spacer

 

ISSN 1678-8419         última atualização em: terça-feira, 04 de janeiro de 2011 16:15:10                                               

 
  Principal
 Cultura
 Crônicas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
 
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 Institucional
 
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 
   Blogs
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Econotas
 Humor
 Memória Sindical
 Mirim
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Esportes
 Agenda
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRôNICAS
A garoa da boa terra    
Gilda E. Kluppel
publicado em 04/01/2011



                                                  

Paulicéia – a grande boca de mil dentes

Mário de Andrade

 

A imagem da cidade de São Paulo enquadrada pela pequena janela da aeronave e uma senhora cantarolando, na poltrona detrás, a música do Caetano, “Alguma coisa acontece no meu coração...”; para acalmar a filha nervosa com o sobrevoo pela cidade. Pouco depois, o pior momento, a aterrizagem no Aeroporto de Congonhas, cercado pela imensidão de prédios. Os batimentos cardíacos pulsam acelerados no compasso do movimento da cidade. Enfim, o solo paulistano.

São Paulo ou carinhosamente Sampa, o abrigo onde inúmeras pessoas deixam para trás seus laços e embaraços em busca do sonho nesta mega metrópole que insiste em não dormir. Amor à primeira vista e reforçado em todas as vistas e visitas. Alguns atropelos para quem não se acostumou em utilizar a passarela para atravessar a rua; vinte agoniantes minutos numa parada forçada no canteiro da avenida. Logo se habitua, a terra dos apressados assusta pela grandeza, mas em pouco tempo a admiração se torna diretamente proporcional ao seu tamanho.

Lugar de muitas falas, nas ruas transitam diversas faces, cheias de esperanças, vindas de diferentes regiões do país; onde a ordem é o trabalho na desordem ruidosa da Paulicéia desvairada. Acolhe muitos, outros apenas recolhe em suas ruas, embaixo de viadutos, habitam viajantes de um sonho desfeito; a metrópole não tem tempo para todos, neste lugar em que o tempo não para.

Num ritmo mais lento dos passos paulistanos, caminho pelas ruas de nomes singelos, chamadas de Augusta e de Aurora, até avistar um prédio ondulado que por capricho destoa do concreto reto e armado. Subitamente, o endereço poético: a famosa esquina da Ipiranga com a São João e no meu coração alguma coisa também acontece.

Uma parada obrigatória em um viaduto qualquer para admirar o alucinante fluxo de pessoas e veículos; ao contrário do paulistano, dispondo de tempo se aprecia também o enorme engarrafamento na Avenida Vinte e Três de Maio. No centro, uma das chagas da cidade, a região da “cracolândia”; a legião de pessoas perambulando sem destino e no desatino de uma insaciável busca.

Acompanhar o nascer do Sol na Liberdade, espaços com tatame no salão para saborear sushi, sashimi ou teishoku, entre tantas opções. Os ideogramas em letreiros e o Japão estava ali. De metrô rapidamente se chega à Estação Brigadeiro para atravessar o coração da cidade; a soberana avenida e se olha para o alto na Paulista. Logo, uma grande concentração de pessoas e diferentes sotaques entoando o que parecia uma sinfonia da brasilidade; deliciosos aromas em diversas cores no Mercadão e ninguém resiste ao sanduíche de mortadela.

De repente um clarão: a Luz, uma estação, uma relíquia. No museu, composto por palavras que percorrem as paredes, uma atenção especial ao verso do poema de Carlos Drummond de Andrade: “Penetra surdamente no reino das palavras”; apenas desta forma se pode admirar o fascinante e inigualável Museu da Língua Portuguesa.

Entre tantos roteiros para as compras, o favorito: o estonteante comércio da Rua 25 de Março. Na multidão subindo e descendo, o vai e vem de pacotes; embalando presentes, lembranças ou o meio de sobrevivência para muitos.

Nas andanças pela cidade parece que por aqui aconteceu o milagre da multiplicação dos pães, pela surpreendente quantidade de padarias existentes. Aliás, o famoso pingado acompanhado do pãozinho francês foi substituído por serviços de bufê e a mais nova: o Brunch, uma combinação de café da manhã com almoço.

É prazeroso se deslocar para todos os lados e sentidos, utilizar o ônibus ou o metrô em qualquer horário, seja dia ou noite. Pode-se até não perder o trem das onze...

Domingo, no centro, ao passar por um viaduto sente-se vontade de beber chá e de ouvir canto gregoriano. No Mosteiro de São Bento, com a acústica perfeita da igreja, o divino canto dos monges beneditinos. Entre as feiras da cidade, compro uns balangandãs na Praça da República. Uma indispensável visita à Catedral da Sé para rezar entre os vitrais moldados pela história da igreja.

Abro o guarda-chuva, o tempo é instável e de delicadas garoas, mas como diz a canção: “O clima engana...” e a qualquer momento desaba um aguaceiro em Sampa. Embarco em um táxi com destino ao Ibirapuera, no trajeto sinto saudades da minha maloca. Volto ao Bixiga para andar pela escadaria, ver as estrelas e saborear pão de linguiça com provolone. Depois, apreciar MPB na Vila Madalena em uma rua de purpurina.

A névoa é constante nas madrugadas frias, os dias são curtos e a noite é clara. A cidade que possui tudo o que possamos imaginar, até aonde a imaginação não alcança e apenas aqui existe; a poesia também existe, no concreto, no cotidiano e nas muitas frases que inspira. No mês de janeiro, em que completa mais um aniversário, a lembrança da sinfonia que cadencia a mega metrópole soa mais forte: Olha a hora São Paulo, São Paulo!

 

 

 

 
  

spacer
::sobre o autor::

Gilda Elena Kluppel é professora de Matemática do ensino médio em Curitiba/PR, Mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

::contato com o autor::
 

Fale com o autor clicando aqui.

 
::uma foto::


 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 
 

::outras crônicas:


 

 

 

 

Normas para publicar artigosRevista Virtual Partes

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2011
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer