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Certa vez, minha irmã mais
velha pediu para que eu respondesse a uma pesquisa jornalística, cujo tema era:
“Filmes que marcaram emocionalmente sua vida”.
Em poucos instantes selecionei
algumas obras definitivamente marcantes:
Tenho um especial carinho por
“Como era verde o meu vale" (How green was my valley, EUA, 1941). Lembro
do casamento rico, sem amor, para fugir da miséria; da luta da família de
mineiros para que o filho mais novo estudasse e, assim, pudesse ter uma vida
diferente da deles (meus pais fizeram isso pelos cinco filhos!).
Lembrei de "O sol nasceu para
todos" (To kill a mocking bird, EUA, 1962), que me chocou profundamente
com suas cenas racismo e injustiça, com a agressividade gratuita, inclusive
contra crianças. Quando o rapaz catatônico, que inspirava terror no imaginário
infantil, salvou as crianças fiquei envergonhado.
"Depois do vendaval" (The
quiet man, EUA, 1952) mostrava pessoas diferentes que se completavam; um
amor capaz de superar traumas e gerar renúncias; católicos que compareciam em
peso a um culto protestante, para evitar que o pastor, que não tinha um único
fiel, fosse transferido. A briga cruzando a vila, que termina num animado e
amistoso jantar é inesquecível. John Ford, que também dirigiu “Como era verde
meu vale”, sabia das coisas!
Mas nem só de passado vivem
minhas referências cinematográficas:
"Forrest Gump" (EUA, 1994) é
uma obra-prima moderna! Numa de suas muitas cenas marcantes, o personagem contou
para sua amada tudo o que ele havia visto de especial em sua vida nada medíocre.
Quando ela, fascinada, disse que gostaria de ter estado junto dele nesses
momentos, Forrest respondeu que ela sempre estivera...
O último filme foi “Amor além
da vida” (What dreams may come, EUA, 1998).
Quanto revisei a lista, vi que
todos falavam de sentimentos fortes, bons, capazes de superar, preconceitos,
limitações físicas e mentais.
Assisti, então, a uma versão
resumida do filme de minha vida, ainda em produção: Sei que sou meio canastrão,
menos sofrível escrevendo do que atuando. A mocinha e seu filho, no entanto, são
estrelas de primeira e eterna grandeza!
Concluí que sou um romântico
incorrigível, cinéfilo daqueles que gostam de ver o mesmo filme várias vezes;
que adoram ver os vilões se darem mal; que torcem por finais felizes... Eternos
apaixonados pela atriz principal!
Satisfeito e desejoso de
continuar em cartaz nesse filme, enviei a lista para minha irmã, esperando haver
colaborado com a pesquisa.
Alguns dias depois, ela – que
é artesã, entre muitas outras coisas - me entregou uma caixa de madeira
envernizada, com compartimentos para colocar controles remotos, decorada com
mini-pôsteres dos filmes que eu havia mencionado: Um maravilhoso e inesperado
presente!
Ela me enganou! O tipo de
engano que eu gosto! Um engano com final feliz! |