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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 25 de abril de 2008 21:29:55                                               

 
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COLUNISTAS

Sinal de alerta

   

Adilson Luis Gonçalves

publicado em 25/04/2008

 

Sou totalmente contra condenar sem julgar, por mais fortes que sejam as evidências! Mas sou absolutamente contra a impunidade; e ela, quase sempre, é fruto de leis mal elaboradas, dúbias.
 

Acho um absurdo ver pessoas nas portas de delegacias e casas de suspeitos, gritando palavras de ordem, ameaçando fazer justiça com as próprias mãos. É querer aparecer na mídia, virar notícia! Ou ser mosca... Mas será que isso não é sintomático, também, de descrença na justiça?

Essa descrença não aumenta com exemplos de policiais que se associam à criminalidade que deveriam inibir e combater? Ou quando operadores da lei se envolvem em esquemas ilegais? Ou quando ocupantes de cargos públicos, eleitos ou nomeados, desviam verbas para enriquecimento pessoal ou favorecimento dos grupos a que pertencem?

O curioso é que não se vê aglomerações nas portas de distritos, nem em frente das residências desse tipo de acusado, gritando palavras de ordem ou fazendo ameaças. Isso, talvez, porque, no imaginário popular, seus crimes envolvam “apenas” dinheiro. Não são suspeitos de matarem crianças inocentes e indefesas... Será?

Será que o dinheiro ilícito que os enriquece, mas nunca sacia, não poderia salvar vidas, se aplicado na saúde ou na educação? Os esquemas fraudulentos de que participam não são instrumentos de morte e desesperança em larga escala: crimes contra a humanidade?

Com certeza! Mas não há cadáveres visíveis. As mortes acontecem longe de seus olhos e dos da sociedade.

Assim, algozes logo se transformam em vítimas, vertendo lágrimas diante de câmeras, em patéticos espetáculos. E não lhes falta a solidariedade de seus iguais, por amizade, temor ou dívida.

Denúncias a granel! Crimes escabrosos! Prisões espalhafatosas!

Um circo é montado para, quase sempre: nada!

Pouco tempo depois, o esquecimento ou a conivência os reelegerá ou os reconduzirá a cargos públicos ou posições de destaque. Tudo como se nada tivesse acontecido, como se fossem modelos de dignidade. Dignidade tosca que, infelizmente, tende a proliferar na sociedade, pela impunidade.

Assim, é quase certo que continuarão a praticar as mesmas ou mais elaboradas falcatruas. No máximo, serão condenados ao ostracismo, “mortos politicamente”. Mesmo assim, alguns viverão em alto estilo, saboreando os frutos de seus atos dolosos, ardilosamente escamoteados por artifícios escusos. Outros serão silenciados, de múltiplas formas...

Assim, com o tempo e esses exemplos de impunidade, quem denunciaria poderá não denunciar mais. Quem for vítima, talvez se cale. Quem acreditava na justiça, perderá a fé. Já quem tem desvios de caráter, desembestará sem freios.

A imagem que ficará consolidada será a de que o crime compensa, de que “um raio não cai duas vezes no mesmo lugar”.

Estaremos a um passo da barbárie!

É essa a sociedade que queremos?

 
  

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::sobre o autor::

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, professor universitário (UNISANTOS e UNISANTA). Cursando Mestrado em Educação (UNISANTOS).
 

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