.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - 09/03/2006 12:54:16 

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Só Festa
Pedro Coimbra

Desde os tempos  imemoriais, homems e mulheres, se dedicavam a grandes festas.Em Roma a escravidão gerou muito desemprego na zona rural, pois muitos camponeses perderam seus empregos. Esta horda de desempregados migrou para as cidades romanas em busca de empregos e melhores condições de vida. Receoso de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador criou a política do Pão e Circo. Esta consistia em oferecer aos romanos, alimentação e diversão. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios ( o mais famoso foi o Coliseu de Roma ), onde eram distribuídos alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revolta.

Os Faraós mandavam suas Princesas, suas filhas, para bordéis, afim de arrecadar numerário para construção da pirâmides.

 

E o Brasil Colônia? Segundo Ronaldo Vainfas, em Moralidades Brasílicas: “Vizinhança de parede-meia na cidade, casas devassadas no meio rural, promiscuidade, assim  transcorria o dia-a-dia da Colônia, ao que se deve acrescentar a escassez da população e a baixa densidade demográfica dos povoados e vilas. Afinal,mesmo na povoada capitania de Minas Gerais do século XVIII, a população mal chegava a 320 mil indivíduos, 1776, enquanto Vila Rica, a inícios do século XIX, contava com apenas 8864 moradores. As condições histórico-sociais do ‘viver em colônias’(Vilhela) conspirava, pois, contra a ocorrência de qualquer privacidade no Brasil dos primeiros séculos, a confirmar as palavras do ‘Boca do Inferno’, o baiano Gregório de Matos:

Em cada porta um frequentado olheiro

Que a vida do vizinho e da vizinha

Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha

Para levar à Praça, e ao Terreiro.

Mas sexualidade, licenciosidade, fornicação, não é próprio dos mancebos.

No Arquivo Nacional e a História Luso-Brasileira, no que tange a Vida Privada fala-se de um Crime de Adultério.

É uma carta do conselheiro corregedor do Crime da Corte e Casa ao príncipe regente d. João sobre a prisão de Ana Rosa. A prisão foi feita a pedido de seu marido, ocorrendo em uma casa da cidade, na presença de um homem. Presa em flagrante, a mulher confessou seu adultério, pedindo perdão ao cônjuge. Crime considerado de grave condenação a época, o adultério implicava em danos morais à família e ao Estado.

            A suplicante Ana Rosa fugiu da companhia do marido trazendo consigo uma escrava, e roupas, e foi presa com o adultéro em uma casa desta cidade, e os oficiais o acharam quase despido, tendo só vestido uma camisa de mulher, e ela se lançou ao marido, e confessando o delito, queria que lhe perdoasse.Ele contudo a fez prender, e prossegue na acusação.

            Depois veio o entrudo, que acabou transformando-se na Marchinha, depois no  Carnaval, numa verdadeira orgia das Madrinhas de Bateria...

            Ao corpo material, só festa....   

 

 

  Cartas & cartas
                                    publicado em 29/07/2006
  

Mais:

Pedro Coimbra Pádua é natural de Lavras, 56 anos, aposentado de Furnas Centrais Elétricas, jornalista e escritor. Fez cinema novo em Minas Gerais e foi crítico de O Estado de Minas. Autor do romance “Sonhos da Noite” e segundo colocado no Iº Concurso de Contos Pena Aymoré., prepara-se para editar a coletânea de uma poesia e alguns textos publicados na imprensa, no livro “Navio Pirata”
ppadua@navinet.com.br

 



 

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