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O filme “Tropa de Elite” é
terrível: um soco no fígado mais dolorido do que o “oscarizado” “Traffic”.
Ele é nauseante, frenético, um
dos melhores filmes de ação que já vi! Um dos melhores filmes nacionais que já
assisti!
Há momentos em que a gente não
quer ver mais nada, mas, ao mesmo tempo, é impossível não ser absorvido pelo
roteiro, pela agilidade da câmera, pelas interpretações excepcionalmente
convincentes dos atores. E que safra maravilhosa: a começar por Wagner Moura!
Todo o universo do tráfico
está lá: os que vendem, os que compram, os que se vendem e os poucos que o
combatem de fato.
Ele mostra como a juventude
pode ser facilmente aliciada pelo tráfico; o ridículo dos que usam drogas como
uma forma de enfrentar o sistema, quando é desse tipo de alienação que ele se
nutre e prolifera. Afinal, a juventude destruída não ameaça o status quo.
O pior é que a introdução ao
vício normalmente é feita por “amigos”, que geralmente “sobrevivem”, enquanto os
que recebem essa “amizade” descem aos infernos. Começa com o cigarro, em seguida
vem o álcool e, depois, ladeira abaixo...
Em outro vértice desse
polígono de dominação perversa, o filme estigmatiza a polícia comum, que é
apresentada de forma deprimente: mal aparelhada, mal remunerada, mal gerida.
Isso é condição, tradição ou projeto?
Contra tudo isso, o filme
mostra um BOPE carioca implacável, extremamente violento, como a ROTA paulista
de outrora. Isso preocupa quando pensamos em tal poder nas mãos erradas. Mas de
outra maneira é possível enfrentar alucinados cruéis e sanguinários, que aliciam
e viciam crianças; que as iniciam no crime?
Nesse sentido, mais do que a
repressão violenta ao crime, o que assusta e saber que políticos se associam ao
tráfico para financiar suas campanhas; que corruptos nos esbofeteiam e sufocam
diariamente; torturam e matam sem piedade apenas para se “darem bem”; que leis
penais frouxas permitirem a proliferação do crime organizado.
Se existem soluções radicais é
porque as causas não foram combatidas no tempo devido e por quem de dever, muito
mais que de direito. Por isso viraram epidemias! Nesse contexto, o BOPE não é
mostrado como cura, mas remédio que elimina a doença junto com o doente, único
temor e terror dos marginais fora de seu círculo multiplamente vicioso. Sem ele
os marginais teriam medo de quê?
O BOPE é uma conseqüência de
políticas públicas; de pais que fecham os olhos para os passos de seus filhos; e
de jovens que confundem liberdade com burrice.
Por tudo isso, se a Tropa de
Elite carioca é como no filme, vale perguntar, embora ainda chocado com as
cenas: qual é a alternativa imediata e efetiva para tornar esse modelo repressor
desnecessário?
Longe de atribuir-lhes ares
quixotescos, o fato é que esse tipo de policial parece estar só numa guerra que
afeta a todos nós.
É por isso que Tropa de Elite
incomoda, mas é imperdível!
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