|
Quem me conhece bem sabe que sempre fui apaixonado
pela imagem. Na fotografia ou no cinema. Prova disso são as fotos da família,
como as que vi recentemente no sítio do meu cunhado Reginaldo. Ou o testemunho
do meu amigo Luiz Carlos Frizo, que participou junto comigo da reorganização do
clube de fotografia de Poços de Caldas.
Mas neste mundo digitalizado em que
vivemos aposentei minha Nikon convencional e adotei uma Sony que preenche minhas
necessidades.
A imagem no nosso texto
de hoje vem a ser a representação do conceito
que uma pessoa goza junto a outrem. O que tem a ver essencialmente com o
marketing pessoal.
O pessoal do
entretenimento brasileiro tem se esforçado para ultrapassar os feitos dos
artistas de Hollywood na década de 50. Tornam-se conhecidos, quase todos, pelo
escândalo e não pelo mérito artístico.
Mas nem sempre foi
assim. Naquele ano de 1968, que Zuenir Ventura diz não ter acabado fui convidado
para uma reunião na Associação Comercial de Minas Gerais, em Belo Horizonte.
Presentes todos os cineastas mineiros e Cássio França, que seria o grande
incentivador do cinema novo em Minas Gerais. E mais o ator Paulo José e a atriz
Dina Sfat.
No mesmo dia fui a uma
festa em que o celebrado casal estava presente.
Dina Sfat tinha uma
beleza diferente e assim como o companheiro era muito articulada. Trajando um
vestido longo, preto, com um grande decote em “vê” ela fez muito sucesso,
passando de uma rodinha a outra e atendendo a todos com muita simpatia. No final
da festinha ficou estabelecido que Cássio França providenciaria um veículo para
levá-los no dia seguinte para visitar Ouro Preto.
Dina Sfat nasceu em São Paulo. Era uma atriz que
adorava desafios, exercendo sua arte de maneira visceral. Foi um dos poucos
artistas a assumir as reivindicações nacionais contra a injustiça e a opressão
durante o período da ditadura. Estreou profissionalmente no
Teatro de Arena, em Os Fuzis da Senhora
Carrar, em 1962. Participou dos elencos de O Melhor Juiz, o Rei,
(1963); Tartufo, (1964);
Arena Conta Zumbi (1965). Em
1967, participa de
Arena Conta Tiradentes. Substitui
Ítala Nandi no papel de Heloisa de Lesbos
de
O Rei da Vela, num espetáculo que tive
o prazer de assistir.
Filma Corpos
Ardentes; Macunaíma (1969). Trabalha em Dorotéia Vai
à Guerra (1973); A Mandrágora
(1975); O Santo Inquérito (1976); Seis Personagens à Procura de um
Autor (1977); Murro em Ponta de Faca (1979); As Criadas
(1981), e Hedda Gabler (1982). Seu último trabalho é Irresistível
Aventura (1984).
Na televisão,
protagoniza várias novelas de sucesso. Selva de Pedra (1972); Os Ossos
do Barão (1973); Saramandaia (1976); O Astro (1977); Bebê a
Bordo (1988); além das minisséries Avenida Paulista (1982), e Rabo
de Saia (1984).
Participa dos filmes
Jardim de Guerra (1970); Tati, a Garota (1973); Álbum de Família e
Eros, o Deus do Amor (1981); Das Tripas Coração, Tensão no Rio
e O Homem do Pau Brasil (1982).
Um programa de televisão que fez um grande sucesso
na época foi com o comandante do 2.º Exército de São Paulo, o general Dilermando
Monteiro, e que uma das entrevistadoras era Dina Sfat, que ao fazer a pergunta,
dizia: “Eu tenho medo de general.”
Pouco antes de morrer, no Rio de Janeiro,
em 1989, vitimada pelo câncer, aos 51 anos, lança uma autobiografia, Dina
Sfat - Palmas pra que Te Quero.
Dina Sfat, Cacilda Baker, Bibi Ferreira,
dentre outras atrizes brasileiras são exceções que nunca precisaram de revistas
de fofocas para se firmar na área artística, como tantas outras por aí na
atualidade... |