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Cotidiano |
Ano I - Nº9 - dezembro de 2000 |
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Esquartejadores
da consciência (versão fim de século) Gilberto da Silva Cena 1 - Tomada
única É Natal. Numa casa
da periferia, Manuel e Maria tomam “champanhe Cereser”. Tudo é alegria,
tudo é festa. Chove. Afinal chove
todo ano nessa época em São Paulo. E dá enchentes. Não muito longe dali,
Bola e Sete planejam um Natal melhor, afinal, Natal tem muito vermelho e
isto lembra sangue e festa. Bola e Sete querem
mais é aproveitar. Manuel e Maria são boas vítimas um banquete de glória,
fúria e insanidade. Não pode faltar sangue (nem o de boi) na ceia de Bola
e Sete. Menores sonham sempre com um Natal melhor... Cena 2 Segunda
tomada Na subida das escadas
da estação do metrô. Um diálogo apenas. -
Olá, tudo bem. - Tudo bem. Mas não sei quem tus és. - Não importa, nem sei quem sou, mas sei que não quero que fales de mim para outros nos carros do metropolitano. - Não sei falar do desconhecido... - Tudo bem, o que importa é que vou te furar (sucede-se então uma série de movimentos violentos com objeto perfurante na barriga do outro). O povo incrédulo ou ausente come pipoca e masca goma. Cena 3 Tomada
última É o homem a
“medida de todas as coisas”? A pergunta – que não
entra no filme – permeia uma questão e uma cena, como a descrita abaixo. Na praia, sentado na
areia, Manuel vai construindo seu castelo de sonhos, grão a grão. Maria,
ao lado de seu marido infiel, reflete sobre seu passado de inferioridade e
de sofrimento: na verdade, suspira liberdade. Como?
- Pensando cá comigo, passei das medidas... Gilberto da Silva, não está na medida das coisas |
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