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Consta que os Aliados
venceram a II Guerra Mundial, porque desvendaram um código secreto, sem
que os inimigos soubessem. Além disso, também criaram e aprimoraram os
seus, aprimorando a criptografia.
Alguém me decifre o
discurso político, por favor!
O apelo se justifica
por vários motivos:
- Os candidatos fazem
discursos extremamente parecidos, qualquer que seja a ideologia que
professem;
- Depois da posse,
raramente lembram dos compromissos assumidos com os eleitores, para
representarem outros interesses, embora nunca admitam isso;
- Eleitos para um
mandato democrático, a maioria, absurdamente, comporta-se como se
tivesse “o rei na barriga”;
- Diante das câmeras e
microfones afirmam uma coisa, mas nas votações, injustificavelmente
secretas, fazem o contrário;
- Depois de fazerem o
oposto do que prometeram, voltam a pedir votos, com o mesmo discurso da
campanha anterior.
Será que política é
algo claro ou não passa de uma linguagem cifrada na criptografia do
engodo: dizer uma coisa pensando e fazendo outra? Promessa política é
dívida ou dúvida?
Será que os políticos
que agem assim acreditam, de fato, que representam o povo?
Se assim for, então o
povo, que ainda não entende a linguagem cifrada do dialeto político,
precisa de mecanismos mais efetivos e diretos para manifestar sua
vontade: plebiscitos, por exemplo.
O quê? Assim vai ser
impossível governar? Os políticos eleitos já são legítimos
representantes do povo?
Mas que legitimidade é
essa, que quase nunca é representatividade efetiva?
O atual momento
democrático tem mostrado que, se o processo eletivo é confiável, o
exercício do mandato nem sempre o é. Prova disso é o nível abissal da
credibilidade da classe política brasileira.
Os plebiscitos são
instrumentos caros, em princípio; mas nada impede que sejam associados a
processos eleitorais regulares, reduzindo custos.
A maior rejeição a
essa proposta virá, obviamente, de membros da própria classe política,
que não apreciarão ver sua influência reduzida pelo exercício direto da
democracia. Mas, quem sabe essa luz sobre a sombra acabe com esse
dialeto incompreensível, que distorce ou despreza os anseios populares.
No entanto, esses dispositivos seriam desnecessários, se essa parcela
renitente de políticos volúveis, insensíveis e venais, que o poder
econômico elege e reelege, fosse, efetivamente, porta-voz de seus
eleitores.
Bastaria que
lembrassem e vivenciassem a antiga, mas sempre atual frase: "O poder
emana do povo e em seu nome deve ser exercido"! |