O bem e
o mal. Para alguns estes conceitos antagônicos vivem em eterna
guerra. Uma guerra que começa em vida e termina na morte. Onde a
partir daí cada um vai para o seu reduto. Uns seguem iluminados,
embalados pelo som de harpas tocadas por anjos voando rumo ao Céu
azul. Outros compram passagem expressa para descida sem volta aos
confins do inferno. Cada um seguindo de acordo com sua escolha de
vida.
Mas, discordo dos que dizem que
existe uma luta entre o bem e o mal. Afinal, o bem não luta. Prefere
uma saída diplomática e pacífica para a situação. Não acredita que
violência seja a solução para qualquer tipo de conflito. Etc. O mal,
por sua vez, também evita qualquer tipo de duelo. Pois, apesar de
perverso é covarde (e covardes não lutam). Prefere uma tocaia
básica. Um tiro pelas costas. Um veneninho servido em alguma salada,
ou outra idéia traiçoeira qualquer, para que as suas chances de
vitória sejam obtidas de forma fácil e sem muito esforço.
Apesar
do que as pessoas pensam. O pior inimigo do mal é o próprio mal. O
bem compartilha. Doa. Ampara. Algo detestável para aqueles que tem
pretensões maléficas. Porém, de muita valia para se arrebanhar os
bens do bem. E em matéria de surrupiar, o mal é muito bom. Nos
embates entre essas duas forças, surgem junções pouco amistosas,
pois a partir de seus confrontos, tudo fica bem mal. Mas como alguns
males vêm pra bem. As coisas acabam voltando ao normal, deixando
para próxima batalha uma possível decisão para o sempre fatídico
“confronto final”.
O mal
não gosta do trabalho. Pois dizem que o trabalho enobrece, e
enobrecer não está nos planos de quem quer ser mal. Para ele a
semana deveria ter cinco dias de descanso, e dois de feriado. Isto
demonstra que mesmo o mal tem o seu lado bom de viver, com
pensamentos próximos aos anseios da maioria das pessoas.
O ser vil não gosta
de servir. Prefere ser servido. Adorado. Retribuindo com toda
maldade possível de se praticar. Todos estes atributos detestáveis
deixam-lhe em desvantagem frente ao sucesso. Mas o mal é esperto, e
está sempre querendo se dar bem, achando formas inovadoras que
impeçam os seus planos de irem mal.
O mal é o doce veneno que mata. O bem é o
amargo remédio que cura. O mal é uma floresta escura, cheia de
perigos e encantos, com lobos espreitando em cada um de seus
recantos. O bem é campo florido, lugar onde pastam ovelhas, bezerros
e vaquinhas malhadas. O bem é o amor puro e iluminado. O mal é a
essência do pecado, vontade insaciável de supremo poder. É fogo que
arde envolto em sombras, que chama para junto de suas chamas,
incendiando vontades com promessas de prazer.
O bem é o lugar seguro, é serenidade.
Consciência que nos faz refletir. É estender a mão aos que precisam.
É mesmo triste ter coragem de sorrir. O mal é inquieto, sem raízes
onde se fixar. Segue nômade procurando vítimas para atacar. É
sedutor. Alegre em ser amoral. Superficial. Gosta de estender a mão
para empurrar. Sorrir das tristezas que possa provocar.
Nós, seres humanos, somos invólucros que contém
generosas parcelas do bem e do mal, que estão gravadas em nossa
existência, sussurrando em nossos ouvidos em cada decisão a ser
tomada. Dizendo-nos para fazer assim ou assado. Sinalizando caminhos
a seguir, na incerteza de chegar. A decisão final é nossa. O bem e o
mal ficam guardados em nossas entranhas, esperando uma brecha para
tomar as rédeas de nossas vidas e passar enfiam a guia-las rumo a
essência de suas (ou nossas?) próprias vontades.