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Há um ditado que diz que
existem três coisas que não têm volta: a pedra lançada, a palavra dita e
oportunidade perdida. A pedra e a palavra às vezes se confundem e podem
ser igualmente contundentes. A má intenção de quem a lança e a
receptividade oportunista e inconsequente de quem a propaga já causaram
enormes estragos às vidas de pessoas decentes.
Palavras assim lançadas,
pedras metafóricas, podem atingir pessoas, empresas, instituições,
nações!
Antigamente, casos
pessoais desse tipo eram resolvidos num “campo de honra”, num duelo
precedido por “tapas” com luvas. Mas isso não garantia a vitória do
inocente: vencia quem tinha maior habilidade com as armas escolhidas.
Hoje, mais civilizada, a sociedade dispõe de outros meios para buscar
justiça, mesmo que ela ainda seja a “dos homens”, com leis nem sempre
claras, que podem punir inocentes e libertar culpados, dependendo da
habilidade de quem conhece seus meandros e imperfeições.
Mas como analisar
situações semelhantes no âmbito institucional, quando uns acusam e
outros calam? Ou quando há trocas de acusações e são anunciados, em tom
de ameaça bombástica, dossiês com pretensas informações constrangedoras,
mas que quase sempre não são revelados? Ou quando o que deveria ser
naturalmente público é mantido em segredo?
O que é público deve ser
omitido do eleitor? Salvo em questões estratégicas, de segurança
nacional, não. A questão da corrupção e da má gestão da coisa pública,
aliás, é de total e absoluta insegurança nacional! Assim, deve ser
mostrada abertamente, pois é preciso conhecer todos os sintomas da
doença para curá-la. Senão, ela tornar-se-á letal ou, pior, crônica: uma
“chaga” cultural, tradicional.
As “pedras-palavras” e
denúncias publicadas pela imprensa são sintomas de que algumas
instituições não conseguem se autodepurar, e de práticas irregulares tão
arraigadas e antigas, que seus perpetradores as consideram uso e
costume. Se existem informações que desabonem quem deve representar o
povo, elas precisam ser apuradas e concluídas, para que o eleitor decida
se seus autores merecem conservar seus mandatos ou cargos. Senão, todos
nós estaremos sendo apedrejados, injuriados e desacreditados. Afinal,
quando um país é considerado corrupto, seus cidadãos são julgados
internacionalmente, a priori, como tal!
Não está nas mãos da
sociedade fazer ou aplicar diretamente leis. Para representá-la foram
criadas instituições com esse objetivo. Mas não basta ter a legitimidade
do voto ou da nomeação para representar o povo e considerar-se
infalível, acima do bem e do mal, plenipotente: idoneidade, honestidade
e comprometimento com o povo e com a nação, esses sim, são quesitos
indispensáveis a quem deseja atuar politicamente. Senão, a iniquidade, a
desonestidade e a leviandade é que serão institucionalizadas,
legitimadas!
Não se trata de
patrulhamento, mas de zelo democrático. Afinal, quem representa o povo
deve ser exemplar, no bom sentido.
Ignorada em votos e atos
secretos, que ao menos a sociedade tenha o direito de exigir que
mentirosos e culpados sejam punidos com a perda de seus mandatos ou
cargos. E que imunidade nunca seja confundida com impunidade, pois esse
é o tipo de rima que desarrima as bases da moralidade e da ética de
qualquer sociedade.
Que não se percam essas
oportunidades; que não sejam apenas palavras ao vento; e que não se
ponham pedras sobre esses assuntos! Senão, faltará muito pouco para
assistirmos a definitiva falência moral das instituições, com terríveis
consequências para a democracia e para o futuro do país.
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