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O ser humano tem
muitas aptidões, desenvolvidas em diferentes níveis.
O “Teste de QI” não
avalia todas. Tem foco específico em capacidade lógica.
A “Teoria de
Inteligências Múltiplas”, proposta por Howard Gardner, contribuiu para
melhor avaliar essas aptidões. Afinal, Garrincha seria simplório, num
teste de “inteligência lógico-matemática”; mas, não há dúvida de que era
um gênio, na escala de “inteligência corporal-cinestésica”. Gardner
também “baixou a bola” de alguns intelectuais arrogantes, que
proclamavam seus dotes mesmo onde não cabiam, mas nada faziam em prol da
sociedade.
Mas, qualquer que seja
a proposta de análise, ela pode gerar estereótipos ou limitações ao
desenvolvimento de seres humanos. Obviamente, isso depende do despreparo
ou da conveniência de quem avalia. Também varia de acordo com a reação
de cada um às próprias limitações. Assim, as “inteligências” de Gardner
podem ser avaliadas com “pesos” diferentes. Por exemplo: um esportista
de alto nível ou um músico virtuoso, mesmo os mais arrogantes, parecem
não intimidar ou incomodar tanto alguns, quanto uma pessoa com
desempenho lógico-matemático notável.
Esses são reflexos de
uma sociedade que celebra o entretenimento e as aparências, mas pouco
valor dá à intelectualidade e à ciência, embora dependam
fundamentalmente de suas descobertas e criações.
Nessa ótica, o esporte
e a arte distraem mesmo quem não é esportista ou artista. Já a
capacidade intelectual dos outros pode “incomodar” ou até ser objeto de
discriminação. Daí é que esportistas e artistas são mais conhecidos,
reconhecidos e festejados do que cientistas. Por menos expressivas que
sejam as competições esportivas ou artísticas, seus vencedores são
glorificados na mídia, sobem pódios, recebem medalhas e prêmios ao som
de hinos nacionais. Constroem panteões para eles! Agora, qual a ênfase
dada a certames literários e científicos? Às vezes os melhores
classificados nem são premiados, porque, segundo alguns organizadores,
isso “desmotivaria” os demais...
Ué? Ultrapassar
recordes físicos é desafiador, instigante, “glorifica” o ser humano!
Superar limites intelectuais é diferente? Não valorizar esses méritos
não é um duplo desestímulo: para quem supera e para quem é superado?
Imaginem alguém dizer
para um atleta: “Não vença, pois isso deixará seus adversários
frustrados!”, ou: “Dê o melhor de si, supere-se! Mas ninguém vai saber
que você ganhou, para não desestimular os demais!”.
É esse tipo de bobagem
que coloca países na rabeira do desenvolvimento científico e
tecnológico.
Ainda bem que agora,
além do teste de QI, temos “inteligências” para todo mundo!
Muito justo! O que não
é justo é ter sete inteligências com sete “pesos” e sete “medidas”, umas
endeusadas e outras menosprezadas; é arraigar o preconceito do “fulano
só é bom para isso ou aquilo”.
É por isso que
perdemos tantas “cabeças” para os países desenvolvidos! É por isso que
somos tão deficientes em pesquisa científica!
Afinal, qual é o real
valor que se dá à Ciência neste país? Quando a tradição centenária dos
“espertos”, que lucram com a ignorância e alienação do povo, dará lugar
às inteligências que podem colocar nosso país na vanguarda positiva do
Novo Milênio?
Esse potencial existe
e não está restrito apenas a círculo fechados, elitistas, heráldicos,
que predominam e se perpetuam em função de outro tipo de “QI”. Ele está
até no mais humilde subúrbio, mas precisa de estímulos para ser revelado
e aprimorado.
As “escolinhas de
esporte” fazem isso e existem inúmeros “olheiros” buscando novos
talentos não importa onde. Porque isso é tão raro nas escolas?
Assim, é preciso
valorizar, desde o Ensino Fundamental, tudo o que contribua para a
evolução física e mental do ser humano. Para tanto, o papel das
instituições públicas e privadas é fundamental! Não falo apenas das
instituições educacionais, mas também da mídia, das empresas, enfim, de
toda sociedade. Assim, cada um poderá escolher o caminho que desejar,
sendo valorizado por suas inteligências e aprendendo a conciliá-las e
aprimorá-las. Mas também deverá aprender a respeitar e valorizar as
inteligências dos outros.
É pela somatória
dessas inteligências que nosso país transformará suas potencialidades em
real evolução e prosperidade, com proveito para todos! |