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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 11 de abril de 2008 22:57:34                                               

 
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Me engana, que eu gosto!

   

Adilson Luis Gonçalves

publicado em 01/08/2007

 

 

Certa vez, minha irmã mais velha pediu para que eu respondesse a uma pesquisa jornalística, cujo tema era: “Filmes que marcaram emocionalmente sua vida”.

Em poucos instantes selecionei algumas obras definitivamente marcantes:

Tenho um especial carinho por “Como era verde o meu vale" (How green was my valley, EUA, 1941). Lembro do casamento rico, sem amor, para fugir da miséria; da luta da família de mineiros para que o filho mais novo estudasse e, assim, pudesse ter uma vida diferente da deles (meus pais fizeram isso pelos cinco filhos!).

Lembrei de "O sol nasceu para todos" (To kill a mocking bird, EUA, 1962), que me chocou profundamente com suas cenas racismo e injustiça, com a agressividade gratuita, inclusive contra crianças. Quando o rapaz catatônico, que inspirava terror no imaginário infantil, salvou as crianças fiquei envergonhado.

"Depois do vendaval" (The quiet man, EUA, 1952) mostrava pessoas diferentes que se completavam; um amor capaz de superar traumas e gerar renúncias; católicos que compareciam em peso a um culto protestante, para evitar que o pastor, que não tinha um único fiel, fosse transferido. A briga cruzando a vila, que termina num animado e amistoso jantar é inesquecível. John Ford, que também dirigiu “Como era verde meu vale”, sabia das coisas!

Mas nem só de passado vivem minhas referências cinematográficas:

"Forrest Gump" (EUA, 1994) é uma obra-prima moderna! Numa de suas muitas cenas marcantes, o personagem contou para sua amada tudo o que ele havia visto de especial em sua vida nada medíocre. Quando ela, fascinada, disse que gostaria de ter estado junto dele nesses momentos, Forrest respondeu que ela sempre estivera...

O último filme foi “Amor além da vida” (What dreams may come, EUA, 1998).

Quanto revisei a lista, vi que todos falavam de sentimentos fortes, bons, capazes de superar, preconceitos, limitações físicas e mentais.

Assisti, então, a uma versão resumida do filme de minha vida, ainda em produção: Sei que sou meio canastrão, menos sofrível escrevendo do que atuando. A mocinha e seu filho, no entanto, são estrelas de primeira e eterna grandeza!

Concluí que sou um romântico incorrigível, cinéfilo daqueles que gostam de ver o mesmo filme várias vezes; que adoram ver os vilões se darem mal; que torcem por finais felizes... Eternos apaixonados pela atriz principal!

Satisfeito e desejoso de continuar em cartaz nesse filme, enviei a lista para minha irmã, esperando haver colaborado com a pesquisa.

Alguns dias depois, ela – que é artesã, entre muitas outras coisas - me entregou uma caixa de madeira envernizada, com compartimentos para colocar controles remotos, decorada com mini-pôsteres dos filmes que eu havia mencionado: Um maravilhoso e inesperado presente!

Ela me enganou! O tipo de engano que eu gosto! Um engano com final feliz!

 

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::sobre o autor::

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, professor universitário (UNISANTOS e UNISANTA). Cursando Mestrado em Educação (UNISANTOS).
 

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