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O seu tesouro estava ali. Guardado pela vestimenta que os olhos de
Cristóvão apreciavam e protegiam: o corpo da mulher amada sob o vestido
verde.
Safira era tudo o que os anseios de Cristóvão poderiam desejar,
principalmente, sob o arvoredo ao cair da tarde. O sorriso contagiante
contrastava com a suavidade com que o vento balançava os cabelos dela.
Tão pouco tempo para reunir uma felicidade tão intensa.. O olhar de
cobiça sob o vestido verde pairava no ar, no falar, no andar, no
tocar... Mas onde Cristóvão guardaria tanta emoção, se o coração dele
transbordava embalado pelo sonho e por toda a sensualidade que aquela
menina despertava
em seu corpo. Seria o amor? Ou seria a cor verde que ao delinear o corpo
de Safira, fundia-se em carinho e charme? Seria o olhar altivo de
convicção do reencontro com aquela que tinha traços de mulher ingênua e
de menina levada, e como um retrato na memória de Cristóvão
atormentava-lhe mais ainda pela longa espera?
A sutileza das palavras dele deixava Safira convencida de que acertara
na medida exata da vestimenta e na perspectiva de mais uma tarde
daquelas, conduzida pela sinfonia do amor.
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