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O barulho do mundo externo, tão encantador e
promissor, por vezes abafa os sons que ressoam da alma.
São tantas ofertas, tantas luzes, sons
variados, em contraponto às necessidades de autoconhecimento, de auscultar,
no silêncio da palavra, os próprios sentimentos (medo, coragem, amor,
amizade, respeito, ódio) e assumir a possibilidade de vivê-los.
Enquanto os sentidos são bombardeados pela
hiperatividade do cotidiano, perguntas teimam em não calar: – Afinal, onde
estamos? O que estamos fazendo aqui? Para que e por quê?
O tempo e o espaço são dimensões do próprio
viver, das experiências do perceber e do sentir, e a agilidade, o
imediatismo da atualidade, nos faz questionar qual é o lugar que em nos
encontramos e se a nossa presença existe de fato, ou se é mais uma ilusão
frente às nossas reais necessidades.
Quantas vezes estamos presentes-ausentes em
nossas tarefas, com pessoas, em lugares variados?
Nosso corpo pode até estar lá, mas onde anda a
nossa mente?
A corporeidade, embora seja um possível lugar
de manifestação psicofisiológica, não abarca toda a dimensão da
hereditariedade espiritual: somos filhos do sagrado, em meio a condições
profanas da existência.
Para transcender o momento em que nos
encontramos, é preciso, primeiro, reconhecer o próprio lugar e o tempo em
que se insere cada singularidade. Isso inclui a todos nós.
Venha! Vamos caminhar agora por uma estrada.
Em meio a esta ponte rústica, olhemos para
trás.
O que você vê?
Eu vejo luzes e manifestações variadas de
vida, de mundanidade.
Olhemos para frente, ainda em meio à ponte.
O que você vê?
Eu vejo uma estradinha, onde tem flores e
ramagem seca.
Lá na frente tem um mundo a ser descoberto.
Com certeza, terá luzes e outras
manifestações, mas pode ser uma percepção diferente, se eu estiver presente
de verdade.
O segredo não é fugir de onde você está nem
temer as ofertas que lhe serão expressas, mas conhecer a si mesmo a ponto de
saber escolher, para crescer e transcender.
Permita-se visitar o seu porão interior.
Revisite a sua história de vida. Muitos buscam fora aquilo que está, em
segredo, guardado em si.
Todos os tesouros, como dizem as lendas, estão
escondidos, à espera de um(a) grande desbravador(a), que possa descobri-los.
Para isso, é preciso um mapa (razão), uma
bússola (coração), estar atento aos sinais da vida (intuição) e grande
disposição para realizar a missão (força de vontade).
Trabalho, tenho certeza que vai dar, mas quem
disse que seria fácil?
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