.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - 28/02/2007 21:09:27

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 Ana Marina Godoy               Felix Mundi

 
Eu sou um Negro Gato!

(verso da música “Negro gato”, de Roberto Carlos)

  

            Vida de gato preto pode até ser charmosa, mas, pela cor, também sofre os preconceitos estabelecidos na época medieval e que, até hoje, são disseminados.

O que é negro é – com ignorância - alvo de mistério, misticismo e perseguições por ser considerada ausência de luz (espiritual) e, por conseqüência, símbolo do Mal.

Supertições – nada saudáveis para o meio ambiente onde se encaixa o ser humano – com origem na Idade Média fazem crer que os felinos, por terem hábitos noturnos, seriam demoníacos. Tudo o que é escuro é cheio de trevas, segundo esse pensar tipicamente católico medieval, associou, então, o gato preto como companheiro das bruxas, suas vassouras e feitiços feitos à noite.

Quando do aceitar tal “lenda urbana”, o imaginário comum não conseguiu ir um pouco além no raciocínio e perceber que onde há luz – de uma vela ou de uma alma – as trevas não dominam; o que fez do gato preto parte da lista da inquisição, oficialmente.

Se no Egito os faraós tinham os gatos como companheiros reais, na Europa ocidental medieval os bichanos tiveram sua má sorte sentenciada, perdurando como dogma até o século XXI. Associar gato preto com maus agouros é religioso.

Recentemente, um gato preto - de pêlo curto - israelita, por ter presas mais salientes, foi proibido de circular em Israel. Aconteceria o mesmo se ele fosse, exemplificando, um persa branco?

Os becos são dos bichanos escuríssimos, lembremos! E quem acabou tendo nojo foi o gato preto em relação ao ser humano. Assim como um placebo pode funcionar, pessoas alérgicas a gatos podem expor suas crendices fisicamente. É assim que percebo o resultado de pesquisa feita por uma universidade estadunidense: gatos pretos ativariam mais as renites alérgicas, por exemplo, do que gatos de outros tipos. Os pesquisadores afirmam ser porque os gatos pretos, segundo eles, têm maior quantidade de substâncias alérgicas. Seriam essas defesas criadas por esses gatos contra os seres humanos?

Tal ignorância que cria misticismo e a arte foi capaz de otimizá-lo: o célebre escritor Edgar Allan Poe transformou o gato preto em personagem num conto de mistério (“O gato preto”). O cinema – no filme “O gato preto”, de 1934, por exemplo; com Boris Karloff e com Bela Lugosi - também traduziu e continua a traduzir a força do negro gato: é notável a  atração que exerce sobre o público um (simples?) gato preto. Seja como metáfora, personagem principal, como coadjuvante ou com uma ponta (http://www.animalplanetbrasil.com/grandes_felinos/cinema_grandes_felinos/index.shtml).

A poesia e a pintura também não interpretam o gato preto como um ser doce, convencionalmente, mas o declaram especial pela individualidade que teve que cultivar com a solidão imposta pela mentalidade medieval. 

O gato preto é um enigma: ótimo como divertimento e cultura...cheio de problemas ao ser raiz de medos para controle social.

A aparência continua mandando...cuidado ao atravessar a rua!

Miaaaaaaaaauu!!!

Ana Marina Godoy é turismóloga. Editora de Turismo da Partes.
anamarinagodoy@ig.com.br
 



 

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