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Os olhos em
lágrimas que jamais não chorariam na pele da cara sua, brilhavam no rosto da
cibernética outra criatura. Quadrada forma de intenso devorar a ação. Preso.
E junto todo o resto e entorno. A carne mastigada em luz, cuspida em sites,
cortada em sítios, a imagem rápida; diversa; de tudo quanto é nada. Um nada
presentificado, construído dentro e que se expande gradativamente. Outro
mundo?
Plano de nova
realidade. Multifacetária, plurinacional, multiplicável, a falácia do
discurso total. Todos os discursos, todas as palavras, todas as vozes, todos
os rostos. O mundo todo. Mas apenas uma face. Tua. Fascinado. Seduzido. O
passado e o futuro te habitam. Tens a vã idéia que te ensinam que te
informam, mas a rapidez com que alimentam teus desejos de saber e prazer não
condiz com as possibilidades do teu corpo e da tua carne humana. E te
constróis através dos retalhos, dos trapos das informações mal ingeridas que
compõem teu alimento. Excremento?
E da
sensibilidade que pretendias ter do mundo e das coisas que o mantém, o que
consegues é o mais comum de todos os sensos. A tela da máquina que és brilha
intensa. Queres lágrimas para chorar... Buscas na máquina os sentimentos...
Queres imagens para lembrar... Na máquina... Queres inclusive os prazeres
que da carne pertenciam anteriormente? Busca na máquina o orgasmo virtual;
corpos constituídos e produzidos na ilusão da imagem consertável, sexo da
palavra pura, sexo discursivo, dialético, prazeres da contemporaneidade.
O cérebro,
empanturrado de informação, prazer e brilho. Mas o corpo, em seu triste
estribilho resmunga... e os verbos dominados pelo Estado, rejeitam e renegam
a ação. A física dos corpos está contida na luz digital, no som das teclas
que constituem um outro plano... Matrix? A ficção? E tudo aquilo que era o
homem já mais não o é. Toda a filosofia, a sociologia, a religião, a moral,
a ética, a medicina, a educação, até a política... Devorados. Consumidos
pela bocarra virtual.
Dragão
contemporâneo. Ame-o ou morra encéfalo! O papel, investido de novo vilão das
instancias naturais do nosso real, é acusado violentamente da miséria em que
vivemos. Abaixo o livro!! O texto deve ser livre... O papel é a prisão do
discurso, do verbo... Digam não ao papel!
E limpam, sem
exceção, o mundo inteiro, suas bundas... Magras e gordas, raquíticas ou
fartas... e correm para a luz , a nova religião, o mais novo vício...
E estamos todos
ligados. Energia que nos conecta, veias elétricas que nos transformam numa
grande entidade midiática, por fim o verdadeiro “uno”, a criatura final.
Nossas vidas depositadas em caixas, nossas imagens expostas ao universo,
nossos segredos vendidos como mercadoria. Já não somos o que éramos agora
somos o que nos tornamos... E nos tornamos o que querem que sejamos. Somos o
Frankstein. Somos fotos, filmes, palavras escritas... Conseguimos por fim
eliminar a morte.
A grande
vitória. O corpo perfeito, a criatura perfeita. A tecla é pressionada e seu
texto é arquivado e enviado pro mundo inteiro, tua imagem é salva das
decrepitudes do tempo, você sorri. Está satisfeito. És eterno. Só falta o
peso. O corpo. Sim... é claro. Um estalido seco, uma gota de sangue na tela
do computador e a grande criação está livre...
Pedro Osório
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
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