(15 de janeiro de 2011 –
flagrante das tragédias na região serrana do Rio de Janeiro)
Ele é pedreiro, e chama-se
“L”. O nome não importa. Tão pouco se mora em Teresópolis ou Nova Friburgo.
O repórter disse, mas eu não me lembro. E isso também não importa. A
natureza em fúria destruiu tudo, inclusive os limites municipais, estaduais,
sociais, econômicos e culturais.
O que sei é que ele é
pedreiro, chama “L”, e estava fora de sua cidade quando o mundo veio a
baixo. Quando chegou, as águas lhe atingiam a altura do peito. Os bombeiros
quiseram levá-lo para um lugar seguro, mas ele disse não. Queria ajudar. E
foi como voluntário. Ajuda preciosa, segundo muitos, pois conhecia a região
e assim, foi indicando os principais pontos, para ajuda e para pouso seguro
dos helicópteros. Em muitas incursões, foi junto, apontando ele próprio os
caminhos.
Desde o início julgou que a
família estivesse segura em casa. Mas não.
Em meio ao trabalho
voluntário, chegou a notícia. Má notícia. A casa não resistira ao peso da
água, terra e pedras. Mãe, esposa e filho também não. A casa grande do
patrão, quase ao lado, nada sofreu. Mas a dele...
Prosseguiu no trabalho e só
quando pôde, foi ver sua própria tragédia. Recolheu entre os destroços
alguns brinquedos do filho, trapos, nada mais. Já enterrara seus mortos.
Enfim chorou.
Ao repórter que o
acompanhava declarou: “Se eu tivesse chegado a tempo, talvez pudesse ter
salvo a vida deles. Mas não aconteceu assim. Eles, já estão em paz junto de
Deus. Mas tantos outros estão em sofrimento, precisando de tudo. Eu... vou
ajudar”.
O repórter, humanamente
emocionado, o abraça.
Isto não é só exemplo de ser
solidário, ou de ser herói. É algo que andava meio esquecido, e que a
Providência Divina, tempos em tempos, reaviva em nós através das tragédias.
Isto é simplesmente “ser
humano”. |