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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 15 de dezembro de 2007 19:41:55                                               

 
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Pinheiro de Natal

   

Adilson Luis Gonçalves

publicado em 15/12/2007

 

 

Em tempos de Natal gosto de ouvir músicas tradicionais. Geralmente montamos nossa árvore ao som delas, e isso só não ilumina mais o ambiente do que os olhos de minha mulher e de meu filho.

Na falta de versão em português prefiro ouvir as obras em seus idiomas originais, pois “Adeste Fidelis” em inglês, por exemplo, é de doer! Já “White Christmas” na voz de Bing Crosby é inigualável.

Outra recorrência é que, quando a árvore fica pronta, colorida e luminosa, invariavelmente eu volto no tempo, pois o Natal sempre nos traz recordações da infância.

Lembro de uma antiga gravação de Francisco Alves, o “Chico Viola”, que dizia: “Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel, e assim felicidade eu pensei que fosse uma brincadeira de papel. Já faz tempo que eu pedi, mas o meu Papai Noel não vem! Com certeza já morreu, ou então felicidade é um brinquedo que não tem”.

Embora cantada em ritmo alegre, essa canção fala de frustração e remete aos sapatinhos que meu pai inocentemente colocou na janela, a espera de um presente, e que no dia seguinte não estavam mais lá; à bonequinha de papel que minha mãe ganhou em tempos muito difíceis, mas que a chuva desmanchou pouco depois.

O Natal tem essas nuances: uns ostentam sem dar valor enquanto outros, que têm muito pouco, se sentem ainda mais carentes nessa época. Mas nem por isso meus pais deixaram de dar valor aos sonhos dos filhos e, dentro das limitações de uma vida simples, honesta e amorosa, tentaram realizá-los. Os presentes podiam não ser os que a mídia tornava objetos de desejo, mas sobrava alegria!

Por uma questão “salomônica” a festa de Natal era na casa de minha avó materna, e a de Ano Novo, na de meus avôs paternos. Dia de dormir fora de casa, de caos fraterno, pois as famílias eram grandes, mas as casas nem tanto.

A nossa também era cuidadosamente preparada:

Nossa árvore de Natal era sempre um pinheirinho natural, trazido a pé da casa de meus avôs paternos, pois causaria estorvo e dano se transportado em ônibus. Uma boa caminhada...

Embora replantado num latão decorado e regado todos os dias, ele durava o tempo exato das festas. No Dia de Reis, o verde original já se tornara marrom, e a neve de algodão era substituída pelas folhinhas que se soltavam dos ramos.

Há muito tempo nossas árvores deixaram de ser naturais - a natureza agradece -, mas as reuniões ainda continuam, embora não tão numerosas e caóticas. Hoje, somos os pais e tios de outrora. O pinheiro de Natal: artificial, reciclado e incrementado anualmente, ainda está lá, junto com o presépio, para lembrar do aniversariante do dia.

As lembranças dos tempos difíceis também se fazem presentes, mas não para entristecer: servem para nos lembrar de agradecer pelo que temos e nunca deixarmos de acreditar em nossos sonhos e, na medida do possível, “dar uma força” aos do próximo!

É... Os sonhos devem estar sempre presentes!

 

Feliz Natal e Próspero Ano Novo!

 
  

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Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, professor universitário (UNISANTOS e UNISANTA). Cursando Mestrado em Educação (UNISANTOS).
 

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