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Esse era o nome de uma novela
da TV Record, nos anos de 1970.
Nela um fazendeiro era o
vilão, cruel e violento. Tinha a vila nas mãos!
Não admitia ser questionado, e
quem o fazia podia contar com dias turbulentos pela frente. Dependendo da
afronta ou incômodo, poderiam ser poucos dias... Talvez não fossem, mas ficariam
bem marcados, pois, em frente à sua casa havia uma argola, onde escravos eram
açoitados sem compaixão. Seus desafetos não tinham melhor sorte...
Certo dia surgiu um andarilho
na vila. Usava um tapa-olho e seu olhar era enigmático. O homem revelou-se um
místico e passou a fazer profecias, que logo eram confirmadas!
A fama do homem se espalhou e
o velho fazendeiro também quis saber o que o futuro lhe reservava. Mandou
chamá-lo...
"O senhor nunca há de cair
morto!", disse o místico.
O tirano ficou impossível. Já
crente de que era uma pessoa especial, agora se via, também, imortal: Um deus,
acima do bem e do mal!
Mas os acontecimentos fugiram
ao seu controle: a escravidão oficial fora extinta no Brasil!
Os escravos, libertos das
correntes, seguiram, então, para a casa do fazendeiro. O mesmo ocorreu com todos
os que haviam sido vítimas do algoz.
Ao ouvir o alarido ele não se
intimidou: saiu esbravejando e enfrentando a todos! Bradava: "Eu nunca vou cair
morto!". Foi quando franziu o rosto, e levou a mão ao peito... Agarrou-se àquela
argola e, pendurado a ela, deu seu último suspiro...
De longe o místico confirmou
sua profecia: "Eu disse que ele nunca cairia morto...". De fato, não caiu:
morreu de pé!
A "novela" das CPIs tem muito
a ver com isso: Há "deuses", "santos" e "anjos", de todas as cores e partidos
sendo desnudados e expostos; mesmo assim, insistem em se agarrar a toda a
"argola" possível e impossível, na certeza de que estão acima do bem e do mal!
Quem sabe evitem a cassação e,
ainda que percam seus direitos políticos temporariamente, hão de sobreviver. Os
erros dos outros talvez até os redimam. No entanto, mesmo que continuem a se
apegar às "argolas" de seus egos, sua credibilidade já está comprometida, caída.
O místico da novela tinha
apenas um olho, mas conseguia enxergar o futuro. Muitos de nossos políticos têm
dois, mas estão cegos pelo poder, pela arrogância, pela ganância ou pela
submissão. Poucos caem, mas, o povo, sempre de boa-fé, apesar de açoitado por
suas decisões e indecisões, tem uma imensa, às vezes excessiva, capacidade de
perdoá-los.
A esperança é que um dia
nossos políticos desçam de seus pedestais - ou subam de seus fossos - e realizem
que não são deuses nem senhores, mas, porta-vozes de milhões de seres humanos; e
que não estão acima do bem e do mal, mesmo que se dêem vantagens e imunidades.
Nesse dia, talvez realizem que
não faz sentido pregar igualdade, mas, se crer diferente; e que, por mais duro
que isso possa lhes parecer, existe a possibilidade do Brasil ter um futuro
melhor sem eles, e apesar deles! |