ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 01 de outubro de 2008 21:25:27                                               

 
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COLUNISTAS

Promessa é dúvida

 

Adilson Luis Gonçalves

publicado em 01/10/2008

 

Consta que os Aliados venceram a II Guerra Mundial, porque desvendaram um código secreto, sem que os inimigos soubessem. Além disso, também criaram e aprimoraram os seus, aprimorando a criptografia.

Alguém me decifre o discurso político, por favor!

O apelo se justifica por vários motivos:

- Os candidatos fazem discursos extremamente parecidos, qualquer que seja a ideologia que professem;

- Depois da posse, raramente lembram dos compromissos assumidos com os eleitores, para representarem outros interesses, embora nunca admitam isso;

- Eleitos para um mandato democrático, a maioria, absurdamente, comporta-se como se tivesse “o rei na barriga”;

- Diante das câmeras e microfones afirmam uma coisa, mas nas votações, injustificavelmente secretas, fazem o contrário;

- Depois de fazerem o oposto do que prometeram, voltam a pedir votos, com o mesmo discurso da campanha anterior.

Será que política é algo claro ou não passa de uma linguagem cifrada na criptografia do engodo: dizer uma coisa pensando e fazendo outra? Promessa política é dívida ou dúvida? 

Será que os políticos que agem assim acreditam, de fato, que representam o povo?

Se assim for, então o povo, que ainda não entende a linguagem cifrada do dialeto político, precisa de mecanismos mais efetivos e diretos para manifestar sua vontade: plebiscitos, por exemplo.

O quê? Assim vai ser impossível governar? Os políticos eleitos já são legítimos representantes do povo?

Mas que legitimidade é essa, que quase nunca é representatividade efetiva?

O atual momento democrático tem mostrado que, se o processo eletivo é confiável, o exercício do mandato nem sempre o é. Prova disso é o nível abissal da credibilidade da classe política brasileira.

Os plebiscitos são instrumentos caros, em princípio; mas nada impede que sejam associados a processos eleitorais regulares, reduzindo custos.

A maior rejeição a essa proposta virá, obviamente, de membros da própria classe política, que não apreciarão ver sua influência reduzida pelo exercício direto da democracia. Mas, quem sabe essa luz sobre a sombra acabe com esse dialeto incompreensível, que distorce ou despreza os anseios populares. No entanto, esses dispositivos seriam desnecessários, se essa parcela renitente de políticos volúveis, insensíveis e venais, que o poder econômico elege e reelege, fosse, efetivamente, porta-voz de seus eleitores.

Bastaria que lembrassem e vivenciassem a antiga, mas sempre atual frase: "O poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido"!

 
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Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, professor universitário (UNISANTOS e UNISANTA). Cursando Mestrado em Educação (UNISANTOS).
 

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