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Comportamento |
Ano I - Nº9 - dezembro de 2000 |
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Atitude
Gandhiana Paulo de Abreu
Lima Ser
mahatma É bem
mais que ser frugal no alimentar-se; É bem
mais que fiar a própria vestimenta; É bem
mais que caminhar pelo prazer de caminhar; É bem
mais que ser casto buscando maior liberdade espiritual; É bem
mais que respeitar profundamente os modos diferentes de compreender e
aproximar-se de Deus; É bem
mais que jejuar com intenção de evocar a bondade; É bem
mais que, num debate, ajudar o interlocutor a compreender suas próprias dúvidas
e, não querer derrotá-lo; É bem
mais que, numa saudação gestual, mas muito sincera, tocar o coração de
uma multidão. Ser
mahatma, É ser
“alma grande”; É ser
aberto e sensível, o necessário, Para
saber que os seres humanos, Sejam
hindus, muçulmanos, cristãos ou judeus, Têm
fome, falam, sofrem, andam, vêem, ouvem... Amam. Gandhi
exerceu com plenitude e autenticidade sua atitude; atitude de doação –
pagar o mal com o bem. Soa estranho, hoje, contudo, uma atitude gandhiana,
numa sociedade de ganância, egoísmo e materialismo. Mas exatamente por
isso Gandhi foi político-santo... santo-político. Ser
mulher-homem-terreno, É ser
pessoa; “Tudo
o que vive é o teu próximo”, dizia. Por
que temos dúvidas, ainda, De que
pessoas são nossos próximos? Reside
aí o significado e a importância da atitude gandhiana – era muito claro,
para Gandhi, a compreensão de
ser mulher, homem, hindu, muçulmano...de ser pessoa. Seu maior esforço,
abrindo-se intensamente ao nosso ser-estar humano, foi exercer a humanidade,
com tudo o que ela exigiu. E este exercício foi pleno, porque humanizar-se
era sacrificar-se, !tornar sagrado”; humildemente, sendo casto, frugal,
simples. E não há dúvida que uma atitude gandhiana é sagrada, porque
humana, respeitadora, não-violenta; sacrificou o corpo, o ser, a luz, para
chegar a eles mesmos; se expôs à violência garantindo ao violento o
vislumbre de que ela é instrumento de ganância, egoísmo e materialismo.
Atitude gandhiana é crer que “a não-violência é infinitamente superior
à violência, e que o perdão é bem mais viril que o castigo”. Ser
mahatma É exercer humildade; não
professá-la.
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