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Outro dia, por conta da
divulgação de um evento cultural, visitei minha primeira escola: Grupo Escolar
Estadual “Dr. Cesário Bastos”.
Foi curioso entrar naquele
suntuoso edifício, tombado, mas que continua de pé, ou seja, contrariando a
regra, está sendo bem conservado.
Janelas enormes, salas com
alturas estratosféricas, vitrais coloridos... Esteticamente quase nada mudou
desde a infância de minha mãe, que também estudou lá.
São muitas as lembranças
daqueles “temps de tendres insouciances” (Merci, Charles Trennet!) da “douce”
Santos dos anos de 1960,
O uniforme incluía: sapatos
pretos, que tinham que durar o ano inteiro; meias brancas de cano alto, calça
azul-marinho curta e camisa branca, que tinha o distintivo bordado no bolso, com
o nome da escola e o número da série. Nós usávamos, ainda, um crachá preto, com
o nome de cada aluno em letras maiúsculas, na cor azul “mimeógrafo”.
Foi lá que arrancaram meus
primeiros dentes fora de casa... O dentista, bem entendido! Naquela época as
escolas tinham gabinetes odontológicos.
No primeiro ano minha mãe me
levou à escola. Depois passei a ir sozinho (coisa inimaginável nos dias de
hoje), com direito a “paradas técnicas”, diárias, para tomar refresco de
groselha na sapataria “Internacional”, que ficava bem no meio do caminho.
Foi no “Cesário Bastos” que
atuei pela primeira vez na docência, como auxiliar de uma professora de
Pré-primário. Será que isso conta como tempo de serviço? Também foi ali que
participei de minha primeira banda de “Iê-iê-iê”, “tocando” uma corneta de
cartolina e usando uma camisa cheia de babados, no melhor estilo dos grupos de
então: “Os Incríveis”, “The Feevers” e “The Jordans”.
Tudo era tão novo, tão
ilimitado… Parecia que poderíamos ser o que quiséssemos: o “National Kid”; o
Roberto Carlos ou algum dos “Beatles”; o Pelé. Afinal, vivíamos no mundo da Lua,
e dali era fácil viajar pelo universo, como o Will Robinson de “Perdidos no
Espaço”; até onde “nenhum homem jamais esteve”, como em “Jornada nas Estrelas”.
Depois de adulto, para
reencontrar essa imensidão foi preciso que eu olhasse a vida com os olhos
daquela infância, que ainda não era míope, e que se apagou com a adolescência, e
assim ficou por um longo e intenso inverno.
Fui reencontrá-la na luz dos
olhos de Cecília. E ela se multiplicou com o brilho de Guilherme.
Depois desse reencontro, amar
voltou a ser fácil! Ele trouxe de volta a vontade sonhar, de escrever; fez
surgir o afã de compor, de cantar. Até estou participando de uma banda de
garagem! O que meu filho me zoa…
Questão de proporção: o fato
de ser criança fazia tudo parecer grande, como o “imenso” quintal de casa, que
só tinha cinco metros de largura…
Questão de razão: a mente não
tem essas limitações físicas, desde que esteja permanentemente aberta e
iluminada pelo coração!
Às vezes ela se fecha, ele se
apaga... É preciso voltar a ser criança na alma para resgatá-los! |