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Por ser mulher, ela é
desprezada pelos homens. Também o é pelas mulheres, que a vêem como
transgressora.
Um dos poucos que vota
é o responsável por uma central de energia solar: tecnologia de ponta
até para aquecer a água do chá! Mas, ele não conhece os candidatos, por
isso vota em Deus, que ele conhecia. Pelo jeito, eles não confiam muito
em políticos.
No retorno à praia, o
soldado pára o jipe nomeio do nada: havia um inconcebível sinal vermelho
na estrada!
Não havia veículos à
vista e a moça pergunta por que ele não prosseguia. Ele afirma que por
respeito à lei. Ela pondera que não havia sentido naquilo. O soldado,
ironicamente, diz que ela tentara convencer as pessoas a votar por ser
uma regra a ser seguida, mas, agora, pedia para ele desrespeitar outra!
A jovem volta para o
carro, vencida; mas, para sua surpresa, o soldado ultrapassa o sinal
vermelho! Calmamente, ele justifica que pensava que ele já fora
consertado.
Quando não há
computação gráfica, sangue aos borbotões e atores famosos para distrair,
alguns filmes fazem a gente pensar:
Quantos sinais
vermelhos colocam em nossas vidas e, funcionando ou quebrados, impedem
que pensemos e evoluamos?
Quantas pessoas nos
dizem o que podemos ou não fazer apenas para manterem seu poder sobre
nós? Quantas pessoas dizem que uma coisa é boa para nós, quando só o é
para elas? E quantos lembram de nós apenas quando lhes somos úteis?
Assim, nem toda
tradição é boa e nem toda transição faz sentido.
No final do filme, o
soldado pede para votar...

Ao ver seu nome na
cédula, a jovem diz que não era candidata. “Pensei que o voto fosse
secreto”, diz ele. Depois, justifica que também não conhecia nenhum dos
candidatos, mas a conhecia.
O barco não veio
buscá-la, mas, sim, um moderno avião. Ela iria para o céu, junto com a
urna!
Num filme ocidental
haveria um fraterno abraço entre esses dois aprendizes de viver, mas
isso seria impensável nesse filme. Sequer houve acenos...
Ela voltou à cidade
grande. Ele voltou ao seu posto de vigia da praia. Nada havia mudado...
Será? |