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Revista Partes - Ano V - 03/11/2006 14:45:42

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 Gilberto da Silva

Escuta, Zé Povinho!

 

Recebi um texto de uma ex-aluna de jornalismo e indignei-me. O artigo foi publicado numa revista de circulação local no interior da Bahia, em setembro de 2006, intitulado Reféns do Povinho.

Bem, vejamos, como o artigo foi publicado em setembro de 2006, talvez agora com o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, ela esteja ainda mais revoltada. O artigo é uma opinião de uma pessoa, mas bem poderia ser de uma parcela de classe social espalhada por este Brasil e é o retrato momentâneo do nível em que chegamos nestas eleições. É o retrato de uma eleição marcada pela despolitização, pelo arrefecimento dos maisinterioresdesejos, racismos e das idiossincrasias.

Não vou reproduzir o artigo até porque prezo pelos direitos autorais, mas tecerei aqui alguns comentários.  A autora (preservarei seu nome) fala de um Povinho que na Bahia é ignorante (“por causa da ignorância do Povinho e dos políticos incompetentes”) e atribui a eles a crise na agricultura. E em todos os problemas que assolam e prejudicam o país. Ela não leva em consideração que este Povinho sempre foi mantido “ignorante para que pessoas como as que ela defende continuassem e perpetuassem seus poderes exercidos à base da servidão.

Este Povinho, que a Bahia nos mostra em todo a sua amplitude, sempre elegeu seus representantes, diga-se de passagem famosos pela formacarinhosaque sempre trataram seu povo. Agora, destituídos do poder, reclamam. O voto é traiçoeiro....

Enquanto a  “classe média pensa porque estudou, trabalha duro e faz a riqueza deste país”, na opinião da autora, o Povinho, que pela leitura, não pensa, e não estuda por que não quer. E para deixar a classe média doida, vota naqueles políticos que a classe média não deseja. A classe média da autora carrega nas costas o Povinho. É este Povinho que serviu de mão de obra barata para o agronegócios que a autora defende.

faltou a autora defender o fim do direito do voto para os pobres e miseráveis. Simplesmente lamentável.

 

Mais:

  

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Por uma nova agenda política
 

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O menino selvagem e as invariantes do humano
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Gilberto da Silva é professor, jornalista e sociólogo. Editor da Partes.
gilberto@partes.com.br
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