| Colunistas |
|
Anjos
(21 de fevereiro de 2006 – no apê-zinho em BH)
Por Maria Luiza Falcão |
 |
|
Vão chegando devagar,
De pontos diversos vêm.
Agrupam-se, pouco a pouco,
Em quase círculo, irmãos,
Partilham o objeto da fé.
Sentados, pernas unidas,
Cabeça pendente,
Une-se às mãos,
Assim permanecem,
Tempo passando,
Em contrição.
Finda a vigília,
Erguem-se e vão.
Circulam, sem destino,
Começam outra oração.
E seguem, há mais pedidos,
Agradecem, ou não.
Um se destaca,
Parece aflito,
O corpo contorce,
Talvez em transe.
Não olham ao alto,
E eu estranho:
Afinal, onde anda aquele Deus?
No céu deles, estrela é néon,
E pisca, é notícia,
Gira veloz num telão.
Cansados agora,
Quem sabe, aflitos,
Por um milagre
Não pedido.
Absolvição, Luz Divina,
Pra sair da escuridão.
Não é um enxame,
Nem a vida é mel.
Não é um bando,
Pois ave, só no céu.
Mas são anjos,
Tortos, perdidos,
Asas podadas,
Pés e corpo no chão.
Almas presas, submissas,
Ao vício:
Perdição |
|
Outros
textos da autora:
Não faço poesia
Colibri
VirtualNão
faço poesia
Eu
sou o
guardião
Amigantes
Aos Humanos |
 |
|
 |
|
 |
|
Maria Luiza Falcão
escritora, artista plástica, atriz, cenógrafa e
figurinista. Carioca e urbana de nascimento, declara
todo seu amor pelo universo rural em seu romance
"Afonso", a deliciosa história de um brasileiro das
Minas Gerais, lançado na XII Bienal Internacional do
Livro em 2005 no Rio de Janeiro. Tem publicadas
crônicas, contos (o conto “Eu sou o Guardião” foi
escolhido pela Votorantim para publicidade), poesias e
mantém colunas semanais em jornais e revistas online.
Participa da coletânea OFICINA 20 anos de Poesia (www.oficinaeditores.com.br).
Agraciada com a Menção Especial Alice da Silva Lima, no
Concurso Prêmios Literários da UBE - União Brasileira de
Escritores – 2005, com o texto Cinderela do Agreste
(teatro infantil). Ainda inéditos: Afonso II, Olívia e
Diário (romances); Um Amor de Palhaço e A Lenda da
Moreninha (teatro infantil); Se Essa Rua Fosse Minha
(teatro adulto).
Contato:
falcaoml@oi.com.br
|
|


|
|
|
|