|
Início da história
Tudo começa em uma cidade pequena do interior de Goiás, com o nome de Uruana.
Havia um garoto chamado Dhiogo San Diego, um pequeno inventor que queria
fazer parte dos jornais do futuro.
Criava coisas, móveis, mas nada o interessava. Uma bela manhã saiu em busca
de umas sucatas para o seu novo invento. Ao chegar lá viu um monte de latas
que lhe chamaram a atenção; então, ele as pegou e levou para casa. No
caminho encontrou com a sua tia Elizabet. Ela o olhou e disse:
— Aonde tu vais com este lixo?
— Vou continuar minha vida – disse ele, e continuou caminhando.
Ao chegar em casa, começou a construir braços, pernas, cabeça e todo o
corpo. Quando tudo estava pronto, ele começou a montagem e, logo, diante de
seus olhos estava um lindo garoto de lata, muito mais lindo porque era o seu
filho, como todos os outros. Parado, ele disse:
— Lutei para um dia te construir, meus sonhos se tornaram realidade;
obrigado, Senhor, e as lágrimas caíram sobre o boneco de lata. Então, ele o
pegou e colocou sobre a mesa. Logo depois, deitou no chão daquele humilde
cômodo quieto; sonhou com o boneco, que ganhou vida e cresceu como uma
abóbora.
CAPÍTULO 1
O dia caiu e Dhiogo acordou assustado, com o Bentinho chamando-o para o café
da manhã.
Foi correndo para fora, entrando para a casa do Bentinho. Este dizia:
— Vem, meu filho, vem tomar café na mesa.
— Estou indo. Para não entrar com vergonha, Dhiogo falou:
— Bom dia, senhor Bentinho.
— Bom dia, meu filho, sente-se aí perto da minha senhora. Você, meu filho,
por que não vem morar aqui?
— Ah não, senhor Bentinho, eu agradeço pela sua amizade, mas não posso
aceitar; quero vencer sozinho, até hoje minha vida foi só ilusão, que acaba
rapidamente.
— Não é assim, meu filho!
— É sim! Eu nunca fui feliz, às vezes eu me lembro das casas brancas de
andares da minha infância; algo que fica só no mundo dos meus sonhos; eles
acabaram, e eu voltei à realidade, entristecido com a miséria, com as roupas
rasgadas e a pobreza da alma. E até as flores da minha casa murcham e acabam
morrendo, pois não tenho água para molhar. Tenho uma tia que quer me matar.
Hoje, se eu quero brinquedos, eu tenho que criar igual aos dos outros
meninos, que têm vários. Mas hoje, senhor Bentinho, eu não quero brinquedos;
quero ser exposto com o meu garoto, chamado Pinóquio do Futuro, e ele vai
brilhar. Obrigado por tudo seu Bentinho, até logo.
— Até, meu filho.
Chegando em casa, eu olhei para o boneco e ele mexeu. Assustado, falei:
— O que é isto! Será que os meus sonhos vão se tornar realidade. Ó senhor!
Olhei o boneco e ele se levantou; espantado, falei:
— Oi, você é o meu Pinóquio, meu filho. Os dois se abraçaram.
Ele sempre foi tudo o que eu queria. Correndo, fui falar para o senhor
Bentinho, que tinha me tornado pai com 15 anos.
— O que você disse!
— Vem aqui para o senhor ver o meu filho, ele é lindo. Então, Bentinho foi e
disse:
— É mesmo uma gracinha. E logo toda a cidade ficou sabendo da grande
invenção.
A cada dia eu ensinava tudo sobre o homem do futuro para Pinóquio. Os anos
se passaram e ninguém acreditava naquilo que ocorria, Pinóquio agora queria
ir para a escola, mas eu não queria, porque ia ser difícil. Ele falava:
— Pai, eu queria ir estudar, todos os garotos do futuro vão, o senhor não
foi, mas eu quero ir.
— Sim, você pode ir, mas nunca poderá mentir para ninguém, tá bom, meu filho
querido?
Pinóquio saiu correndo e dizendo:
— Meu pai deixou eu ir para a escola, vamos brincar, crianças. Então foram
brincar.
Pinóquio, muito pesado, machucou um amigo; o garoto chorava, e Pinóquio o
olhou e disse:
— Você tem lágrima e eu não tenho, saindo correndo para sua casa.
— Pai, por que eu não choro?
— Por que você é especial e nunca vai ser infeliz. A vida reserva tantas
coisas para nós, meu filho. Vamos dormir?
— Você vai contar uma história para mim?
— Sim, meu amado filho.
— Qual?
— Do Peter Pan.
Fingindo que estava dormindo, Pinóquio levantou e foi para as ruas. Longe,
ele sabia que tinha uma beira-mar. Sentado ali, ele começou a cantar:
— Sou infeliz porque eu queria ser um garoto lindo e perfeito que tivesse
lágrimas nos olhos, minha infância é infeliz...
CAPÍTULO 2
Pinóquio adormeceu e acordou com um barco parado ali. Abriu os olhos e viu
Peter Pan e os meninos perdidos, que falavam para ele:
— Vem, Pinóquio, nós te esperávamos há muito tempo. Eu não posso, porque meu
pai não sabe onde eu estou. Não se assuste, entre, eu vou deixar um pedaço
de minha roupa.
Logo após o seu pai acorda e fala:
— Vem, Pinóquio, para o café da manhã. E nada. Olha na cama, ninguém. Sai
correndo, predestinado o encontro. Ele para e pensa nos lugares onde sempre
passeavam juntos, e lembra da beira-mar. Chegando lá, ele vê uma tira da
roupa de Pinóquio, mas ele não o vê. Sentado, chorando, falava:
— “Os mentirosos levaram meu filho”.
Quando escutou a voz dele:
— Pai.
—Onde você está, meu filho?
— Olhe para cima.
—Meu filho, aonde você vai?
— Eu estou indo para a Terra do Nunca com o Peter Pan.
— Você não pode.
— Por que, pai?
— Porque nós vamos para os Estados Unidos.
— Pai, eu voltarei, eu te amo. E sumiu nas nuvens.
Chorando, eu não sabia o que fazer. Estou triste, meus sonhos jamais
tornaram realidade. Voltando para casa, encontra o senhor Bentinho, que
perguntou onde estava Pinóquio.
— Ele estava na beira-mar, mas sumiu.
— Como você deixou isso acontecer?
— Não sabia o que fazer. Vou entrar em casa. Vamos?
— Não posso, tenho que ver minha senhora.
— Como ela se chama, senhor Bentinho?
— Ela se chama Maria Lúcia.
— E suas filhas?
— Minhas filhas? Só tenho duas: a Denise e a Lucinéia.
— Onde estão?
— Bem longe, mas elas vêm no mês que vem.
—Ah bom, até logo, vou me deitar, estou com uma dor de cabeça!
— Amém.
CAPÍTULO 3
Pinóquio estava feliz na Terra do Nunca, lutando com o senhor Malvado e
encontrando tesouros. Ele voava, corria, brincava, mas algo ali faltava, que
era o seu querido pai. No final do dia, ele chamou a fadinha Sininho e
falou: - Você pode me tornar um garoto de verdade e colocar eu lá na minha
casinha, junto com o meu pai?
— Sim. Claro já que estou no futuro; eu, Sininho tenho uma máquina do tempo.
— Eu também tenho esta máquina.
— Então o seu pé cresceu um pouco. Entrou na máquina, dizendo adeus a todos.
Ele desapareceu.
Apareceu em um lugar que tinha bombas. Assustado, ele falou: “Onde estou?”
tentando correr de medo, procurou outro garoto:
— Onde estou?
— Você não sabe? Você está na Primeira Guerra Mundial.
— Onde?
— Na Primeira Guerra.
— Adeus.
Sininho torceu o botão da máquina, fazendo Pinóquio viajar em várias épocas
do passado. Em cada parada, uma mentira, até chegar no ano 3000. Chegando,
encontrou com o Betinho:
—Onde você estava, meu filho? Estava com medo de voltar?
— Não sei, senhor, só quero encontrar meu pai. Ele está onde?
— Ele está lá na sua casa. Pinóquio saiu correndo e gritando: Pai, seu filho
voltou para casa.
— Estou bem.
— Porque seus pés estão grandes assim, Pinóquio?
— Fui para o passado bem longe.
— Você mentiu?
— Sim.
— Então pense em Deus, para que ele te perdoe, mas amanhã nós viajaremos
para os Estados Unidos. Está bem, papai. Dorme bem à noite, porque sairemos
cedo.
De amanhã levantaram e pegaram um avião bem moderno. Ao chegarem aos Estados
Unidos, foram para academia dos inventores modernos:
— Hoje há uma grande atração: o menino de lata que fala e anda; criado por
Dhiogo San Diego, a criação é chamada de Pinóquio do futuro.
Pinóquio se destacava entre todas as invenções, nem um chegava perto da sua
realidade. Era perfeito, lindo! O prêmio era um milhão de dólares. Em poucos
minutos, convocaram o senhor Dhiogo San Diego, de apenas 20 anos, que tinha
uma invenção perfeita; algo que estava sendo cobiçado pelo mundo das
máquinas-Temos uma proposta: você entrega o garoto de lata e nós vamos dar o
dobro do dinheiro?
— Não posso, porque ele não é uma máquina, ele é meu filho que eu amo.
— Você não pode amar uma máquina, porque ela não te ama.
— Eu amo meu pai.
— Cale-se, máquina atrevida, pegue ele e traga para mim, entregue o dinheiro
para o seu pai e leve ele daqui para fora dos Estados Unidos.
—Filho, filho!
— Pai!
CAPÍTULO 4
Levaram o Pinóquio do futuro para a casa de bonecas do milionário. Os seus
pés já tinham ficado normais. O senhor vinha e ele corria para o quarto e
fechava a porta.
Sentado na cama, ele falou:
— São dez horas da manhã, me sinto tão perdido mesmo no meio de uma multidão
que não me olha como ser humano, e sim como máquina. O meu coração, meu
peito e minha alma gritam de dor.
— Às vezes penso que não sou nada para as pessoas, que me maltratam sem
amor, desprezo e jogando eu fora do mundo. Eu entro para o meu quarto sem
olhar pra trás, porque tenho medo de estar ferindo alguém mesmo sem querer.
Estou só, mas a solidão é protetora e amiga, a qual transporta meu corpo de
lata para perto do meu pai, e minha alma dorme em seus braços.
Quando amanheceu, a filha do comprador falou:
— Eu quero levar o Pinóquio até a escola comigo, pai.
— Leve.
Ela pegou na minha mão e falou:
— Vamos.
Ao chegar à escola, todos perguntaram:
— Onde você encontrou este boneco? Não encontrei, foi meu pai que me deu
para minha coleção de bonecas.
— Ele fala?
— Sim, vamos estudar juntos, eu e o Pinóquio.
Entramos na sala e a professora falou:
— Onde você pensa em colocar este boneco?
— Eu penso em colocar ele do meu lado.
— Então senta aí.
— Júlia, você sabe como é a nossa mente?
— Deixa que eu respondo.
— O Pinóquio vai responder.
— “Nossa mente é como para-quedas, só funciona se estiver aberta. Obrigado”.
— Com quem você aprendeu isso?
— Com meu pai.
— Ah, bom.
Hoje voltamos para casa, depois de 12 anos de estudos. Júlia, minha única
amiga, me abandonou; bem, ela deixou o seu cofrinho aqui, e eu vou embora
para casa. Hoje consegui pegar o avião e estou voltando para casa. De longe
eu avistei minha casa. Não era feia, nem pobre, era rica e linda. O Bentinho
estava na porta. Velhinho e doente me disse:
—Seu pai te espera.
Logo eu avistei meu pai, lindo como sempre. Eu o abracei, olhei em seus
olhos e disse:
— Que saudade. Tudo mudou, menos eu, que continuo uma lata.
— Não, meu filho, você é um garoto lindo e amado. Venha, estou casado com a
Denise.
— Quem é ela?
— É a filha do senhor Bentinho.
— Ah, sei.
— Oi, Pinóquio, vamos ser grandes amigos.
— Pai, quem é aquele que está sentado na sala?
— É o Lisandro, o marido de sua tia Lucinéia, é um grande amigo. Agora tenho
que ir para o trabalho; tenho uma fábrica e bonecos robotizados.
— Bom, vou para o quarto.
— Eu queria ser um menino de verdade, uma realidade sem igual. Já sei, só
posso ser de verdade se Deus quiser. Acredito que um dia me tornarei uma
criança, vou dormir.
A sua mãe entrou no quarto junto com Lisandro. O seu pai chegou e viu o
Lisandro saindo do quarto para a sala: Denise falou que estava grávida.
Então o pai de Pinóquio o deixou de lado um pouco, dando atenção para o
bebê. Com ciúmes, Pinóquio tentou matar o bebê, mas o seu pai o mandou para
uma escola interna, onde ficou por dois anos.
Nesse período, Lisandro morre, e Denise chorava como se fosse a viúva.
Dhiogo começou a suspeitar dela, vendo características do amigo em seu
filho. Depois de mais de dois anos, ele foi visitar o seu filho do coração;
chegando lá, encontrou um garoto triste e solitário que nada fazia sorrir,
chorou e disse:
—Filho, volte, o pai te ama.
— Eu também te amo muito, pai, nunca te esqueci, mas eu quero me tornar uma
criança um dia,pai.
— Esquece de tudo filho, seja feliz como você é!
— Papai, vá, um dia eu voltarei. Adeus, leva um abraço para o Ricardo.
— Sim, levarei.
Naquele momento percebeu que a sua vida era só uma fantasia, de dores e
sentimentos e a relatividade das emoções. O mundo dele parecia imaginário e
perfeito, sem violência, que não machuca e nem dói, porque lá é lindo e
perfeito, cheio de paz espiritual e sentimentos; mas, no fundo, ele queria
um dia viver feliz com seu pai.
CAPÍTULO 5
Ele olhou na parede e viu a história do menino de madeira que se tornou
criança através da fada azul. Então, ele sai correndo do hospital, fugindo
daquele lugar e encontrou uma nave e voou - um voo longo que durou a vida
toda; caiu sobre a geleira, e ficou congelado por uma eternidade; depois,
ele encontrou andando, no mundo sem ninguém, a fada azul e pediu a ela para
transformá-lo em um garoto de verdade, para que ele vivesse junto com seu
pai, só os dois juntinhos.
Suas lágrimas caíram sobre a fada azul. Ela desapertou e falou:
— Você poderá ter o seu pai somente por um dia e nada mais.
—Sim, eu quero este dia depois de uma eternidade.
Fechou os olhos e ao abrir de novo viu a sua casa, uma casa muito pobre,
simples e humilde, mas cheia de muito amor e felicidade.
Logo ouviu a fada falar:
— Você tem somente um dia, agora você se tornará uma criança de verdade.
— Obrigado. Pai, olha, sou uma criança de verdade, você está vendo?
— Sim, meu filho, você sempre foi minha criança linda. Eu te amo muito, um
amor inconfundível. Juntos, os dois tomaram banho na beira-mar, lancharam,
jantaram e Pinóquio colocou seu pai para dormir um sono do qual jamais
despertaria. Depois de ter se transformado em uma criança, Pinóquio viu que
nós amamos não um corpo perfeito de carne e osso ou de lata, e sim porque a
pessoa tem coração e ama além de tudo.
dhiogocaetano@hotmail.com
|