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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 01 de setembro de 2008 21:26:23                                               

 
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COLUNISTAS

Sua Vida

   

Pedro Coimbra

publicado em 01/09/2008

 

O exercício da leitura, para mim, mais do que uma necessidade, transformou-se em mania.

            Daquelas que nos fazem ter atitudes inexplicáveis, como transformar o banheiro em sala de leitura.

            Li de tudo que me passou pelas mãos, desde romances prazerosos até insípidos manuais técnicos.

            Toneladas de revistinhas em quadrinhos, que muitos pensam ser uma coisa infantil, mas são muito influentes na cultura atual.

            Gosto de ler também biografias, apesar de não ser fanático pelo gênero.

            Mas devorei três delas; a de Chalie Chaplin, a de Winston Churchill e a de Samuel Rhea Gammon.

            O primeiro, um grande ator e diretor de cinema que hoje seria considerado um multimídia. O outro, um estadista, que levou a Inglaterra a resistir aos nazistas e sair vitoriosa. Logo aviso a todos que nenhuma das duas obras não é uma leitura fácil e em muitos momentos pensei mesmo em desistir.

            A outra, “Assim brilha a luz”, de autoria de Clara Gammon, conta a vida de um missionário, Samuel Rhea Gammon, responsável pelo Instituto Gammon, em Lavras, onde estudei, meu pai, Renato Aquino Pádua, foi professor e meu tio, Roberto Coimbra, professor e diretor. Meus filhos, Rodrigo e Ricardo, também lá estudaram.

            O colégio completou agora 139 anos de fundação, o que não é fácil num país onde todas as coisas são tão efêmeras.

Samuel Rhea Gammon, filho de Audley Anderson Gammon e Mary Faris Gammon, nasceu aos 30 de março de 1865, em Bristol, estado da Virginia, Estados Unidos da América do Norte.

Formou-se em Teologia em 1889. Após decidir-se por sua vinda para o Brasil, como Missionário, a Segunda Igreja Presbiteriana de Alexandria, no mesmo estado, responsabilizou-se por seu sustento. Embarcou para o Brasil aos 23 de novembro de 1889 no navio "Advance", que fazia a viagem em 33 dias. Chegou ao Rio de Janeiro na manhã de Natal de 1889 e dali foi para Santos, de onde, de trem, chegou a Campinas, SP, sede do campo missionário ao qual se destinava, em 27 de dezembro. Seu primeiro trabalho, delegado pela Missão, foi a direção do Colégio Internacional.

Em setembro de 1892 foi aos Estados Unidos tratar da mudança do Colégio para Lavras, MG, retornando em junho do ano seguinte. Em 8 de julho de 1893 chegou a Lavras para reassumir a direção do Colégio.

Aos quatro de julho de 1928, o Rev. Samuel Rhea Gammon morreu, à bordo de um carro especial da Central do Brasil, no desvio de Barra Mansa a caminho de Lavras.

Até aí a história da vida deste grande homem, capaz de abrir mão de sua cidadania para erguer uma grande obra numa região sem nenhum progresso.

O que move estes homens capazes de modificar o curso de suas vidas para melhorar o que chamamos de civilização?

De Charlie Chaplin, um menino abandonado, diziam ter um “ego” maior do que o mundo. Recordo-me que páginas e mais páginas de sua biografia são dedicadas as honrarias que recebeu de dignatários, os reis e rainhas da sua época.

Churchill, segundo os historiadores e pesquisadores, sofria de um distúrbio bipolar, que o levava da euforia a uma grande depressão. Mas era uma nobre inglês, que fumava longos charutos, bebia uísque, gostava de companhia femininas e liderava os ingleses.

Do que sabemos de Samuel Rhea Gammon, era um homem muito temente a Deus, simples, mas firme em suas decisões. Diria que tinha um caráter humanista, pois mandou escrever no velho prédio do Ginásio, “Dedicado a Glória de Deus e ao Progresso Humano”.

Todas as biografias tem um sério defeito: ou enaltecem o caráter do protagonista, ou mais modernamente, saem a procura de seus deslizes. O que todos nós, como humanos, temos aos montões.

Não sou um grande homem, nem tenho uma grande obra.

Certamente se alguém se propusesse a escrever sobre minha vida, não conseguiria mais do que umas poucas laudas.

Mas gostaria de deixar registrado que meu grande pecado foi minha paixão pela tal de criatividade.

A inventividade e talento, não são facilmente entendidos por nossos companheiros de existência e nós que os temos vivemos uma certa marginalidade.

Se lograrmos sucesso somos alvos dos holofotes. Caso contrário, simplesmente nos esquecem.

Esqueça estes livros de histórias fantástica que são as biografias.

Afinal de contas, sua vida, minha vida, é para ser vivida, com erros e acertos, em todos os momentos...

  

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