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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 20:34:26                                               

 
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COLUNISTAS

Brilham mais que as estrelas

   

Pedro Coimbra

publicado em 15/01/2009

             Oriosvaldo devia ter menos de cinco anos quando percebeu um facho de luz muito luminoso entrar pela janela do quarto e lhe dar um forte puxão nos cabelos.

            Chorou alto e forte e sua mãe, Estela, achou que fosse mais uma manha daquele seu menino loirinho.

            Andava pelos cantos da casa e no meio das bananeiras, conversando sem parar com amigos invisíveis, num diálogo sem fim.

            Seu pai Eustáquio dizia que ele não devia bater bem da cabeça e que não adiantava levá-lo em todas as missas, centro espíritas e benzedoras da região.

            Foi crescendo assim, franzino e o que mais gostava era de sentar-se na varanda pobrezinha da sua casa e ficar olhando até alta madrugada as estrelas no céu.

            Com esforço da mãe acabou formando-se no Curso Normal e tornou-se professor de Ciências.

            Sua mãe dizia que o horóscopo da sua data de nascimento não errava. Era de verdade um aquariano, um sonhador.

            A pequena comunidade da Serra, onde morava, estranhava  que não desse atenção para as moças e não pensasse em namorar.

            Com o primeiro pequeno salário de professor, Oriosvaldo foi até a banca de revistas da Matriz e comprou o que foi possível sobre ufo´s , ovni´s e discos voadores.

            Fazia isto sempre que tinha algum dinheiro e logo passou a ter uma grande coleção sobre o assunto.

            Quando seu pai morreu, ficou sentando toda a noite vendo e escutando as estrelas que brilhavam sem cessar.

            Dia seguinte disse para sua mãe, Estela, que iam vender o pequeno sítio e comprar uma outra propriedade.

            Quando ela lhe perguntou onde seria, ele respondeu que num lugar indicado por seus amigos de outra dimensão, onde eles brilham mais que as estrelas.

            Com a concordância da mãe saiu procurando o tal lugar, até encontrar um pequeno sítio chamado “Paraíso”, onde se encontrava uma grande pedra retangular, que os moradores diziam ser o túmulo de um cavaleiro que veio dos céus.

            Ariosvaldo abandonou suas roupas comuns e passou a utilizar túnicas brancas.

            Não comia proteínas animais e sentava-se na “Pedra do Cavaleiro” meditando e olhando o Infinito por dias intermináveis.

            Aos pouquinhos adeptos foram se juntando a ele, criando uma pequena comunidade.

            Entoavam mantras sagrados, mas nunca conseguiram confirmar o avistamento de um extraterrestre.

            A freqüência cresceu muito no local e depois, repentinamente, diminuiu.

            Aos que perguntavam o que acontecera, respondiam meio envergonhados que nunca conseguiram ver naves ou seres de outros planetas.

            Estela manteve-se ao lado do filho, providenciando a água de mina e os poucos vegetais que ele ingeria.

            Vez ou outra perguntava a ele, nas noites frias, se vira alguma coisa.

            Ele respondia que sim. E dizia que brilham mais que as estrelas.

            Quanto mais acreditava nisso mais perdia existência corpórea.

            Deixou este mundo numa manhã muito quente de verão.

            Com muito esforço Estela enterrou aquele corpo mirrado, ao lado da “Pedra do Cavaleiro”.

            Nunca mais foi vista naquelas paragens.

            Aqueles que outrora foram seguidores de Oriosvaldo propagaram a lenda de que eles haviam sido abduzidos pela Nave Mãe...

 

           

 
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