Os
aniversários de um aninho são verdadeiros acontecimentos sociais na
vida dos pais. Muitos passam meses planejando cada detalhe do
evento. Fazem convites, encomendam doces e salgados, contratam
palhaços, enfeitam salões com balões coloridos. Não medindo esforços
para comemorar aquela data com todos os itens que obrigatoriamente
devem fazer parte dela. Agora imaginem se estes aniversários fossem
elaborados pelos próprios e pequenos aniversariantes. Com certeza
tudo acabaria sendo bem diferente. Começando pelo cardápio que seria
um belo rodízio de mamadeiras, papinhas e mingau.
As conversas seriam uma sucessão de
“gu-gu dá-dá”, ou uma sinfonia de choros e gargalhadas ao sabor do
humor infantil. Algo bem ao estilo das crianças. No lugar do
“parabéns pra você” seriam apenas batidas palmas, pois o divertido
mesmo é ver todo mundo batendo as mãos de forma desajeitada, mais
preocupado com a comida do que com a melodia da música.
Nada dessa história de roupinhas
arrumadinhas e bem limpinhas, a primeira etapa da festa seria se
sujar. Os jogos seriam o ponto forte da brincadeira, ou seja, jogar
papinha nos titios, mingau nos primos, e mamadeira nos pais. Nunca
esquecendo de fazer xixi nos enfeites da mesa, com a desculpa de que
estava tentando apagar a vela do bolo.
Não haveria gente em pé
conversando, pois todo mundo teria de passar o dia engatinhando. Os
balões não serviriam de adorno para as paredes, mas seriam
estourados ao ritmo das gargalhadas dos pequenos.
Os bebês teriam o direito de
rabiscar com hidrocor, têmpera, nanquim ou qualquer outro tipo de
tinta a cara daquelas “titias”, que sempre aparecem cheias de
maquiagem e prontas para “carimbar” o rostinho dos pequenos com
marcas de batom. Podendo enfim, retribuir os beliscões que vivem
levando em suas bochechas com mordidas nas mãos de quem tentasse.
Ao invés de ficar fazendo carinhas
bonitinhas para as obrigatórias fotos do álbum de lembranças,
tiradas através daquelas detestáveis máquinas fotográficas. As
crianças poderiam efetuar a destruição das referidas câmeras. Com
muitas mordidas repletas de baba, para em seguida derrubá-las no
chão e chutá-las para baixo da pia ou do fogão. Acabando de vez com
aqueles aparelhos torturantes que escondem misteriosos e invisíveis
passarinhos, que os pequenos não conseguem ver, pois cada vez que
olham para eles, ficam momentaneamente cegos com aqueles terríveis
flashes em seus indefesos olhos infantis.
No final haveria a confraternização
dos bebês, com a troca de fraldas entre eles. Tudo com muita
bagunça, muita gritaria e muita comidinha saindo pela boca e pelo
nariz (escorrendo pelo queixo direto no tapete).
Enfim, se as festas de aniversário
fossem feitas pelas crianças, o acontecimento não seria apenas uma
lembrança para elas, mas principalmente, seria algo inesquecível
para seus pais.