ISSN 1678-8419         última atualização em: terça-feira, 05 de agosto de 2008 22:22:37                                               

 
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COLUNISTAS

Memória Auxiliar

 

Adilson Luis Gonçalves

publicado em 05/08/2008

 

A memória é uma coisa impressionante!

Às vezes a gente tenta lembrar do nome de um filme, personagem... Quando o assunto é recente a informação logo retorna, basta associar palavras e fatos. Mesmo quando o tema é um pouco mais antigo e difícil, ficamos “processando” até recuperar o dado “arqueológico” do “arquivo morto”, quer dizer, adormecido da mente.

A complexidade do cérebro humano é fascinante. Que “máquina” fantástica!

Mas ele precisa ora de exercícios ora de descanso para enfrentar o desgaste do estresse, do tempo e para evitar que o cotidiano nos transforme em meros computadores orgânicos: máquinas de processar diretivas dos outros, “rodando” sem parar.

Eu luto para não ser esse tipo de “máquina”! Procuro pensar em outras coisas que não apenas trabalho. Coisas simples, que não dão lucro material, mas que me façam sentir e ser humano.

Outro dia, eu preparava a versão digital de meu livro, quando lembrei de uma foto familiar, igual à que trago em minha carteira, que poderia ser usada na capa virtual. Fui procurar a original, mas não lembrava da época do registro. Parecia-me que fora “ontem”!

Minha esposa tem nossas fotos cuidadosamente catalogadas em álbuns, memórias auxiliares, o que facilita a busca. Tomei alguns deles e comecei a procurar...

Pois é... O que era para ser uma pesquisa objetiva virou uma viagem no tempo. Daí a pouco, eu nem lembrava mais do que estava procurando.

Ali estavam fotos do namoro, do noivado, da gravidez e do nascimento de nosso filho, de seu batizado, de todos os seus aniversários... Outros eventos também estavam lá: pessoas queridas, que não estão mais aqui; casais, que não o são mais; mas também os velhos amigos, cuja amizade permanece jovem.

Vi os diferentes cortes de cabelo de minha esposa, as várias fases do crescimento do nosso menino, que virou adolescente.

Senti certa angústia, como se não tivesse vivido aqueles momentos com intensidade ideal. Os olhos marejaram...

Só voltei ao presente quando ouvi passos... Era meu filho que vinha para me desejar Boa Noite.

Quando ele me abraçou e beijou, como sempre faz, realizei que eu não havia perdido nada: só me deixara abraçar brevemente pelo passado. O abraço do presente era muito melhor!

Olhei para ele e para suas fotos e constatei, de um jeito diferente, aquilo que vejo todos os dias: como ele mudou sem mudar!

Era tarde e eu também resolvi dormir...

Antes disso, ao olhar minha esposa, vi que as fotos também confirmavam o que eu já tinha a mais completa e prazerosa certeza: o que era bom está cada vez melhor!  

Foi bom rememorar esse percurso sentimental de vida e realizar que o duplo presente que recebi continua a fazer este marido e pai suspirar; prosseguir, sem dar “tilt” ou “bug”; e, sobretudo, dar graças a Deus.

Que minha memória nunca precise de auxílio para isso!

  

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Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, professor universitário (UNISANTOS e UNISANTA). Cursando Mestrado em Educação (UNISANTOS).
 

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