spacer

ISSN 1678-8419         última atualização em: terça-feira, 23 de outubro de 2007 19:59:58                                               

 
  Principal
 Agenda
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Cultura
 Crônicas
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Humor
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Mirim
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 Memória Sindical
 Assédio Moral
.
Leia na Revista Partes
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COLUNISTAS

Blindagens do real

   

Gilberto da Silva

publicado em 08/10/2007


Chega de blindagens do real. O ser blindado perdeu sua identidade e suas referências. Não há ação social efetiva com seres desvinculados de um cotidiano violento e inseguro.
 
 


O primeiro movimento de fuga -sob o manto da "proteção" -foi o realizado pelas elites, já na década de 1980 e mais acentuadamente na década de 1990, deslocando-se para os chamados bairros "alfaviles" e seus similares. Preocupados com a violência, os assaltos e a insegurança pública, esta parcela da sociedade preferiu encastelar-se em suas mansões protegidas por seguranças, cercas elétricas, câmaras etc. Pensaram que a arquitetura do isolamento acabaria com seus problemas. Ledo engano.

A pobreza e a exclusão permaneceram. Pior, em muitos lugares mesmo com todo este aparato de segurança, os casos de assaltos, arrombamentos e invasões de condomínios persistiram. A arquitetura cedeu seu lugar para uma espécie de antropofagia urbana, onde os mais fortes vão comendo os mais fracos.

Outro movimento foi - e está sendo realizado em escala acentuada - o da blindagem dos automóveis isolando os indivíduos, tornando-os um estranho no meio da urbe. Reclusos numa atmosfera de ar condicionado, luxo desigual, blindagem dos vidros, alarmes e seguranças: tudo como uma imagem virtual.

De nada adiantou... de que adianta?

Enquanto estes senhores e blindam e levam seus filhotes de cachorros para "pets" e lá deixam cerca de R$ 1.000,00 por mês para manter este mimo. Nada contra tratar bem os animais domesticados. Lá fora, as crianças pedem o mínimo...  Quanto custa uma doação para uma instituição séria que contribui para melhorar a qualidade de vida destas pessoas, dando-lhes cidadania e dignidade?

Lá na ponta, na periferia, muitas associações precisam e pedem ajuda para se manter e tentar tirar da exclusão centenas de crianças e adolescentes da marginalidade. Uma luta dura, séria e geralmente sem recursos. Quanto custa uma criança na escola? Quanto custa tirá-la da marginalidade? Uma ação aqui outra ali, mas é muito pouco.

A elite prefere dizer que isto é problema do Estado... Prefere remeter ao sistema corrompido as mazelas da sociedade.

O Estado já sabemos o que não faz...

Enquanto isto vejo na TV que um trabalhador no Piauí, recebe R$ 5 reais por dia (R$ 200,00 por mês) para derrubar folhas de carnaúba e alimentar um rico negócio lá na outra ponta da escala de produção. Trabalho duro efetuado das 5 horas da madrugada até as 14 horas do dia sob sol ardente. E este trabalho só durará 4 meses, nos outros o trabalhador estará desempregado. R$ 1.000,00 (o valor do gasto no pet-shop) representa o que este trabalhador vai receber durante cinco meses de intenso trabalho debaixo do sol escaldante do Norte.

Os seres blindados da realidade, não sentem as agruras do real, muito menos o sol escaldante do Norte (a não ser em seus espirituosos passeios turísticas de "aventura"). Estes sujeitos blindados são como seres vivendo numa espécie de "second life": preferem viver uma "realidade fabricada". Só se dão conta quanto a violência bate na sua porta. A blindagem não é só no carro, parece já ter chegado no corpo, na alma.

Digamos que cansei sim, cansei da hipocrisia das elites que preferem isolar em "sua realidade" e ignorar a verdade real e não enfrentar o desafio da exclusão e da diminuição da violência.

A culpa é sempre dos outros. Nunca nossa.

 

http://gilpartes.spaces.live.com/

 
 

spacer
::sobre o autor::

Gilberto da Silva é jornalista, professor e sociólogo. É editor da Revista Partes.
 

::contato com o autor::

Fale com o autor clicando aqui.

http://gilpartes.spaces.live.com/
Caixa Postal: 32701 -
CEP: 04208-970 - São Paulo - SP - Brasil

 

::uma foto, uma atitude::


 Clique na foto acima e entenda o Consumo Consciente
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 
 

::outros artigos::

Previsões trabalhistas
publicado em 07/09/2007

Sexo Mercadoria
publicado em 14/08/2007

De gados e boiadas
publicado em 08/07/2007

A falta de Eros em nossas vidas
publicado em 15/05/2007

Escuta, Zé Povinho!
publicado em 23/10/2006

Maios e maiôs
publicado em 28/04/2007

Lula, deixa o povo trabalhar!
publicado em 02/01/2007

::econotas::

Leilões e ações ambientais
Gilberto da Silva

publicado em 13/09/2007

Mudança no clima e nas atitudes
Gilberto da Silva
publicado em 01/08/07

A questão dos biocombustíveis
Gilberto da Silva

publicado em 21/06/2007

Madeiras certificadas e energia solar em Sampa
Por Gilberto da Silva
publicado em 14/05/2007

Natureza, a prostituta de todos!


::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2007
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer