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As relações humanas estão cada vez mais
estabelecendo pendências entre o Um e o Outro. O Eu procura apoio no Outro para
ter suporte e enfrentar as agruras do cotidiano moderno. Um dia de ausência do
pode ser crucial, é uma eternidade irritante que faz aumentar a angústia do
Outro.
A sociedade contemporânea, baseada no
histórico da indústria cultural e na espetacularização das ações humanas produz
uma vida noveleira, com a premissa de que não possamos perder nenhum capítulo
diário essencial desta narrativa instantânea e superficial.
Nossa dependência drogal, orgânica, física,
mental, virtual obriga a ter as outras pessoas como nossos aliados, nunca como
nossos inimigos ou um Ser a ignorar. Precisamos usar o Vazio do Outro pra
preencher nossas vazios. O Vazio não pode ser visto como nada, o vazio tem
forma, conteúdo, consistência. O vazio é transformação silenciosa é a
possibilidade de tornar visível o que está invisível, de dar forma ao que está
disforme, de levar luz onde há escuridão, de colorir e transformar as cores.
Canibalismo moderno: preciso te comer para
sobreviver! Ou cenas de uma estética moderna: arranco o teu pedaço para
consertar o meu corpo e minha alma despedaçada.
Nossas sensibilidades são florais com
desabrochares cotidianos nos jardins da vida. Nossas neuroses urbanas levam-nos
a um estágio em que a impaciência pelo Nada a fazer do Outro é irritante. Não
nos conformamos com o vazio do Outro, com o tempo do Outro. Queremos por
que queremos também nos apossar do tempo do outro, transformá-lo em nosso.
Nessa teia de intolerância ficamos amarrados
a esta complexidade estranha, de cobranças, de poder, de mando. Ficamos
enlaçados a esta arquitetura do desprazer, da arbitrariedade mundana. Carinho,
afeto, amor são expressões usados no Vazio.
Cada dia mais as relações de
complementaridade, de troca, de diálogo vai se tornando UNA. Não há mais o
retorno, o sistêmico, o DUAL e sim uma relação doentia, vulgar baseada num avia
de mão única.
O Outro carente, dependente suga suas veias
e de todo e qualquer sangue que porventura possa obter. Vampirismo moderno,
pós-moderno, vampirismo do século vinte e um. Outra prática muito comum é não
aceitar que o Outro tenha este momento do isolamento, da clausura. Como pode a
pessoa ficar isolada com tanta coisa acontecendo? Está louca?
Então, ouvir o canto dos pássaros, ouvir o
som do silêncio, ver o cotidiano dos outros animais passa a ser um martírio para
o dependente que não está mais acostumado com o sumiço do outro ou com as
loucuras do outro.
O imediatismo, o individualismo e o
vampirismo pós-moderno pode nos levar a auto destruição. Somos treinados para a
dependência do Outro e não para a Liberdade. Perdemos cada dia mais o respeito
ao outro... e nos respeitando menos, muito menos a cada dia.
Para usar como referência bibliográfica use:
SILVA. G.
O vazio do Outro. Revista Virtual Partes.
<http://www.partes.com.br/colunistas/gilbertosilva/ovazio.asp>.
Acesso em__/__/__. |