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Venho falar em liberdade de expressão. Liberdade que alguns governos lutam
para manter e outros lutam para conter. O ponto que viso é o da "autoliberdade"
de expressão. Não importa qual seja a característica de governo de um país,
se autoritário, tirano, liberalista, o que importa é a forma que o ser
humano governa a si mesmo.
Uma
pessoa que tem autocrítica exagerada, autoestima baixa e distorção da
autoimagem, jamais será afetada de maneira significativa pela forma de
governo de seu país. Em outras palavras: "De que adianta dar liberdade de
expressão para pessoas que têm medo de se expressar?"
Como trabalhar a autoestima de uma população para que esta não tenha medo de
dizer o que pensa, de fazer piadas e comentários? Todos estão sujeitos a
falar besteiras, falar algo de que se envergonhem, porém, todos também
correm o risco de falar algo útil, algo que ninguém ainda havia pensado. O
desenvolvimento da comunicação deveria ser visto como um direito, como uma
habilidade a ser treinada através do encorajamento das pessoas e não de
repressões.
Chegamos a tal ponto que os indivíduos que governam os países são aqueles
com melhor eloquência, ou aqueles que contratam bons eloquentes para criarem
seus discursos.
Milhares de pessoas aprisionam ótimas idéias, por não possuírem coragem e
segurança suficientes de expressá-las. Acabamos por nos acostumar - e até
mesmo preferir - discursos prolixos vindos de letrados, a ótimos argumentos
vindos de "analfabetos."
Proponho uma mudança no modo como enxergamos isso. Por séculos valorizamos a
capacidade de falar e acabamos nos esquecendo que não existe diálogo sem um
ouvinte, não existe discurso sem público. A minha proposta é que passemos
aos poucos a valorizar o “ouvir” ao invés do “falar”.
Aprendemos a escrever bem lendo bastante, e pela lógica, aprenderemos a
falar bem ouvindo de igual forma. Não importa quão letrado ou simples seja o
palestrante, a verdadeira inteligência está naquele que sabe transformar o
lixo em ouro, que sabe lapidar uma prosa e transformá-la em poesia.
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Psicólogo. Pós-graduando em Psiquiatria e Dependência Química pela
UNICID-SP.
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