O experiente
advogado Ivo Shizuo Sooma
(Umuarama-PR), escreveu: "...a
partir de sua matéria sob o título
'finge-se não compreender...', que
fala no 'deus dinheiro num mundo
onde tudo está a venda', exponho
outra idéia de que se o dinheiro é
deus, o uso nocivo dele é o demônio!
Pela bíblia, demônio é a criatura
que se voltou contra o Criador.
No curso da história parece ser uma
constante o homem criar coisas que,
em princípio, beneficiariam a
humanidade, mas suas criações em
breve o dominam... Das ciências e
das técnicas resultaram inúmeros
instrumentos de destruição. Os
telefones celulares, que de práticos
aparelhos de comunicação, passaram a
angustiar muitos dos seus usuários
que não têm os modelos mais recentes
(cativos de seus botões e
artifícios).
As calculadoras e agora os
computadores estiolaram o raciocínio
dos seres humanos, que não sabem
mais fazer conta e estão reduzindo
também a capacidade de redigir, o
que ocorre com freqüência inclusive
com alguns advogados, que se rendem
à facilidade de "scanear" textos já
feitos (plagiatários).
Adquirentes de aparelhos de sons,
fascinados com a multiplicidade de
seus recursos técnicos, acabam por
não desfrutar das delícias das
músicas, entregando-se ao manejo de
botões de várias espécies (sem falar
na poluição sonora). Automóveis,
elevadores, escadas rolantes, etc.,
levaram ao sedentarismo, em prejuízo
da saúde.
A alta velocidade dos carros coloca
em risco a segurança pública e seus
fabricantes precisam amealhar mais
lucros com a venda de novos modelos
que tornam o anterior obsoleto
(basta mudar um detalhe).
O dinheiro foi uma talentosa criação
do engenho humano, porém, como toda
criação humana é falível, ganhou uma
perigosa dimensão própria.
Agigantando-se, deixou de ser uma
medida de valor representativo de
produtos e serviços e alguns
ladinos, profundos conhecedores
desses mecanismos, praticamente
apropriaram-se dos meios circulantes
(riquezas) e dos substitutos da
moeda, inclusive com o uso e
manipulações de dados virtuais e
informações privilegiadas, passaram
a dominar grande parte das relações
humanas esbulhando seus incautos
semelhantes. É exemplo visível da
criatura que, nefastamente,
voltou-se contra os criadores
gerando enormes desigualdades
sociais..."
Concordo com o colega Ivo e agradeço
pelo escrito. Isto leva ao
raciocínio de que nessa manipulação
ou dominação dos mercados pelos
experts em moedas e títulos de
crédito, ocorrem situações que nossa
"lógica de simples mortais" não
consegue acompanhar ou compreender.
O dólar estadunidense é algo
"miraculoso". Quando a economia
daquele país vai bem, ela sobe.
Quando não, também sobe. E, quando
vai mal, beirando a depressão como
em nossos dias, o dólar dispara em
altas! Talvez essa força "titânica"
derive da imagem mística que vem
estampada nota de cem deles (será do
novo deus ao qual nos referimos?).
Paradoxal é o fato dela se manter
"desvinculada" da economia
norte-americana, como se moedas de
valor extrínseco, valessem por si
mesmas...
Por derradeiro, existem mais dólares
circulando fora dos EUA que
internamente. No dia em que o mundo
acordar, abrir suas gavetas e optar
por outras moedas, os "dólares
voadores" voltarão para aqueles
condados e, aí sim, a verdadeira
bolha vai estourar pois faltarão
produtos e abundarão cédulas verdes.
Para o remate, meu caro Ivo, não sei
como eles podem ter "condados", pois
nunca tiveram nem reis nem condes...
Haja demônio! Valha-nos Deus...