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Nesse “corre-corre”
sedentário, qualquer minuto “ocioso” é preenchido pelos atos de escrever e
compor (quando é que vão me descobrir?), que junto com minha família
(fundamentalmente esta), são meus bálsamos!
Mas mesmo nos poucos momentos
de lazer, minha esposa nota que eu não relaxo: erros em textos me chateiam,
conversa em cinema me irrita (com razão), fumaça de cigarro em restaurante me
incomoda (e como!), perder num jogo me estressa (eu me cobro). Não consigo
“desligar”.
Por conta disso, além de já
conhecer crises de cálculo renal, fui recentemente apresentado às triglicérides,
ao HDL e aos níveis de glicose. “Nada que preocupe.”, salientaram os médicos,
mas recomendaram: “Faça atividade física!”.
Futebol estava fora de
questão, pois eu poderia me entusiasmar, e começar a chutar outras coisas além
da bola. Mas, essa recomendação médica foi a “deixa” para minha mulher me catar
pela mão e levar para caminhadas, sempre que possível. “Relaxe, homem!”, ela
diz.
Como bom marido submisso (e
apaixonado), eu vou... Mas quem disse que o cérebro desliga? Mesmo andando
“calmamente”, a “cachola” não pára.
Aí, num domingo, eu ouvi, no
rádio, um empresário e uma psicóloga que abordavam o “nadismo”. Falavam sobre a
importância de vez por outra fazer absolutamente nada, ficar em estado puro de
contemplação: olhar o céu, as árvores ao vento, as ondas do mar “quebrando”...
O empresário começara a fazer
isso depois de quase pirar, por estresse. Os bons resultados o levaram a exortar
outros a também fazê-lo, sob forma de um movimento: o “nadismo”.
Curioso: um movimento para
parar!
A psicóloga confirmou que essa
prática era necessária, sobretudo no contexto maluco em que vivemos, ou melhor,
sobrevivemos.
Achei aquilo utópico. No mais,
certos tipos de “movimentos” tendem a parar as pessoas, para conduzí-las por
inércia.
No entanto, ao sair de casa no
dia seguinte senti a brisa tocar meu rosto. De repente, minha única vontade foi
sentar numa mureta próxima e simplesmente deixar o vento continuar essa carícia,
de olhos fechados, com a mente totalmente vazia. Não fiz isso, porque não havia
tempo a perder.
Mas, isso seria tempo perdido?
É certo que é difícil abrir
mão do que conquistamos com esforço, sobretudo quando a sociedade nos cobra
isso, e quando outros dependem de nós. Ganhar a vida honestamente exige certos
sacrifícios. Mas cabe a nós buscarmos meios de adicionar prazer à rotina. E esse
prazer não implica gastar dinheiro com aparências e sofisticações, que quase
sempre estressam mais do que acalmam.
Às vezes basta, apenas, não
fazer nada: entrar numa sintonia descompromissada com Deus e com a natureza.
Isso é, com certeza, muito
mais que nada! |