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Cotidiano |
Ano I - Nº8 - novembro de 2000 |
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Ética
e progresso Luiz Inácio Lula
da Silva É importante para a
consolidação da democracia no Brasil que a grande maioria da população
assuma posição em defesa da ética na política e contra a corrupção.
Escrevi há pouco sobre isso, houve repercussão positiva, e volto ao
tema. Vou citar, como exemplo, uma declaração feita pelo empresário José
Galló, executivo das Lojas Renner, do Rio Grande do Sul, que nos orgulha
e incentiva a persistir nesse difícil caminho trilhado pelo Partido dos
Trabalhadores desde o seu surgimento: "Um fator decisivo é a
moralidade do setor público, praticada pelos prefeitos petistas. O fato
de contar com uma administração com índice zero de corrupção acaba se
transformando numa vantagem competitiva para Porto Alegre". A verdade é que
tenho encontrado muitos empresários pelo Brasil afora que me dizem que
governos honestos, que combatem efetivamente a corrupção, podem garantir
ao Brasil uma vantagem competitiva nas suas relações internacionais,
econômicas e políticas. Alguns me pedem sigilo, temendo perseguições
de governantes corruptos. Eu compreendo. Poderia dar dezenas
de exemplos importantes de casos em que administrações honestas tomaram
posse e renegociaram contratos superfaturados, reduzindo
significativamente o custo das obras. Vou citar apenas dois, que causaram
repercussão pública positiva quando foram divulgados. No Acre, o atual
governo reduziu pela metade o orçamento do famoso Canal da Maternidade e
está fazendo a licitação da obra de modo correto e transparente. E no
Rio Grande do Sul, entre muitas outras iniciativas saneadoras dos gastos públicos,
o governo reviu os contratos com a GM, feitos em condições
supergenerosas pelo governo anterior, conseguindo economizar R$ 103 milhões,
além de obter outros compromissos da montadora com a economia gaúcha, em
especial com o setor metal-mecânico. Os dois exemplos são
de administrações do Partido dos Trabalhadores, porque eu as conheço
bem de perto. Mas sei que há também alguns governantes de outros
partidos que têm adotado esse padrão ético em suas administrações. A corrupção, como
se sabe, é um fenômeno mundial. Mas, no caso de países pobres, ou dos
chamados em desenvolvimento, como o Brasil, a corrupção tem implicações
políticas e conseqüências sociais e econômicas que a tornam um crime
muito mais grave. Para incentivar a corrupção, basta governar sem
transparência nos negócios públicos e garantir a impunidade dos
envolvidos, corrompendo a justiça ou mantendo-a de mãos amarradas. A
verdade é que grande parte do dinheiro da corrupção serve para
financiar campanhas políticas que elegem governantes corruptos. Ou seja,
o círculo se fecha, reproduzindo a continuidade da própria corrupção.
E é assim que ela vira um padrão, vira um sistema. Recentemente, tanto
o Banco Mundial (BIRD) divulgou pela primeira vez um relatório em que
aponta a corrupção como uma das causas principais da pobreza nos países
não desenvolvidos, como o Índice de Percepção de Corrupção (IPC) do
ano 2000, apurado pela organização não-governamental Transparência
Internacional, confirma o descalabro desse mal no Brasil. De acordo com o
banco, a corrupção mina o apoio público a programas de assistência e
pode também impedir o acesso de países em desenvolvimento, como o
Brasil, ao capital privado internacional. De acordo com a
Transparência Internacional, em uma escala de zero a 10 - onde 10
corresponde a um país altamente limpo e zero, altamente corrupto -, o
Brasil tem 3,9, abaixo, portanto, dos 4,1 recebidos em 1999 e dos 4
conseguidos no ano anterior. Este ano, o Brasil está em 49º lugar, num
total de 90 países pesquisados. No ano passado, ocupava o 45º lugar,
entre 99 países. Isso tem conseqüências
econômicas graves. A redução dos índices de corrupção no país,
atingindo os padrões, por exemplo, do Canadá, que é o quinto melhor
colocado neste ano, com 9,2, teria o efeito de praticamente dobrar o PIB
brasileiro, em uma geração. Há estudos de economista da Fundação Getúlio
Vargas indicando que, nesse caso, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita
do Brasil aumentaria em R$ 6 mil reais, num espaço entre 15 e 20 anos. Nós, do PT, temos
políticas concretas de combate a corrupção. Em praticamente todos os
municípios e Estados em que o nosso partido chega ao governo a arrecadação
aumenta e os cofres públicos passam a ter recursos suficientes para
investimentos sociais. E isso acontece não apenas porque termina a
roubalheira, o clientelismo, o leilão de cargos e postos de direção. É
porque o partido tem uma postura ética sólida e um programa de modernização
administrativa e das finanças públicas. E governa com participação
popular, implantando o Orçamento Participativo e contribuindo para a
ampliação e a consolidação da democracia no Brasil.
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