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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 16 de fevereiro de 2008 23:39:35                                               

 
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COLUNISTAS

Bom humor

   

Pedro Coimbra

publicado em 10/02/2008

 

Após um período de descanso forçado, em que todos parecem viajar de forma quase compulsória, Gugu acorda numa manhã de domingo, tremendo vacilão, com a avó atrás do toco, no que pensa ser um estado depressivo eminente.

            Desconhece que uma estrutura do seu cérebro, no sistema límbico, que controla as emoções, o hipotálamo, causa as reações físicas que provocam tal desgaste emocional.

          Eram verdades que “Sá” Maria do Candinho, grande benzedora, já dizia décadas atrás para as pessoas que a procuravam na busca de cura.

O que parecia feitiçaria para a ciência quando se dizia que existia uma vinculação direta entre o humor e a boa saúde hoje é pura verdade.

Gugu resolve pesquisar o assunto e me procura para ajuda-lo.

Descobrimos que a medicina em geral e a psiquiatria, em particular, já estudam a importância do bom humor, dos bons sentimentos e da afetividade sadia na qualidade de vida e na saúde global do ser humano.

Principalmente, na prevenção de doenças e como fator de melhor recuperação de moléstias graves, entre as quais o câncer.

Em outras áreas, como a dos negócios tudo indica que o bom humor é uma qualidade positiva, aproximando as pessoas e criando laços de relacionamento.

A pessoa com bom humor demonstra a  sua comunidade o seu lado mais humano, e serve-se dele como ótima ferramenta naquelas ocasiões em que está sobre um ataque.

De acordo com os entendidos, com bom humor não perdemos o controle da situação, sempre.

São as pessoas que tem mais bom humor que comandam as grandes decisões, empresariais e políticas.

Três dos maiores benefícios do bom humor no nosso organismo são: o hormônio do estresse, que é produzido pelas glândulas suprarenais é reduzido; o riso acelera a recuperação de convalescentes e é eficaz no combate a dor e, o poder do bom humor, de ativar a produção de endorfinas, é tão eficiente quanto a acupuntura, o relaxamento, a meditação, os exercícios físicos e a hipnose.

Existem povos com maior grau de bom humor do que outros?

Na verdade o bom humor está mais ligado a aspectos culturais, do que os de raça.

O brasileiro utiliza muito bem a anedota e a piada para criticar seus problemas e até mesmo seus dirigentes. Uma forma de catarse...

Por falar em dirigentes, ditadores como Getúlio Vargas e democratas como JK aceitavam as piadas que deles faziam nos então teatros de revistas, como forma de popularização de suas imagens.

Três brasileiros se notabilizaram pelo bom humor profissionalizado: o gaúcho Barão de Itararé, Apparício Torelly, Henfil e Péricles, o criador do “Amigo da Onça”. O primeiro morreu de uma enfermidade normal. O segundo, hemofílico, foi contaminado com AIDS numa transfusão de sangue e o terceiro suicidou.

O bom humor pode ser apenas uma máscara. Editei por alguns anos, em Lavras, o Jornal da Rua, apoiado no humor escrachado. Até hoje as pessoas me cercam na rua pensando ouvir uma boa piada. E eu nem mesmo sei contar piadas...

Mas a vida é cheia de controvérsias, Gugu.Terminei de ler um depoimento de um dos amigos mais bem humorados que conheci, o Hélio Marcos Valadão, dono da “Pão & Companhia”, um dos grandes especialistas em franquia no Brasil, que se considerava curado de um câncer abdominal. Pouco tempo depois a doença retornou e ele morreu...

Mas o melhor lance de bom humor ouvi de meu tio Célio, que deixou de ser alfaiate na então pequena cidade de Nepomuceno, para um trabalho incessante em São Paulo, costurando paletós.

Ele dizia que não acompanhava enterros porque cemitério era um lugar onde a gente devia ir uma só vez...

Bom humor ou humor negro?

 

 



 

 

 

  

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