|
Vida de gato preto pode até ser
charmosa, mas, pela cor, também sofre os preconceitos
estabelecidos na época medieval e que, até hoje, são
disseminados.
O que é negro é – com ignorância -
alvo de mistério, misticismo e perseguições por ser considerada
ausência de luz (espiritual) e, por conseqüência, símbolo do
Mal.
Supertições – nada saudáveis para
o meio ambiente onde se encaixa o ser humano – com origem na
Idade Média fazem crer que os felinos, por terem hábitos
noturnos, seriam demoníacos. Tudo o que é escuro é cheio de
trevas, segundo esse pensar tipicamente católico medieval,
associou, então, o gato preto como companheiro das bruxas, suas
vassouras e feitiços feitos à noite.
Quando do aceitar tal “lenda
urbana”, o imaginário comum não conseguiu ir um pouco além no
raciocínio e perceber que onde há luz – de uma vela ou de uma
alma – as trevas não dominam; o que fez do gato preto parte da
lista da inquisição, oficialmente.
Se no Egito os faraós tinham os
gatos como companheiros reais, na Europa ocidental medieval os
bichanos tiveram sua má sorte sentenciada, perdurando como dogma
até o século XXI. Associar gato preto com maus agouros é
religioso.
Recentemente, um gato preto - de
pêlo curto - israelita, por ter presas mais salientes, foi
proibido de circular em Israel. Aconteceria o mesmo se ele
fosse, exemplificando, um persa branco?
Os becos são dos bichanos
escuríssimos, lembremos! E quem acabou tendo nojo foi o gato
preto em relação ao ser humano. Assim como um placebo pode
funcionar, pessoas alérgicas a gatos podem expor suas crendices
fisicamente. É assim que percebo o resultado de pesquisa feita
por uma universidade estadunidense: gatos pretos ativariam mais
as renites alérgicas, por exemplo, do que gatos de outros tipos.
Os pesquisadores afirmam ser porque os gatos pretos, segundo
eles, têm maior quantidade de substâncias alérgicas. Seriam
essas defesas criadas por esses gatos contra os seres humanos?
Tal ignorância que cria misticismo e a arte foi
capaz de otimizá-lo: o célebre escritor Edgar Allan Poe
transformou o gato preto em personagem num conto de mistério (“O
gato preto”). O cinema – no filme “O gato preto”, de 1934, por
exemplo; com Boris Karloff e com Bela Lugosi - também traduziu e
continua a traduzir a força do negro gato: é notável a atração
que exerce sobre o público um (simples?) gato preto. Seja como
metáfora, personagem principal, como coadjuvante ou com uma
ponta
(http://www.animalplanetbrasil.com/grandes_felinos/cinema_grandes_felinos/index.shtml).
A poesia e a pintura também não
interpretam o gato preto como um ser doce, convencionalmente,
mas o declaram especial pela individualidade que teve que
cultivar com a solidão imposta pela mentalidade medieval.
O gato preto é um enigma: ótimo
como divertimento e cultura...cheio de problemas ao ser raiz de
medos para controle social.
A aparência continua
mandando...cuidado ao atravessar a rua!
Miaaaaaaaaauu!!! |