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Pedro Coimbra |
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publicado
em 01/05/2008 |
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De tanto
meu pai de santo de plantão, Eduardo Dutra, dizer que estou muito saudosista nos
meus textos, busquei inspiração no fundo do baú. E vamos logo à história, que é
o que nos interessa. No Oriente, vivia um homem muito bom, justo e pobre,
chamado Ali Babá. Certo dia, do alto de uma tamareira ouviu o tropel de cavalos.
Logo avistou quarenta cavaleiros. Pouco depois os homens voltaram com seus
cavalos ruidosos. Na manhã seguinte, Ali Babá ouviu o mesmo barulho da véspera.
Eram os mesmos quarenta cavaleiros. — Chega de folga! Temos de descarregar o que
roubamos hoje.— disse o chefe. “Por Alá! Eles são ladrões!” concluiu Ali Babá.
Chegou ao lugar em que haviam parado e viu o chefe descer do cavalo. Os trinta e
nove ladrões continuavam montados. O chefe gritou: — Abre-te, Sésamo! Uma grande
rocha da pedreira se moveu, abrindo a entrada de uma gruta. Os quarenta ladrões
entraram em fila e, após o último, a caverna se fechou. E Ali Babá esperou até
que ouviu o barulho da pedra se movendo novamente. Os ladrões saíram em fila.
Por último o chefe. E, voltando-se para a grande pedra, falou: — Fecha-te Sésamo!
A pedra rolou novamente, fechando a entrada do esconderijo. Ali Babá esperou e
saiu de trás da árvore...
Estancamos
aqui a narração para que o leitor não perca o suspense de seu desfecho, quando
ler esta maravilhosa história.
“Ali Babá e
os Quarenta Ladrões”, “Aladim e a Lâmpada Maravilhosa”, “Aventura nos Sete Mares
"
e “Simbad” fazem parte de uma coletânea de contos
orientais que constituem a obra clássica As Mil e Uma Noites (Alf Lailah Oua
Lailah), datados do século XII e que maravilhou autores tão diversos como
James Joyce, Edgar Allan Poe, Jorge Luís Borges, Isak Dinensen, Machado de
Assis, Voltaire, Proust e Stevenson.
O enredo é
muito simples: o Califa de Bagdá, traído por sua mulher, manda matá-la e resolve
passar cada noite com uma esposa diferente, que determina seja degolada na manhã
seguinte. Recebendo como mulher a Sherazade, esta iniciou um conto que despertou
o interesse do rei em ouvir-lhe a continuação na noite seguinte. Sherazade, com
este truque nas suas histórias, conseguiu encantar o monarca por mil e uma
noites e foi poupada da morte.
Pesquisando
esta obra me surpreendo em saber que Sherazade aparece em poucas histórias, e
que os tantos contos que ouvíamos na nossa infância, contém um forte apelo
sexual.
Na verdade
aventuras fazem parte do nosso imaginário desde que assumimos a postura ereta, e
nos fascinam, principalmente pelo risco.
Como
naquele dia em que acompanhei o já famoso ator do cinema brasileiro, Paulo César
Pereio, que estava em Belo Horizonte, a convite do pessoal de cinema, numa
excursão etílica pela cidade.
Ele parecia
estar incorporando o tempo todo um personagem debochado e fanfarrão.
Num
barzinho famoso da época, capitaneado por uma badalada pintora, depois de fazer
charme com todas as mulheres que encontrou pela frente, resolveu, sem nenhum
motivo, se engraçar com dois atléticos rapazes, que pelo corte de cabelo militar
e stitude deviam pertencer a alguma guarnição do Exército.
Em pleno
vigor do AI-5, Paulo César Pereio vituperou contra os milicos em geral, xingou
as mães deles e fez todo tipo de histrionismo contra os homens, e se bem me
recordo uma pistola automática apareceu em meio a confusão, sem mais, nem menos.
Ao lado de
Pereio, eu já imaginava qual seria o nosso triste fim de noite, morgue da cidade
e como notícia policial no “ESTADO DE MINAS”.
Apanhando
uma cadeira ele ameaçou os dois oponentes que ele mesmo criara como se fossem
leões no picadeiro de um circo mambembe qualquer. E dizia seu palavrão
predileto sem cessar...
O
anticlímax da história foi que os freqüentadores do local, eternos boêmios,
conseguiram serenar os ânimos, sem o concurso da polícia. Da minha parte, com as
pernas tremendo, coube a ingrata tarefa de retirar o ator daquele local, com
muita dificuldade e levá-lo até o hotel.
Depois
daquela noite nunca mais nos encontramos. Vez por outra assisto seu programa
Sem frescura, no Canal Brasil e por leitura de revistas fico sabendo que
continua cada vez mais rabugento e iracível, em fase descendente na carreira e
pretendendo comandar uma campanha pela implosão do monumento do Cristo Redentor,
no Rio de Janeiro...
Esta foi
uma pequena aventura, com pouca adrenalina e sem o charme das narrativas
mirabolantes de As Mil e Uma Noites, mas que poderia ter terminado
tragicamente e a qual eu não gostaria de repetir...
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