas angústias ou ter as necessárias humildade
e confiança para pedir ajuda! Nunca deixem que esse sentimento seja encoberto
pelo gênio "difícil" ou pelos rigores de convenções e protocolos estipulados,
provavelmente, por quem preferiu ser temido, obedecido e alheio a ser amado. E
principalmente, não tenham medo de sentirem-se imperfeitos.
Ninguém é perfeito! Aliás, a
perfeição não é humana: humana é a eterna busca da perfeição!
|