spacer

 

ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 29 de julho de 2011 19:20:31                                               
Ambientais Agenda Colunistas Reportagens Terceiro Setor blog Normas Crônicas Poesias e Contos Turismo Terceira Idade Educação
 
  Principal
 Cultura
 Crônicas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
 
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 Institucional
 
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 
   Blogs
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Econotas
 Humor
 Memória Sindical
 Mirim
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Esportes
 Agenda
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRôNICAS

Por onde anda a poesia?

   
Gilda E. Kluppel*
publicado em 06/03/2011

 

A poesia, um dos mais fecundos entre os gêneros literários, raramente encontra espaço em revistas e jornais. No passado, não muito remoto, até mesmo a televisão promovia a declamação de poemas clássicos da nossa literatura. Hoje prevalece a opção pelo imediatismo, de modo que a sociedade pudesse dispensar a arte e o lirismo poético. Relegando o que existe de mais sublime e definitivo no ser humano, a força de um sentimento e a poesia como a expressão máxima deste sentimento. Apesar desse gênero vender menos livros, a produção poética brota de forma incessante. Soa como uma incoerência: vende pouco e por que se compõe tanta poesia? Os poetas não têm espaço na grande mídia e não obtêm lucros com seus trabalhos; a poesia está fora da esfera comercial. Uma arte sem mercado. Assim, torna-se ainda mais especial, a arte que sobrevive à margem do sistema. Talvez este seja o grande segredo da poesia.

Mas, para que serve a poesia? Uma das melhores respostas se encontra nas palavras do poeta Fernando Pessoa, no Livro do Desassossego:

“Os críticos podem dizer que determinado poema, longamente ritmado, não quer, afinal, dizer senão que o dia está bom. Mas dizer que o dia está bom é difícil, e o dia bom, ele mesmo, passa. Temos pois que conservar o dia bom em memória florida e prolixa, e assim constelar de novas flores ou de novos astros os campos ou os céus da exterioridade vazia e passageira”.

A poesia possibilita exceder os limites, tocar a sensibilidade, incitar novas formas de pensamento e sobretudo é capaz de provocar um sorriso. Uma oportunidade para sair da mesmice insossa do cotidiano; ao percorrer pelo caminho do revigorante e tão necessário lirismo. Poesia rima com alegria e alarga os horizontes para a criatividade, oferece mais substância e sentido a nossa realidade.

Pela falta de conhecimento, pouca divulgação e a não valorização dos grandes poetas do cenário nacional, a poesia se mantém como algo decorativo e ilustrativo; para ser lida em ocasiões especiais, como em datas comemorativas. Entretanto, além de despertar sentimentos que podem servir de referência para inúmeras pessoas, suscita importantes reflexões de ordem social.

Cabe ressaltar a abrangência de uma denúncia, em forma de poema, talvez uma das mais contundentes sobre a destruição do Salto Sete Quedas para a formação do Lago de Itaipu, ocorrida em 1982, no Estado do Paraná. Escrita por Carlos Drummond de Andrade, ocupou uma página inteira, em grandes letras, da capa do Caderno B do Jornal do Brasil no dia 09 de setembro de 1982. Abaixo os últimos versos:

“Sete quedas por nós passaram,
     e não soubemos, ah, não soubemos amá-las,
e todas sete foram mortas,
e todas sete somem no ar,
sete fantasmas, sete crimes
dos vivos golpeando a vida
que nunca mais renascerá.”

A história registrada pela sensibilidade. Que outra forma de denúncia pode ser tão expressiva tal qual a poética? São impressões da alma do poeta que registram o presente e o passado pela emoção vivida. Como seria louvável, caso pudéssemos desfrutar de poemas sobre os diversos acontecimentos, entre alegrias e tristezas, impressos em jornais e revistas.

Mesmo ignorada pela grande mídia, a poesia está e sempre estará presente, engrandecendo a linguagem e fortalecendo a nossa identidade; seja a dos grandes autores, preservadas como relíquias pelo tempo. E as novas, sempre tentando furar o bloqueio da lógica utilitarista e imediatista, buscando caminhos para a sua propagação. A internet propicia muitas páginas para a divulgação de novos autores, pode-se dizer que há um grande espaço alternativo, no qual a produção poética flui abundantemente neste solo fértil. Desprezada por muitas editoras, saindo da forma clássica dos livros e adentrando o mundo cibernético; movida a muitos gigas de potência, continua viva e apreciada. Expressa e discutida virtualmente em revistas, comunidades específicas e blogs poéticos.

Distante de um olhar meramente consumista que impõe à sociedade novas necessidades materiais para serem atendidas, a poesia oferece o indispensável alimento da alma. E como existe inúmeros motivos para datas comemorativas, a poesia também tem o seu dia. No dia do nascimento do poeta Castro Alves, 14 de março, ficou estabelecido como o Dia Nacional da Poesia. Neste mesmo mês, em 21 de março, celebra-se o Dia Mundial da Poesia. Que em muitas outras datas a poesia mereça uma reflexão. Na contramão do consumismo, necessitamos de mais tempo para a contemplação reflexiva e para o tão propalado, mas ainda pouco praticado, ócio criativo.

 

 
  

spacer
::sobre o autor::

Gilda E. Kluppel é professora de Matemática do ensino médio em Curitiba/PR, Mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

::contato com o autor::
 

Fale com o autor clicando aqui.

 
::uma foto::


 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 
 

::outras crônicas:


 

 

 

 

Normas para publicar artigosRevista Virtual Partes

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2011
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer