|
A lógica que me levou a essa
condição me parece bastante elementar:
Embora caiba a cada um de nós
desenvolver nossos potenciais, tudo o que somos de bom é uma dádiva de Deus!
Porque, então, colocar seres humanos em pedestais?
Quem se sobressaia
positivamente em uma determinada área, igualmente positiva, merece respeito, mas
nunca idolatria! Esse respeito, aliás, está na consciência de que pessoas têm
virtudes, mas também têm defeitos, pois são feitas de carne e osso, como
qualquer mortal. Assim, apreciar as qualidades de quem quer que seja não implica
em omitir ou fazer “vistas grossas” aos seus defeitos. Se o fizermos estaremos
entrando na perigosa seara do fanatismo.
Essa consciência da
imperfeição deve ser encarada como uma benção universal, pois coloca cada um de
nós na condição singular de poder ser importante, ao menos para nós mesmos, sem
ofuscar ou apagar o brilho do semelhante.
Quem vive só para adorar seu
ídolo, e quem vive só de ser adorado pelos fãs, passa sua existência, muitas
vezes sem perceber, flertando com a insanidade, o que é demonstrado pelos
desvarios e excessos praticados por uns e outros, apenas para continuarem sendo
adorados ou acreditarem ter sido notados.
Identificar-se com alguém?
Tudo bem! Mas servir a um mito é mergulhar num processo de autodestruição
progressiva da personalidade e da racionalidade.
Analisando friamente, por que
brigar, vestir a camisa, levantar a bandeira ou estender tapetes vermelhos para
seres humanos? Só porque eles têm alguma aptidão que apreciamos?
No mais, em casos extremos
essa adoração tende a funcionar como uma fuga dos problemas reais. Só que isso
não os resolve. Pelo contrário, os acumula e agrava!
Uma coisa é dedicar
conscientemente a vida ao próximo, ser solidário e prestativo; outra é viver a
existência em função de uma única pessoa ou coisa, festejando seus sucessos e
sofrendo com seus fracassos como se fossem nossos.
Uma bela voz, um belo rosto,
uma pintura genial, uma música maravilhosa, um estadista carismático, um
pioneiro audacioso, um cientista brilhante... Tudo representa a consumação de
faculdades humanas que todos nós temos, embora nem sempre tenhamos a mesma
coragem ou oportunidade de manifestá-las, tantos são os obstáculos que podem
existir para alguns. Mas, se são especiais em algo, também são medíocres em
outras coisas: humanos como nós!
Esquecer a própria identidade
e aceitar a submissão a um ídolo é, portanto, colocar-se abaixo do limite da
mediocridade. Mais que isso, é renunciar a condição de universo para se
transformar em mera poeira de “estrelas”.
É sempre bom lembrar que fomos
feitos à imagem e semelhança de Deus! Somos, portanto, herdeiros de muito mais
do que imaginamos! Por isso, quando aceitamos ou criamos ídolos humanos é como
se estivéssemos lançando um fardo sobre suas costas e arreios sobre as nossas.
Uma relação construída dessa forma só terá aspectos negativos, mesmo para os que
tiram proveito consciente delas. Não é à toa que a história é pródiga de ídolos
que destruíram a própria vida, por não suportarem o assédio e as cobranças.
Também é rica de fãs que mataram ou morreram por não se darem nenhuma opção de
individualidade.
Viver, perder a própria
identidade e, até, morrer por um ídolo, um time ou algo parecido é um
desperdício terrível da própria vida! Pior que isso: a humanidade pode estar
perdendo um novo gênio ou, no mínimo, um ser humano digno!
Com certeza, cada um já teve
ao menos um momento sublime na vida, onde sentiu a alma tornar o corpo leve e a
mente ultrapassar a barreira dos 10%! A única diferença é que não havia platéia
para aplaudir e registrar. Mas Deus, com certeza, viu e deu imenso valor!
Existem muitos nomes famosos,
em várias áreas e vários países. Imaginem se eles tivessem preferido ficar
limitados ao culto de seus antecessores?
O mesmo vale para nós! Por
isso, é fundamental aprendermos a nos respeitar e ao próximo, como seres humanos
e indivíduos capazes que todos somos!
Tornar nossa vida produtiva e
auto-suficiente: esse é o grande desafio! Senão, não faltarão invasores e
posseiros. |