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COLUNISTAS

Pedras, palavras e oportunidades

 

Adilson Luis Gonçalves

publicado em 08/04/2009

Há um ditado que diz que existem três coisas que não têm volta: a pedra lançada, a palavra dita e oportunidade perdida. A pedra e a palavra às vezes se confundem e podem ser igualmente contundentes. A má intenção de quem a lança e a receptividade oportunista e inconsequente de quem a propaga já causaram enormes estragos às vidas de pessoas decentes.

Palavras assim lançadas, pedras metafóricas, podem atingir pessoas, empresas, instituições, nações!

Antigamente, casos pessoais desse tipo eram resolvidos num “campo de honra”, num duelo precedido por “tapas” com luvas. Mas isso não garantia a vitória do inocente: vencia quem tinha maior habilidade com as armas escolhidas. Hoje, mais civilizada, a sociedade dispõe de outros meios para buscar justiça, mesmo que ela ainda seja a “dos homens”, com leis nem sempre claras, que podem punir inocentes e libertar culpados, dependendo da habilidade de quem conhece seus meandros e imperfeições.

Mas como analisar situações semelhantes no âmbito institucional, quando uns acusam e outros calam? Ou quando há trocas de acusações e são anunciados, em tom de ameaça bombástica, dossiês com pretensas informações constrangedoras, mas que quase sempre não são revelados? Ou quando o que deveria ser naturalmente público é mantido em segredo?

O que é público deve ser omitido do eleitor? Salvo em questões estratégicas, de segurança nacional, não. A questão da corrupção e da má gestão da coisa pública, aliás, é de total e absoluta insegurança nacional! Assim, deve ser mostrada abertamente, pois é preciso conhecer todos os sintomas da doença para curá-la. Senão, ela tornar-se-á letal ou, pior, crônica: uma “chaga” cultural, tradicional.

As “pedras-palavras” e denúncias publicadas pela imprensa são sintomas de que algumas instituições não conseguem se autodepurar, e de práticas irregulares tão arraigadas e antigas, que seus perpetradores as consideram uso e costume. Se existem informações que desabonem quem deve representar o povo, elas precisam ser apuradas e concluídas, para que o eleitor decida se seus autores merecem conservar seus mandatos ou cargos. Senão, todos nós estaremos sendo apedrejados, injuriados e desacreditados. Afinal, quando um país é considerado corrupto, seus cidadãos são julgados internacionalmente, a priori, como tal!

Não está nas mãos da sociedade fazer ou aplicar diretamente leis. Para representá-la foram criadas instituições com esse objetivo. Mas não basta ter a legitimidade do voto ou da nomeação para representar o povo e considerar-se infalível, acima do bem e do mal, plenipotente: idoneidade, honestidade e comprometimento com o povo e com a nação, esses sim, são quesitos indispensáveis a quem deseja atuar politicamente. Senão, a iniquidade, a desonestidade e a leviandade é que serão institucionalizadas, legitimadas!

Não se trata de patrulhamento, mas de zelo democrático. Afinal, quem representa o povo deve ser exemplar, no bom sentido.

Ignorada em votos e atos secretos, que ao menos a sociedade tenha o direito de exigir que mentirosos e culpados sejam punidos com a perda de seus mandatos ou cargos. E que imunidade nunca seja confundida com impunidade, pois esse é o tipo de rima que desarrima as bases da moralidade e da ética de qualquer sociedade.

Que não se percam essas oportunidades; que não sejam apenas palavras ao vento; e que não se ponham pedras sobre esses assuntos! Senão, faltará muito pouco para assistirmos a definitiva falência moral das instituições, com terríveis consequências para a democracia e para o futuro do país.


 

 
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Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, professor universitário (UNISANTOS e UNISANTA). Mestre em Educação (UNISANTOS).
 

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