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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 13 de julho de 2009 21:29:08                                               

 
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CRôNICAS

É dia de peixe e vez de pescador

   

Luemir Santana

publicado em 03/03/2008

          
            Ao chegar àquela vila de pescadores, tomei o maior susto; era somente casas de palha, animais soltos pelas ruas, e as pessoas que conversavam apenas um assunto; como pescar e vender os peixes, como matar os jacarés e retirar suas  peles. Assim sem muita coisa nova para acontecer se vivia naquele povoado.

            Quando não se tem grandes expectativas na vida o ser humano busca amparar-se na bebida, e ali não era diferente; muitos bêbados, várias brigas, aquilo na verdade nada mais era que um garimpo de peixe, onde não se observava nada, nem tamanho, nem espécies, era a chamada luta pela sobrevivência; o homem tentando capturar os peixes para sobreviver. Do outro lado os peixes usando suas armas possíveis no intuito de se defenderem. Ora uma piranha cortando malhas de redes, passando e dando passagem. Outro momento, uma arraia ao ser incomodada em seu santo leito se defendia.

            Assim, me vi sem muita diferença de todos os habitantes daquele local.

            Já no inicio dos anos setenta a pesca profissional torna-se proibida, essa ação governamental sem planejamento, caiu como uma bomba, não só naquele local, mas em todas as comunidades ribeirinhas, “eles”, que não estavam preparados para viver sem seu principal, e talvez único, meio de sobrevivência, de repente se vêem desnorteados e sem rumo. Na clandestinidade e sem o apoio do estado os pescadores buscam uma forma de sobreviver, e a maneira encontrada é o trafico de peixes e pele de jacarés.

            Aquela população que era  totalmente rude e sem nenhuma instrução, usa as armas possíveis, e o conflito se torna inevitável, de um lado o povo em busca de alimento, do outro lado fiscais despreparados e incentivados por seus superiores, que não entendia o homem como parte integrante do meio ambiente.

            Hoje com outra visão do acontecido, tenho plena convicção o quanto aquela ação poderia ser de outra forma, e aquele povo não  precisaria sofrer tanta humilhação, mas mesmo com as males causados, tenho que entender que hoje estamos melhores que estaria se aquilo não houvesse acontecido. Todos nós evoluímos, ainda existe muito por fazer, em conscientização e respeito ao meio em que se vive.

            Com um pensamento mais voltado para o um mundo melhor para todos, temos hoje uma visão de ainda que imperfeita, mas com a convicção de que hoje é descabida, tanto uma como a outra ação. Todos precisam entender que os recursos naturais não têm dono, ele pertence a todos, então nós hoje como guardiões deste patrimônio, temos o direito de usufruir, mas também temos a responsabilidade de entrevá-lo se não melhor pelo menos conforme encontramos as próximas gerações. 

 

 

 
  

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