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Após um período de descanso forçado, em que
todos parecem viajar de forma quase compulsória, Gugu acorda numa manhã de
domingo, tremendo vacilão, com a avó atrás do toco, no que pensa ser um
estado depressivo eminente.
Desconhece que uma estrutura do
seu cérebro, no sistema límbico, que controla as emoções, o hipotálamo,
causa as reações físicas que provocam tal desgaste emocional.
Eram verdades que “Sá” Maria do Candinho, grande benzedora,
já dizia décadas atrás para as pessoas que a procuravam na busca de cura.
O que
parecia feitiçaria para a ciência quando se dizia que existia uma vinculação
direta entre o humor e a boa saúde hoje é pura verdade.
Gugu
resolve pesquisar o assunto e me procura para ajuda-lo.
Descobrimos que a medicina em geral e a psiquiatria, em particular, já
estudam a importância do bom humor, dos bons sentimentos e da afetividade
sadia na qualidade de vida e na saúde global do ser humano.
Principalmente, na prevenção de doenças e como fator de melhor recuperação
de moléstias graves, entre as quais o câncer.
Em outras áreas, como a dos negócios tudo indica que o bom
humor é uma qualidade positiva, aproximando as pessoas e criando laços de
relacionamento.
A pessoa com bom humor demonstra a sua comunidade o seu lado
mais humano, e serve-se dele como ótima ferramenta naquelas ocasiões em que
está sobre um ataque.
De acordo com os entendidos, com bom humor não perdemos o
controle da situação, sempre.
São as
pessoas que tem mais bom humor que comandam as grandes decisões,
empresariais e políticas.
Três
dos maiores benefícios do bom humor no nosso organismo são: o hormônio do
estresse, que é produzido pelas glândulas suprarenais é reduzido; o riso
acelera a recuperação de convalescentes e é eficaz no combate a dor e, o
poder do bom humor, de ativar a produção de endorfinas, é tão eficiente
quanto a acupuntura, o relaxamento, a meditação, os exercícios físicos e a
hipnose.
Existem
povos com maior grau de bom humor do que outros?
Na
verdade o bom humor está mais ligado a aspectos culturais, do que os de
raça.
O
brasileiro utiliza muito bem a anedota e a piada para criticar seus
problemas e até mesmo seus dirigentes. Uma forma de catarse...
Por
falar em dirigentes, ditadores como Getúlio Vargas e democratas como JK
aceitavam as piadas que deles faziam nos então teatros de revistas, como
forma de popularização de suas imagens.
Três
brasileiros se notabilizaram pelo bom humor profissionalizado: o gaúcho
Barão de Itararé, Apparício Torelly, Henfil e Péricles, o criador do “Amigo
da Onça”. O primeiro morreu de uma enfermidade normal. O segundo,
hemofílico, foi contaminado com AIDS numa transfusão de sangue e o terceiro
suicidou.
O bom
humor pode ser apenas uma máscara. Editei por alguns anos, em Lavras, o
Jornal da Rua, apoiado no humor escrachado. Até hoje as pessoas me
cercam na rua pensando ouvir uma boa piada. E eu nem mesmo sei contar
piadas...
Mas a
vida é cheia de controvérsias, Gugu.Terminei de ler um depoimento de um dos
amigos mais bem humorados que conheci, o Hélio Marcos Valadão, dono da “Pão
& Companhia”, um dos grandes especialistas em franquia no Brasil, que se
considerava curado de um câncer abdominal. Pouco tempo depois a doença
retornou e ele morreu...
Mas o
melhor lance de bom humor ouvi de meu tio Célio, que deixou de ser alfaiate
na então pequena cidade de Nepomuceno, para um trabalho incessante em São
Paulo, costurando paletós.
Ele
dizia que não acompanhava enterros porque cemitério era um lugar onde a
gente devia ir uma só vez...
Bom
humor ou humor negro?
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