spacer

 

ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 15 de dezembro de 2007 19:49:46                                               

 
  Principal
 Agenda
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Cultura
 Crônicas
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Humor
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Mirim
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 Memória Sindical
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Agenda
.
Leia na Revista Partes
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COLUNISTAS

Tudo

   

Pedro Coimbra

publicado em 01/12/2007

 

O feriado prolongado começou prazeroso trazendo a notícia da chegada do meu filho querido Rodrigo, da Mary e da netinha Julia que não víamos há um bom tempo.

            Na antevéspera de Finados, no Espaguetão, a rapaziada se atirava literalmente a compra de ingressos para uma grande festa, denominada “Bebendo o morto” ou coisa semelhante.

            Outros tempos. Tudo mudado. Tudo.

            Como de costume não visitei os túmulos de meus ancestrais que guardo sempre na lembrança.

            O calor fora do normal e a onda de pernilongos irritantes nos fragilizam, insones.

            No meio da tarde recebo a notícia que Carlos Renato de Souza, o Nanato, meu primo, um ano mais novo que eu, morrera subitamente.

            Deixou-nos um dos personagens das minhas estórias, sem delongas e sofrimento para o qual não estaria talhado, pois a seu modo era um apaixonado pela agitação da vida.

            Com sua saída de cena junta-se a minha prima Hanah que já se foi e restam Rutênio, Érbio e eu, da turminha de primos que se divertia na infância na esfuziante horta da casa de tio Tullio, entre mangueiras e jabuticabeiras...

            Nunca mais saberemos também até que ponto era verdade o seu depoimento a revista “O Cruzeiro”, na década de 60, sobre um objeto não identificado avistado por ele e outros companheiros atiradores nas terras lavrenses...

            No mesmo final de semana um jato executivo desaba sobre a casa de famílias que preparavam-se para o almoço, em São Paulo, desavisadamente.

            E o rosto mumificado de Tutancâmon, o rei do Egito que morreu com dezenove anos, é pela primeira vez exposto publicamente.

            Eu, que gosto de estudar diariamente a imortalidade do espírito, e que já passei pela experiência da quase-morte, me entrego ao pânico diante da existência desta presença nefasta que é a Morte.

            E por entre o odor da citronela desprendido de uma vela no castiçal sobre o criado-mudo, no quarto de janelas fechadas, do calor impróprio para o horário e do burburinho do aparelho de televisão, sinto-me mal.

            Seria momento de se lembrar do poeta Cruz e Souza?

            “A música da Morte, a nebulosa, /
estranha, imensa música sombria, /
passa a tremer pela minh'alma e fria /
gela, fica a tremer, maravilhosa...”

            Escrever sobre a Morte é agradável apenas como um exercício de estilo.

            Temê-la já e coisa diferente.

            Como o pavor que senti recentemente ao fazer um curto vôo de Belo Horizonte a Porto Seguro. Fui dormindo e no dia do retorno me vi abruptamente colocado ao lado de um televisor, rezando junto com um destes pastores eletrônicos que povoam as madrugadas de domingo, paralisado.

            Mas como não temer o pior com tantos desastres aéreos e rodoviários, a bruxa a solta, como diziam os mais velhos?

            Medito se conseguirei atingir os oitenta anos bem vividos como meu pai e minha mãe.

            Ou serei mais um Tutancâmon, esperando renascer em outra existência, e que teria medo e desprezo do que lhe restou do magnífico aspecto material da realeza...

            Bom mesmo seria se conseguíssemos desligar o nosso cérebro tão ativo, que nos difere do restante da criação e passar ao largo desta experiência avassaladora.

            Afinal de contas a vida está aí é para ser vivida, com todos os problemas e incidentes que criamos.

            É preciso que acreditemos no futuro, seja qual for ele.

            E saber sempre que o grande mistério da vida é a morte...

            Neste momento talvez o que disse Guimarães Rosa seja mais importante do que os versos do poeta simbolista:

“As pessoas não morrem, ficam encantadas”.

            É o que almejamos...

 

 
  

spacer
::sobre o autor::

Pedro Coimbra

::contato com o autor::

Fale com o autor clicando aqui.

 
::anuncie::

Saiba como anunciar no site clicando aqui.

 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 
 

::outros textos::

Café da Manhã
publicado em 21/09/2007

Sabor
publicado em 08/08/2007

Imagem
publicado em 28/08/2007

Bem-estar
publicado em 01/08/2007

Só Festa
publicado em 13/03/2007

Amor
publicado em 28/02/2007

Retornando
publicado em 18/02/2007
 

Lindas Canções
publicado em 27/04/2007

Lindas Canções
publicado em 27/04/2007
 

Ondas
publicado em 09/05/2007
 

Bem-estar
publicado em 01/08/2007

Um dia
publicado em 11/09/2007

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2007
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer