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Todos
os domingos da minha infância, em Governador Valadares, eram marcados pela
rotina de assistir os desenhos animados do Tom & Jerry, de
William Hanna e Joseph Barbera, na matinê
e chegar em casa a tempo de comer a macarronada especial, salpicada com um
gostoso queijo parmesão ralado, que minha mãe preparava com todo o carinho.
Na correria
infindável do gato e do rato, torcia sempre para o sucesso do vilão, o gato.
Durante a
semana, fazia os deveres da escola e junto com os meninos do Morro do
Carapina montávamos com uma caixa de sapatos e tiras de quadrinhos cortados
de revistas em quadrinhos, um cineminha de araque.
A lembrança do
primeiro romance que li, antes mesmo dos livros de Monteiro Lobato: Moby
Dick, de Herman Melville. A história de
um velho lobo do mar cego e um terrível e assustador monstro
marinho, uma grande baleia branca. E eles tem um encontro marcado, desde as
primeiras linhas. O capitão Ahab, o selvagem Queequeg, o marujo Ismael e a
traiçoeira baleia branca Moby Dick são protagonistas desta história de
suspense e aventura.
Pouco a pouco surgia o
imaginário criado por ela, a
imaginação, e que só nela tem existência.
O
cinema e a literatura marcaram toda minha vida e a imaginação foi o suporte
do meu cotidiano cavalgando espaços insondáveis, a procura sempre de novos
caminhos.
Era a
imaginação capaz de criar imagens em torno de determinado fato, idéia ou
conceito. E por isso me sentia muito feliz!
Tínhamos, sem saber, um talento, um dom, que podia ser desenvolvido com o
constante exercício.
Demorei a descobrir que quem usa a sua imaginação está mais preparado para
descortinar os mundos novos que existem no horizonte.
Padeci
muito até concluir que precisamos do exercício da imaginação, para melhorar
em todos os sentidos.
Hoje a ciência
se debruça sobre o estudo do cérebro e descobre de uma forma prática o que
entendíamos intuitivamente.
O tal de
hipocampo é
importante para sediar as novas memórias e os vôos da imaginação.
Cresce a
importância da imaginação, que deixa de ser apenas
uma
faculdade de
representar
objetos pelo
pensamento.
Albert Einstein
afirmava: "A imaginação é mais importante que a ciência, porque a ciência é
limitada, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro."
A imaginação, no
cinema, minha grande paixão, inicia-se na sua própria forma de criar as
imagens, no sistema de editoração e na exibição que exige um processo de
intimidade com o espectador.
Não por
acaso um dos precursores do cinema é
George Méliès,
um ilusionista francês. Seus fantásticos filmes eram baseados em contos de
fadas, contos populares e as sagas de ficção científica de Júlio Verne com
trucagens muito simples, mas capazes de ativar a imaginação do espectador.
O que dizer do roteiro
que coloca sinais próprios ao surgimento do processo imaginativo que é por
eles deflagrado?
Sigmund Freud, que influenciou todo o pensamento ocidental, iniciou o estudo
do sonho e a da imaginação, que passaram a ser interpretados com método e
disciplina.
Um conselho para você, leitor: toda vez que a vida lhe parecer áspera,
rodeada de inúmeros problemas, entregue-se ao exercício da sua imaginação... |