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Recebi um
texto
de uma ex-aluna de jornalismo e indignei-me. O
artigo foi publicado numa revista
de circulação
local no interior da
Bahia, em setembro
de 2006, intitulado Reféns do
Zé
Povinho.
Bem, vejamos,
como
o artigo foi publicado
em
setembro de 2006, talvez
agora com o
resultado
do primeiro turno
das eleições
presidenciais, ela esteja
ainda
mais revoltada. O artigo
é uma opinião de uma pessoa,
mas
bem poderia ser
de uma parcela de classe
social
espalhada por este
Brasil e é o retrato
momentâneo
do nível em
que
chegamos nestas eleições. É o
retrato
de uma eleição marcada
pela
despolitização, pelo
arrefecimento
dos mais “interiores”
desejos, racismos e
das idiossincrasias.
Não
vou reproduzir
o artigo até
porque
prezo pelos direitos
autorais, mas tecerei
aqui
alguns comentários. A
autora (preservarei seu
nome) fala de
um
Zé Povinho que na
Bahia é ignorante (“por
causa da ignorância do Zé
Povinho e dos políticos
incompetentes”) e atribui a eles
a crise
na agricultura. E em
todos
os problemas que
assolam e prejudicam o país.
Ela
só não
leva
em consideração
que
este Zé Povinho
sempre
foi mantido “ignorante”
para que
pessoas como as
que
ela defende continuassem e perpetuassem
seus
poderes exercidos à base
da servidão.
Este
Zé
Povinho, que a Bahia
nos
mostra em todo a sua amplitude,
sempre
elegeu seus representantes, diga-se
de passagem
famosos pela
forma
“carinhosa” que
sempre
trataram seu povo.
Agora, destituídos do poder,
reclamam. O voto
é traiçoeiro....
Enquanto
a “classe média
pensa
porque estudou, trabalha
duro e faz a riqueza deste
país”, na opinião da autora, o Zé
Povinho, que pela
leitura, não
pensa, e não
estuda
por que
não
quer. E para deixar a classe média doida, vota
naqueles políticos que a classe média não deseja. A
classe média
da autora carrega nas costas o
Zé
Povinho. É este Zé
Povinho que serviu de
mão
de obra barata
para
o agronegócios que a autora
defende.
Só
faltou a autora
defender
o
fim
do
direito
do
voto
para
os
pobres
e
miseráveis.
Simplesmente
lamentável. |