Meus filhos estão
crescendo. Pode parecer uma observação estúpida de tão
óbvia, mas é um fato que a gente só percebe quando uma data
feito o Dia dos Pais se avizinha.
Gabriel vai completar 13 anos em
setembro próximo. Portanto, fará jus a ser qualificado como
um autêntico teenager, ou simplesmente, "teen. Imagine que
poucos meses atrás descobri que ele estava namorando. Sim,
descobri, porque ao acessar o Orkut vislumbrei suas novas
fotos e a mudança de seu cadastro para namorando. Telefonei
para dar-lhe os parabéns e ele jurou que iria me contar.
Ótimo, embora a notícia já fosse pública para o mundo
inteiro!
Matheus fez 11 anos recentemente.
Como a diferença de idade entre eles é pequena, são grandes
parceiros, seja para brincar e confidenciar, seja para
discutir e guerrear. Por ser o caçula, é naturalmente
vinculado ao irmão a quem segue na maioria das iniciativas.
O negócio deles é o mundo
eletrônico. Se deixar, desintegram-se na frente do
computador ou videogame. Ou derretem os tímpanos ouvindo
coisas que chamam de música no iPod. Compreensível, para uma
geração multitarefa e midiática que nasceu com chips
implantados pelo corpo.
Mas há um detalhe que tem
sobrevivido aos anos. Embora as pernas estejam crescendo, e
a ingenuidade se despedindo, eles ainda me tratam por
"papai". Ah... que melodia agradável é ouvi-los me chamando
assim! Parece que o tempo congela, que eles ainda usam
chupetas e eu ainda não conheço o que é calvície.
Quando estão mais agitados, eles
dizem papaiê. Como que cantarolando, perguntam "Papaiê posso
isso?" ou "Papaiê vamos fazer aquilo?" Então, apresso-me a
lhes responder, saboreando o momento, porque meu grande
receio é pela chegada quase inevitável do dia em que dirão
apenas"pai. Nesta ocasião, saberei que mais uma fase da vida
foi transposta e me restará apenas aguardar que outro filho
venha para me encantar novamente com papai, ou que surjam
netos a pronunciar vovô.
É por isso que invejo os nordestinos
de algumas localidades que tratam pai e mãe por painho"e
mainha"respectivamente. Eles garantem aos genitores a
possibilidade ímpar de viajar recorrentemente por um túnel
do tempo, bebendo nas glórias do passado, revivendo
alegrias, renovando emoções.
No próximo domingo, três gerações
estarão à mesa. A de meus filhos, que já estão deixando de
acreditar em Papai Noel; eu, que há muito defenestrei este
mito; e meu pai, cujos cabelos brancos já lhe conferem
autoridade para bancar o bom velhinho. De meus filhos,
espero ouvir o mesmo que direi a meu pai: Amo você, papai!
* Tom Coelho, com formação em
Publicidade pela ESPM, Economia pela USP, especialização em
Marketing pela Madia Marketing School e Qualidade de Vida no
Trabalho pela USP, e mestrando em Gestão Integrada em Saúde
do Trabalho e Meio Ambiente pelo Senac, é consultor,
professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da
Lyrix Desenvolvimento Humano, Diretor Estadual do NJE/Ciesp
e VP de Negócios da AAPSA. Contatos pelo e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br.
Visite: www.tomcoelho.com.br.