O trânsito atualmente não é apenas uma questão de
infra-estrutura viária. É um assunto de cunho econômico,
ambiental e de saúde pública. Acompanhe algumas sugestões e
envolva-se neste debate.
“O
caos foi uma lei da natureza,
a
ordem foi um sonho do homem.”
(Henry Brooks Adams)
Apenas em São Paulo, são 800 novos
emplacamentos diários, uma frota com mais de 6 milhões de veículos
(que atinge 10 milhões quando considerados veículos em trânsito e
emplacados em outros Estados e municípios limítrofes) e velocidade
média em trajeto da ordem de 25 km/h.
O êxito da indústria automobilística
brasileira, que vive um de seus melhores momentos com produção e
demanda em alta, legou-nos como efeito colateral um problema que vem
sendo negligenciado pela gestão pública há anos.
O trânsito atualmente não é apenas uma
questão de infra-estrutura viária. É um assunto de cunho econômico,
ambiental e de saúde pública.
Economicamente há perda de divisas
através da elevação do consumo de combustíveis, posto que o
rendimento dos motores é afetado em baixas velocidades, além de
maior desgaste do sistema de freios e dos pneus. Tempo de
deslocamento e prejuízos operacionais comprometem nossa
competitividade.
Ambientalmente as emissões de monóxido
de carbono e ozônio têm comprometido sobremaneira a qualidade do ar.
Segundo a Cetesb, em 2007 houve 67 dias com qualidade inadequada do
ar em pelo menos um dos 24 pontos de monitoramento. E esta “mancha
cinzenta” está avançando em direção ao interior e ao litoral do
Estado.
Em termos de saúde pública, além das
doenças respiratórias decorrentes da poluição, podemos acrescentar
problemas físicos e psicológicos, de artrites a stress, de fadiga a
irritabilidade.
É um autêntico choque na qualidade de
vida dos cidadãos. Três, quatro ou mais horas diárias desperdiçadas
com deslocamento. O que você faria com estas horas adicionais
diariamente em sua rotina?
O propósito deste artigo é convidar ao
debate, buscando passar à margem do senso comum, com conteúdo
propositivo para discutir alternativas apresentadas conforme segue.
1
Medidas de Curto Prazo
Tal qual o doente que antes da
cirurgia precisa de analgésicos para mitigar a dor, algumas ações
são prementes, ainda que paliativas. Fazem-se necessárias para se
ganhar tempo enquanto as decisões de caráter estrutural não são
tomadas. Além disso, são de fácil operacionalização e menor custo de
implantação. Demandam, enfim, vontade política acima de tudo.
1.1
Ampliação do Rodízio
Em 1997 o sistema de rodízio foi
instituído na capital paulistana restringindo a circulação de 20% da
frota em dois horários pré-determinados, durante a manhã e o final
da tarde. Apesar da resistência inicial, hoje 80% dos moradores
aprovam esta solução. Mas diante do crescimento da frota a eficácia
desta solução já se esgotou.
Assim, o rodízio precisa ser
drasticamente ampliado. Primeiro, separando veículos com placa final
par, que rodariam segundas e quartas-feiras, por exemplo, de
veículos com placa final ímpar, que circulariam terças e
quintas-feiras. As sextas-feiras seriam alternadas entre ambos, com
sábados e domingos livres.
Além disso, o horário de abrangência
do rodízio deve ser estendido para o período das 6 às 22 horas
dentro da região geográfica delimitada. O propósito é efetivamente
restringir a circulação. E acrescente-se que estamos tratando por
“veículos” não apenas os automóveis, mas também triciclos,
quadriciclos e utilitários, estes últimos cada vez mais utilizados
como automóveis.
Diante desta proposta, a primeira
intervenção normalmente feita é de que os mais ricos comprarão um
segundo veículo para driblar o rodízio. Quanto a isto, vale observar
que é uma possibilidade inerente não apenas aos mais abastados, pois
a facilidade de financiamento, com juros mais baixos e prazos
dilatados, permite a aquisição de um automóvel zero quilômetro, com
configuração básica, por uma parcela mensal equivalente a um salário
mínimo. E esta alternativa já vem sendo praticada por muitos.
Uma sugestão é criar uma sobretaxa na
aquisição a partir do segundo veículo licenciado por um mesmo CPF.
Ou seja, o proprietário de um segundo veículo licenciado em seu nome
pagaria uma sobretaxa de, digamos, 20% sobre o mesmo valor venal
utilizado para cálculo do IPVA. Um terceiro veículo licenciado
pagaria 30% de spread
e assim sucessivamente. A arrecadação oriunda desta sobretaxa seria
canalizada para um Fundo de Gestão Veicular, conforme será detalhado
mais adiante.
Por fim, há que se considerar a
necessidade de se prever e analisar exceções. Assim, teríamos
profissionais da área da saúde, como médicos e enfermeiros,
liberados do rodízio, desde que com atuação vinculada e comprovada
ao atendimento público. Técnicos não poderiam ser contemplados com
este benefício, ou correríamos o risco de ter uma legião de
“profissionais de carteirinha” que fariam um curso – ou, pior,
apenas comprariam um diploma – apenas para se beneficiar do
dispositivo legal.
1.2
Guerra aos Ilegais
O próximo passo é atacar os veículos
em condições irregulares. Estima-se que até 30% da frota não paga
IPVA, seguro obrigatório, licenciamento e multas ou dirige sem a
devida habilitação. A solução está em fiscalização e apreensão, com
recolhimento e liberação apenas mediante completa regularização.
Segundo pesquisa realizada pelo Ibope
em 2007 e coordenada pela pedagoga Nereide Tolentino, 30% dos jovens
entre 18 e 25 anos dirige carros sem habilitação, índice que se
eleva para 61% no caso de motos. Isso acontece com anuência de
familiares e da comunidade, uma prova de omissão, cumplicidade e
negligência.
1.3
Renovação da Frota
Também é preciso iniciar um processo
de retirada das ruas de veículos muito velhos. Além de altamente
poluentes, quebram com mais facilidade, obstruindo as vias. Apenas
para ilustrar, uma única faixa bloqueada em uma das Marginais por 15
minutos acarreta mais 3 quilômetros de congestionamento. A CET
atende aproximadamente a 700 ocorrências diárias, metade delas para
atender a veículos quebrados.
Isso posto, seriam recolhidos, para
desmanche e reciclagem, automóveis com mais de 25 anos, motos com
mais de 20 anos e caminhões com mais de 50 anos de uso. Estas idades
seriam gradualmente reduzidas até chegarmos a 20 anos para
automóveis, 15 para motos e 40 para caminhões. Parece pouco, mas não
é. Estes bens são chamados duráveis, mas não eternos, pois têm tempo
limitado de vida útil face às sucessivas depreciações.
Evidentemente, a exceção estaria
restrita a colecionadores, definidos por legislação específica no
que tange a esta qualificação e uso do respectivo bem.
1.4
Manutenção Viária
Asfalto irregular ou mesmo ausente
limita a velocidade e acarreta acidentes. Exemplo notório são os
buracos no pavimento que danificam pneus, rodas e suspensão, gerando
ônus aos motoristas. A burocracia do Judiciário restringe-nos o
direito ao lícito ressarcimento que nos caberia nestes casos, e
optamos por arcar com o prejuízo a buscar a reparação em um moroso
processo.
1.5
Sinalização
Placas indicativas, nomes de ruas,
demarcação de faixas de rolagem. A sinalização precária também
obstrui o trafego e convida à ocorrência de acidentes.
Morrem, em São Paulo, duas pessoas
todos os dias vítimas de atropelamentos. A implantação de faixas de
pedestres iluminadas, por exemplo, permitiu a redução em 42% do
número de atropelamentos em 2002, segundo a CET (Companhia de
Engenharia de Tráfego).
Aliado à sinalização viária, a
ampliação do número de semáforos inteligentes para proporcionar
maior fluidez durante o dia – e maior segurança, durante a noite.
1.6
Instalação de Radares
“A parte mais sensível do corpo
humano é o bolso”, disse Delfim Netto. Por isso, medidas punitivas
de caráter pecuniário são absolutamente necessárias.
O problema com relação à instalação de
radares é que seu propósito foi deturpado. O radar é um instrumento
para educar e coibir um comportamento de risco do motorista, a fim
de fazê-lo cumprir as leis – no caso, o limite de velocidade
estabelecido para uma determinada via – e, assim, evitar acidentes.
Porém, tornou-se fonte fácil de receitas, legitimando a “indústria
das multas”.
Os radares devem ser ampliados, porém
devidamente sinalizados. Afinal, a intenção não deve ser surpreender
o motorista, mas informá-lo para que conscientemente reduza a
velocidade. Entretanto, o que vemos são armadilhas instaladas pela
cidade. Muitos são os equipamentos posicionados no final de
declives, quando naturalmente um veículo ganha velocidade. Além
disso, as velocidades estabelecidas devem ser revisadas, pois não
faz sentido limitar a 60 km/h uma via onde se pode trafegar com
segurança a 90 km/h.
1.7
Faixas Exclusivas para Motos
A frota de motocicletas já representa
mais de 11% do total de veículos em circulação. E certamente este
número tende a aumentar, pois uma moto de baixa cilindrada pode ser
adquirida com baixo investimento (pouco mais de R$ 4,00 por dia!),
funcionando como ótimo meio de transporte. Ademais, com a ampliação
do rodízio, esta passaria a ser uma das alternativas possíveis para
deslocamento.
Assim, nos principais corredores devem
ser criadas faixas de rolagem exclusivas para motos. O intuito não é
apenas dar fluidez ao tráfego, mas fundamentalmente preservar a
vida, pois estatísticas extra-oficiais apontam para dois óbitos
diários, apenas na Capital, de motociclistas.
1.8
Corredores de Ônibus
Analogamente à proposta anterior, os
corredores de ônibus devem ser ampliados nas principais vias, a fim
de elevar a velocidade de deslocamento do transporte coletivo e
também a diminuir a incidência de acidentes de trânsito.
É uma solução com ótima relação
custo-benefício, posto que um quilômetro de construção de corredor
de ônibus custa 20 vezes menos do que igual extensão do metrô.
1.9
Ciclovias
As bicicletas podem e devem ser
integradas ao sistema de transporte, em especial para percorrer
menores distâncias. Todavia, a adoção deste expediente passa pela
viabilização da circulação das “magrelas”, com atenção especial para
a segurança dos ciclistas.
O sistema público de locação de
bicicletas, que tem Paris como
benchmarking através de seu projeto “Vélib” (junção das
palavras "vélo", que significa bicicleta, e "liberté", liberdade) é
uma iniciativa que pode ser introduzida de forma experimental para
ampliação paulatina.
1.10 Fiscalização Intensiva
Um policiamento amplo nas ruas, porém
com caráter também orientativo e não apenas punitivo. A presença do
fiscal por si só já é suficiente para coibir abusos por parte dos
motoristas. Dotados de tecnologia adequada, podem lavrar multas e
também realizar apreensões de veículos irregulares. Situações
pontuais, porém não incomuns, como a chamada “pane seca” (falta de
combustível) também devem ser punidas.
1.11
Inspeção Veicular
Emissão de poluentes, sistema de
freios, suspensão, amortecedores, luzes e inspeção visual. A
checagem periódica destes itens permite condições de maior segurança
na dirigibilidade. Espera-se apenas que a regulamentação não
transforme a idéia num novo “kit de primeiros socorros” e que sua
implementação seja adotada definitivamente, sem os corporativismos e
politicagens que emperram esta ação desde o início desta década.
2
Medidas de Médio Prazo
Embora não aplicáveis imediatamente,
não demandam grandes períodos para implementação. Envolvem mais
planejamento, comunicação e preparação para adoção.
2.1 Restrições a Caminhões
Seja horário de pico ou não, os
caminhões chegam a ocupar três faixas de rolagem das Marginais. E
isso sem falar na interferência no tráfego em perímetro urbano.
Aqui estamos diante de uma situação
que transcende a mera regulamentação. Dependemos de um trabalho em
parceria envolvendo indústria, comércio e transportadoras. Trata-se
de uma nova logística, com sistema de carga e descarga em horário
noturno.
Isso conduz ao trabalho em turno
diferenciado por parte de todos os agentes envolvidos. O
abastecimento de CD’s (Centros de Distribuição) passaria a ser
realizado no período das 22 horas às 6 horas do dia seguinte. Já o
transporte de cargas para o varejo não seria comprometido, apenas
acatando as regras do rodízio já estabelecidas e sendo realizado por
veículos de menor porte (até 5 toneladas).
Num primeiro momento, isso pode
parecer elevação de custos para as empresas. Sem dúvida, os salários
praticados em turno noturno exigem o pagamento de adicional.
Todavia, os ganhos decorrentes da maior agilidade na operação
compensariam este fato.
Quanto ao tráfego intermunicipal de
caminhões, este seria liberado nas rodovias, porém teria que
obedecer ao rodízio para circulação nas Marginais e demais vias.
Impraticável? Não, apenas questão de planejamento e adaptação.
2.2
Bolsões de Estacionamento
Criação de bolsões de estacionamento,
sejam eles verticais ou subterrâneos, nas proximidades das estações
de trens e metrô e nos terminais rodoviários, para incentivar o uso
do transporte coletivo.
Analogamente, iguais bolsões seriam
construídos no final das principais rodovias, com sistema de
transporte através de micro-ônibus para as estações mais próximas.
As tarifas praticadas nestes bolsões
teriam que ser adequadas para não desestimular seu uso, com sistema
de valores diferenciados, com descontos progressivos para períodos
maiores de contratação (plano mensal, por exemplo) e menor valor nas
estações periféricas.
2.3
Pedágio Urbano
Diante da possibilidade de se utilizar
o transporte coletivo, fazendo baldeação nos bolsões de
estacionamento mencionados anteriormente, o acesso de carro a
determinadas regiões deve ser desestimulado mediante cobrança de
pedágio, com sistema de cobrança com valores regressivos para maior
número de acessos contratados.
2.4
Estacionamento x Zona Azul
Mediante estudo pontual, de região
para região, é preferível estimular a construção de estacionamentos
para acomodar veículos, em especial em áreas comerciais, liberando
mais uma ou duas faixas de rolagem, antes utilizadas como
estacionamento, para melhor fluidez do trânsito.
2.5 Ampliação da Frota de Ônibus
O modelo de desenvolvimento econômico
periferizou os trabalhadores, permitindo-lhes conseguir moradia
apenas nas regiões mais afastadas do centro, distantes de seus
locais de trabalho. Enquanto as classes média e alta despendem três
a quatro horas diárias com deslocamento dentro de seus carros, os
mais pobres gastam tempo superior em transporte coletivo superlotado
e sem condições mínimas de conforto.
A partir do momento em que as ruas se
tornam mais transitáveis, em função das demais medidas propostas,
podemos ampliar a oferta de ônibus, especialmente nas regiões
periféricas, de modo a reduzir o intervalo de tempo entre os carros
e aumentar o conforto do usuário.
3
Medidas de Longo Prazo
Estas sugestões são as mais difíceis
de serem consideradas, não por força do investimento ou tecnologia
necessários, mas porque estamos falando em gestão pública o que
demanda vontade política sem precedentes.
São ações cujos resultados não se
colhem em um ou dois anos, mas após cinco ou dez anos. E como nossos
dirigentes enxergam apenas a próxima eleição e não a próxima
geração, as decisões efetivamente estruturais e com impacto no longo
prazo são sempre negligenciadas.
3.1 Ampliação da Malha de Trens e Metrô
Inaugurado em 1974, o metrô paulistano
apresenta hoje extensão de apenas 61,3 km, transportando diariamente
mais de 2,1 milhões de passageiros. Com operação certificada e
serviços reconhecidos como de elevada qualidade, a reduzida malha e
conseqüente superlotação tem proporcionado uma percepção
crescentemente negativa do sistema.
Devido ao alto custo de construção,
estimado em 100 milhões de dólares por quilômetro (40 milhões para
metrô de superfície), é um investimento que exige planejamento,
financiamento e estruturação.
Já a CPTM (Companhia Paulista de Trens
Metropolitanos), através de seus 257,5 quilômetros de linhas
operacionais, transporta mais 1,8 milhão de passageiros em dias
úteis. Seu maior problema, todavia, reside no longo intervalo entre
os trens.
3.2
Engenharia de Tráfego
A CET há muito deixou de ser uma
empresa de engenharia de tráfego. De uma pretensa ação estratégica,
passou a assumir uma função meramente operacional, atuando como uma
filial do Corpo de Bombeiros apta a debelar incêndios.
Faltam recursos, falta estrutura,
falta gente para trabalhar. Apenas para exemplificar, recentemente
apenas 40% das câmeras de monitoramento estavam em funcionamento. As
demais aguardavam processo licitatório para serem consertadas.
A matéria-prima da CET é a informação
e esta precisa ser capturada com qualidade, através de tecnologia
moderna. Sob esta ótica, a obrigatoriedade do chip previsto no
SINIAV (Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos) é
adequada, pois permitirá o monitoramento do trânsito via satélite,
para a adoção de ações rápidas e pontuais.
Associado a este sistema, seria
desejável planejar junto à indústria automobilística a instalação em
série de GPS em todos os veículos fabricados, integrando-os às
informações captadas pelos chips, permitindo aos motoristas acesso
instantâneo à informação sobre as melhores rotas alternativas.
Evidentemente que para a instalação deste acessório em série
teríamos um enorme ganho de escala, reduzindo sobremaneira seu custo
ao consumidor final.
3.3
Fundo de Gestão Veicular
Este seria um instrumento para tornar
todo o sistema economicamente auto-sustentável e planejar
investimentos futuros. Seria formado pela receita proveniente da
arrecadação de multas, sobretaxa na aquisição de veículos (vide item
1.1), pedágio urbano e mais uma alíquota de 0,5% aplicada sobre
veículos novos adquiridos.
A manutenção e expansão da malha
viária permaneceria à cargo do Orçamento do Município, motivo pelo
qual não canalizamos o IPVA para este fundo.
3.4
Educação de Trânsito
A falha humana é responsável por mais
de 90% dos acidentes de trânsito. Em outras palavras, repete-se o
observado pelos profissionais de segurança do trabalho nas empresas.
O problema é menos a condição insegura e mais o ato inseguro.
Estamos falando de comportamento,
atitudes, valores. Aspectos que devem ser ensinados na escola, para
serem aprendidos pelos alunos e, depois, apreendidos pelos jovens
motoristas. Trata-se de conhecimento, conscientização, mudança de
postura. Sementes que não se regam com retórica, mas com trabalho
persistente para colher os frutos apenas anos depois.
4
Considerações Finais
O caos no trânsito de São Paulo não é
uma exclusividade nossa. É um problema que aflige os grandes centros
urbanos em todo o mundo.
Todavia, precisamos repensar valores e
prioridades, rever conceitos e reinventar as relações profissionais.
Na próxima década, o sistema de
trabalho SOHO – small office, home office – ganhará novo impulso.
Muitos serão os profissionais, mesmo com vínculo empregatício
formal, que passarão a trabalhar em suas residências, ganhando
preciosas horas diárias que seriam perdidas em trânsito. Isso
determinará um novo paradigma, um novo modo de trabalho, que
demandará disciplina e adaptação. As reuniões deixarão de ser
presenciais para serem conduzidas por videoconferência. Os diálogos
utilizarão a internet como canal de forma ainda mais acintosa.
Por conta das limitações
proporcionadas pelas dificuldades de deslocamento, o Ensino à
Distância (EaD) gradualmente passará de coadjuvante a ator
principal, invertendo a proporção atual entre aulas presenciais e
virtuais.
Fruto dos novos tempos, o mundo nos
reserva mais possibilidades, porém menos contatos. E é exatamente
isso que não podemos perder: o contato, do latim contactus, derivado de
tangère, que
significa tocar, exercendo o sentido do tato. Isso a gente na pode
fazer à distância.