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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 11 de abril de 2008 22:57:34                                               

 
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COLUNISTAS

Os Deuses estão mortos

   

Adilson Luis Gonçalves

publicado em 21/09/2007

 

 

Esse era o nome de uma novela da TV Record, nos anos de 1970.

Nela um fazendeiro era o vilão, cruel e violento. Tinha a vila nas mãos!

Não admitia ser questionado, e quem o fazia podia contar com dias turbulentos pela frente. Dependendo da afronta ou incômodo, poderiam ser poucos dias... Talvez não fossem, mas ficariam bem marcados, pois, em frente à sua casa havia uma argola, onde escravos eram açoitados sem compaixão. Seus desafetos não tinham melhor sorte...

Certo dia surgiu um andarilho na vila. Usava um tapa-olho e seu olhar era enigmático. O homem revelou-se um místico e passou a fazer profecias, que logo eram confirmadas!

A fama do homem se espalhou e o velho fazendeiro também quis saber o que o futuro lhe reservava. Mandou chamá-lo...

"O senhor nunca há de cair morto!", disse o místico.

O tirano ficou impossível. Já crente de que era uma pessoa especial, agora se via, também, imortal: Um deus, acima do bem e do mal!

Mas os acontecimentos fugiram ao seu controle: a escravidão oficial fora extinta no Brasil!

Os escravos, libertos das correntes, seguiram, então, para a casa do fazendeiro. O mesmo ocorreu com todos os que haviam sido vítimas do algoz.

Ao ouvir o alarido ele não se intimidou: saiu esbravejando e enfrentando a todos! Bradava: "Eu nunca vou cair morto!". Foi quando franziu o rosto, e levou a mão ao peito... Agarrou-se àquela argola e, pendurado a ela, deu seu último suspiro...

De longe o místico confirmou sua profecia: "Eu disse que ele nunca cairia morto...". De fato, não caiu: morreu de pé!

A "novela" das CPIs tem muito a ver com isso: Há "deuses", "santos" e "anjos", de todas as cores e partidos sendo desnudados e expostos; mesmo assim, insistem em se agarrar a toda a "argola" possível e impossível, na certeza de que estão acima do bem e do mal!

Quem sabe evitem a cassação e, ainda que percam seus direitos políticos temporariamente, hão de sobreviver. Os erros dos outros talvez até os redimam. No entanto, mesmo que continuem a se apegar às "argolas" de seus egos, sua credibilidade já está comprometida, caída.

O místico da novela tinha apenas um olho, mas conseguia enxergar o futuro. Muitos de nossos políticos têm dois, mas estão cegos pelo poder, pela arrogância, pela ganância ou pela submissão. Poucos caem, mas, o povo, sempre de boa-fé, apesar de açoitado por suas decisões e indecisões, tem uma imensa, às vezes excessiva, capacidade de perdoá-los.

A esperança é que um dia nossos políticos desçam de seus pedestais - ou subam de seus fossos - e realizem que não são deuses nem senhores, mas, porta-vozes de milhões de seres humanos; e que não estão acima do bem e do mal, mesmo que se dêem vantagens e imunidades.

Nesse dia, talvez realizem que não faz sentido pregar igualdade, mas, se crer diferente; e que, por mais duro que isso possa lhes parecer, existe a possibilidade do Brasil ter um futuro melhor sem eles, e apesar deles!

 

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::sobre o autor::

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, professor universitário (UNISANTOS e UNISANTA). Cursando Mestrado em Educação (UNISANTOS).
 

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