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Em tempos de Natal gosto de
ouvir músicas tradicionais. Geralmente montamos nossa árvore ao som delas, e
isso só não ilumina mais o ambiente do que os olhos de minha mulher e de meu
filho.
Na falta de versão em
português prefiro ouvir as obras em seus idiomas originais, pois “Adeste
Fidelis” em inglês, por exemplo, é de doer! Já “White Christmas” na voz de Bing
Crosby é inigualável.
Outra recorrência é que,
quando a árvore fica pronta, colorida e luminosa, invariavelmente eu volto no
tempo, pois o Natal sempre nos traz recordações da infância.
Lembro de uma antiga gravação
de Francisco Alves, o “Chico Viola”, que dizia: “Eu pensei que todo mundo fosse
filho de Papai Noel, e assim felicidade eu pensei que fosse uma brincadeira de
papel. Já faz tempo que eu pedi, mas o meu Papai Noel não vem! Com certeza já
morreu, ou então felicidade é um brinquedo que não tem”.
Embora cantada em ritmo
alegre, essa canção fala de frustração e remete aos sapatinhos que meu pai
inocentemente colocou na janela, a espera de um presente, e que no dia seguinte
não estavam mais lá; à bonequinha de papel que minha mãe ganhou em tempos muito
difíceis, mas que a chuva desmanchou pouco depois.
O Natal tem essas nuances: uns
ostentam sem dar valor enquanto outros, que têm muito pouco, se sentem ainda
mais carentes nessa época. Mas nem por isso meus pais deixaram de dar valor aos
sonhos dos filhos e, dentro das limitações de uma vida simples, honesta e
amorosa, tentaram realizá-los. Os presentes podiam não ser os que a mídia
tornava objetos de desejo, mas sobrava alegria!
Por uma questão “salomônica” a
festa de Natal era na casa de minha avó materna, e a de Ano Novo, na de meus
avôs paternos. Dia de dormir fora de casa, de caos fraterno, pois as famílias
eram grandes, mas as casas nem tanto.
A nossa também era
cuidadosamente preparada:
Nossa árvore de Natal era
sempre um pinheirinho natural, trazido a pé da casa de meus avôs paternos, pois
causaria estorvo e dano se transportado em ônibus. Uma boa caminhada...
Embora replantado num latão
decorado e regado todos os dias, ele durava o tempo exato das festas. No Dia de
Reis, o verde original já se tornara marrom, e a neve de algodão era substituída
pelas folhinhas que se soltavam dos ramos.
Há muito tempo nossas árvores
deixaram de ser naturais - a natureza agradece -, mas as reuniões ainda
continuam, embora não tão numerosas e caóticas. Hoje, somos os pais e tios de
outrora. O pinheiro de Natal: artificial, reciclado e incrementado anualmente,
ainda está lá, junto com o presépio, para lembrar do aniversariante do dia.
As lembranças dos tempos
difíceis também se fazem presentes, mas não para entristecer: servem para nos
lembrar de agradecer pelo que temos e nunca deixarmos de acreditar em nossos
sonhos e, na medida do possível, “dar uma força” aos do próximo!
É... Os sonhos devem estar
sempre presentes!
Feliz Natal e Próspero Ano
Novo! |