Minhas mãe está lutando pela vida.
Nesta batalha que já se arrasta há um mês, ela conta com a solidariedade dos
filhos, parentes, amigos e com o imprescindível trabalho dos profissionais
do H.S.E. do Rio de Janeiro. No caso dela, em especial, a equipe de saúde
dispensa especial atenção e carinho, alguns inclusive se referindo a ela
como 'a vozinha'.
Mas, eu penso que nessas horas, a grande força para que a medicina aconteça
vem do próprio doente.
Consciente ou não disso, ela resolveu fazer sua parte. Capixaba de
nascimento mas carioca por residência há décadas, católica, viúva, ela
assumiu uma meta para este momento e, obstinadamente, não abre mão dela.
Assim, suporta as repetidas agulhadas diárias, insulina, anestesia, mil e um
tubos ligados à máquinas que ela nem sabe para que servem. Avó de quatro
netos, ela deseja ardentemente estar presente, e com saúde, quando os
recém-nascidos, os gêmeos de dois meses de vida, começarem a dar os
primeiros passinhos. Depois? Bem...
Acho que aos 80 anos, ainda há tempo para aprender. Assim, minha mãe com seu
exemplo, está também nos ensinando a viver o momento presente e dar um passo
de cada vez.
Deus nos proteja. Amém.
MARIA LUIZA FALCÃO
Delegada Regional da APPERJ em Belo Horizonte
ASSOCIAÇÃO PROFISSIONAL DE POETAS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
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