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A
memória é uma coisa impressionante!
Às vezes a gente tenta
lembrar do nome de um filme, personagem... Quando o assunto é recente a
informação logo retorna, basta associar palavras e fatos. Mesmo quando o
tema é um pouco mais antigo e difícil, ficamos “processando” até recuperar o
dado “arqueológico” do “arquivo morto”, quer dizer, adormecido da mente.
A complexidade do cérebro
humano é fascinante. Que “máquina” fantástica!
Mas ele precisa ora de
exercícios ora de descanso para enfrentar o desgaste do estresse, do tempo e
para evitar que o cotidiano nos transforme em meros computadores orgânicos:
máquinas de processar diretivas dos outros, “rodando” sem parar.
Eu luto para não ser esse
tipo de “máquina”! Procuro pensar em outras coisas que não apenas trabalho.
Coisas simples, que não dão lucro material, mas que me façam sentir e ser
humano.
Outro dia, eu preparava a
versão digital de meu livro, quando lembrei de uma foto familiar, igual à
que trago em minha carteira, que poderia ser usada na capa virtual. Fui
procurar a original, mas não lembrava da época do registro. Parecia-me que
fora “ontem”!
Minha esposa tem nossas
fotos cuidadosamente catalogadas em álbuns, memórias auxiliares, o que
facilita a busca. Tomei alguns deles e comecei a procurar...
Pois é... O que era para
ser uma pesquisa objetiva virou uma viagem no tempo. Daí a pouco, eu nem
lembrava mais do que estava procurando.
Ali estavam fotos do
namoro, do noivado, da gravidez e do nascimento de nosso filho, de seu
batizado, de todos os seus aniversários... Outros eventos também estavam lá:
pessoas queridas, que não estão mais aqui; casais, que não o são mais; mas
também os velhos amigos, cuja amizade permanece jovem.
Vi os diferentes cortes de
cabelo de minha esposa, as várias fases do crescimento do nosso menino, que
virou adolescente.
Senti certa angústia, como
se não tivesse vivido aqueles momentos com intensidade ideal. Os olhos
marejaram...
Só voltei ao presente
quando ouvi passos... Era meu filho que vinha para me desejar Boa Noite.
Quando ele me abraçou e
beijou, como sempre faz, realizei que eu não havia perdido nada: só me
deixara abraçar brevemente pelo passado. O abraço do presente era muito
melhor!
Olhei para ele e para suas
fotos e constatei, de um jeito diferente, aquilo que vejo todos os dias:
como ele mudou sem mudar!
Era tarde e eu também
resolvi dormir...
Antes disso, ao olhar
minha esposa, vi que as fotos também confirmavam o que eu já tinha a mais
completa e prazerosa certeza: o que era bom está cada vez melhor!
Foi bom rememorar esse
percurso sentimental de vida e realizar que o duplo presente que recebi
continua a fazer este marido e pai suspirar; prosseguir, sem dar “tilt” ou “bug”;
e, sobretudo, dar graças a Deus.
Que minha memória nunca
precise de auxílio para isso! |