|
“Há,
me dá uma
liberdade!” Os
olhos da
linda
senhora e
sua
voz ecoada
durante as
gravações de
um
filme
que realizei
em
conjunto
com
vários
colegas da
administração
pública municipal de
São Paulo, permanecem na
minha
memória.
Realizamos
um
trabalho
já citado
aqui na
Partes
pela Fátima Teixeira
em outras
ocasiões e serve
para
mim
como uma
referência
sobre a
questão da
mulher na
terceira
idade.
Lembrei-me
novamente dessa
frase ao
receber umas
fotos de
senhoras
em
atividades de hidroginástica numa
piscina.
Recordei,
também, de uma
viagem
que realizei
em Curitiba, num
final de
ano,
com
minha
esposa.
Em
certo
momento,
quando estávamos passeando
pelo
Jardim
Botânico começamos a
conversar
com
um
grupo de turista da
terceira
idade. Uma
senhora,
sorridente,
com
fortes
marcas de sofrimento no
rosto deixou
vazar
em
certo
momento
sua
situação:
”Hoje, posso
viajar,
aproveitar a
vida,
enquanto
meu
marido
era
vivo
ele
não
me deixava
fazer
nada.
Não
me deixava
sair de
casa”. E
lá estava
ela
agora,
viúva,
alegre, aproveitando a
vida. Fico a
pensar
em quantas outras
mulheres idosas
não se encontram na
mesma
situação,
ainda.
Fiquei pensando -até
de
forma antropológica -, se a
sociedade
moderna
ainda vai
suportar
mulheres cuidando dos
homens, fazendo
comida, lavando
roupa. Pensei que isto fosse papo
de feministas da década de 70, do século passado! Olhei-me
para
mim
mesmo e vi
que
não
basta
discurso. É
preciso
ação. Olhei-me e vi,
que se
não
reinar a
harmonia,
tudo desaba.
Bem, falando
em
terceira
idade, será
que esta
situação de
opressão continuará? Resistirá aos
tempos hipermodernos? Sabendo
que há
tantos retrocessos... |