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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 14 de fevereiro de 2009 17:50:52                                               

 
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COLUNISTAS

Triste polêmica

   

Pedro Coimbra

publicado em 14/02/2009

         Todos nós, brasileiros, gostamos muito de polemizar, ou seja, de tratar de controvérsias nos mais variados assuntos.

            A maior parte deles fúteis, como opinar qual jogador de futebol é o melhor ou qual a musa mais maravilhosa do carnaval.

  Mas, na atualidade um assunto tomou conta da mídia e das rodinhas de botequins.

  Trata-se da eutanásia, ou seja, o ato de proporcionar morte sem sofrimento a um doente atingido por afecção incurável que produz dores intoleráveis.

Este é um tema recorrente e que voltou a baila no momento em razão do drama vivido pela italiana Eluana Englaro, em coma há 17 anos. Eluana está internada desde 2 de fevereiro na clínica La Quiete, em Udine, no nordeste da Itália, sob os cuidados de uma equipe de voluntários dispostos a suspender progressivamente a alimentação até sua morte, como autorizou a Justiça italiana após dez anos de batalha judicial.

Hoje tal situação não é mais tratada apenas pela ótica filosófica ou religiosa, existindo mesmo a Bioética, que é considerada como sendo a Ética Aplicada às questões da saúde e da pesquisa em seres humanos.

A Bioética aborda estes novos problemas, como é o caso da eutanásia, de forma original, secular, interdisciplinar, contemporânea, global e sistemática. Desta forma, estimula novos patamares de discussão e de reflexão, que podem possibilitar soluções adequadas.

Não é a primeira vez que isto ocorre debaixo dos olhares universais.

Este foi um outro fato de grande repercussão. Karen Ann Quinlan, tinha 22 anos de idade. Em 15 de abril de 1975/entrou na emergência do Newton Memorial Hospital, de New Jersey/EEUU, em estado de coma, de etiologia nunca esclarecida. Dez dias após, foi transferida para o Hospital St. Clair de New Jersey. Os pais adotivos, Joseph e Julia Quinlan, tendo as informações da irreversibilidade do caso e após conversarem com seu pároco, Padre. Trapasso, solicitaram, em 1º de janeiro de 1975, a retirada do respirador. O Dr. Morse, que era o médico assistente, após ter concordado com a solicitação no primeiro momento, se negou, no dia seguinte, alegando problemas morais e profissionais.

A família foi à justiça solicitar a autorização para suspender todas as medidas extraordinárias, alegando que a paciente havia manifestado, anteriormente, que não gostaria de ficar viva, mantida por aparelhos. O juiz Juiz Muir, responsável pelo caso, em 10 de novembro de 1975, não autorizou a retirada dos aparelhos. O juiz baseou a sua negativa no fato da paciente ter dado esta declaração fora do contexto real, ora vigente.               Apelaram para a Suprema Corte de New Jersey, que designou o Comitê de Ética do Hospital St. Clair como responsável para estabelecer o prognóstico da paciente e assegurar que a mesma nunca seria capaz de retornar a um "estado cognitivo sapiente".      O Comitê não existia, até então. O juíz presumiu, erradamente, que a maioria dos hospitais americanos possuiam comitês de ética. O Comitê foi criado e deu parecer de irreversibilidade.

Em 31 de março de 1976, a Suprema Corte de New Jersey concedeu, por sete votos a zero, o direito da família em solicitar o desligamento dos equipamentos de suporte extraordinários. Após isto, a paciente sobreviveu mais nove anos, sem o uso de respirador e sem qualquer melhora no seu estado neurológico.

Os dois casos são exemplares para a discussão do assunto.

A grande dúvida que se coloca é do Estado poder interferir num bem individual, como é Vida.

 

Morre a italiana que estava em estado vegetativo há 17 anos

A italiana Eluana Englaro, de 38 anos, morreu nesta segunda-feira(9), às 20h10 locais (17h10 de Brasília), após 17 anos em estado vegetativo e um longa briga na Justiça para que permitissem sua eutanásia, informaram fontes locais.

 

Giuseppe Englaro, pai da italiana em coma desde 1992, disse ao jornal chileno La Nación que "não fizemos nada além de dar voz a Eluana", ao explicar sua decisão de deixar a filha morrer.

 

 
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