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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 11 de abril de 2008 22:57:31                                               

 
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Questão de razão e proporção

   

Adilson Luis Gonçalves

publicado em 15/11/2007

 

 

Outro dia, por conta da divulgação de um evento cultural, visitei minha primeira escola: Grupo Escolar Estadual “Dr. Cesário Bastos”.

Foi curioso entrar naquele suntuoso edifício, tombado, mas que continua de pé, ou seja, contrariando a regra, está sendo bem conservado.

Janelas enormes, salas com alturas estratosféricas, vitrais coloridos... Esteticamente quase nada mudou desde a infância de minha mãe, que também estudou lá.

São muitas as lembranças daqueles “temps de tendres insouciances” (Merci, Charles Trennet!) da “douce” Santos dos anos de 1960,

O uniforme incluía: sapatos pretos, que tinham que durar o ano inteiro; meias brancas de cano alto, calça azul-marinho curta e camisa branca, que tinha o distintivo bordado no bolso, com o nome da escola e o número da série. Nós usávamos, ainda, um crachá preto, com o nome de cada aluno em letras maiúsculas, na cor azul “mimeógrafo”.

Foi lá que arrancaram meus primeiros dentes fora de casa... O dentista, bem entendido! Naquela época as escolas tinham gabinetes odontológicos.

No primeiro ano minha mãe me levou à escola. Depois passei a ir sozinho (coisa inimaginável nos dias de hoje), com direito a “paradas técnicas”, diárias, para tomar refresco de groselha na sapataria “Internacional”, que ficava bem no meio do caminho.

Foi no “Cesário Bastos” que atuei pela primeira vez na docência, como auxiliar de uma professora de Pré-primário. Será que isso conta como tempo de serviço? Também foi ali que participei de minha primeira banda de “Iê-iê-iê”, “tocando” uma corneta de cartolina e usando uma camisa cheia de babados, no melhor estilo dos grupos de então: “Os Incríveis”, “The Feevers” e “The Jordans”.

Tudo era tão novo, tão ilimitado… Parecia que poderíamos ser o que quiséssemos: o “National Kid”; o Roberto Carlos ou algum dos “Beatles”; o Pelé. Afinal, vivíamos no mundo da Lua, e dali era fácil viajar pelo universo, como o Will Robinson de “Perdidos no Espaço”; até onde “nenhum homem jamais esteve”, como em “Jornada nas Estrelas”.

Depois de adulto, para reencontrar essa imensidão foi preciso que eu olhasse a vida com os olhos daquela infância, que ainda não era míope, e que se apagou com a adolescência, e assim ficou por um longo e intenso inverno.

Fui reencontrá-la na luz dos olhos de Cecília. E ela se multiplicou com o brilho de Guilherme.

Depois desse reencontro, amar voltou a ser fácil! Ele trouxe de volta a vontade sonhar, de escrever; fez surgir o afã de compor, de cantar. Até estou participando de uma banda de garagem! O que meu filho me zoa…

Questão de proporção: o fato de ser criança fazia tudo parecer grande, como o “imenso” quintal de casa, que só tinha cinco metros de largura…

Questão de razão: a mente não tem essas limitações físicas, desde que esteja permanentemente aberta e iluminada pelo coração!

Às vezes ela se fecha, ele se apaga... É preciso voltar a ser criança na alma para resgatá-los!

 

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Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, professor universitário (UNISANTOS e UNISANTA). Cursando Mestrado em Educação (UNISANTOS).
 

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