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Theodor W.
Adorno dizia que um dos objetivos da educação seria o de se opor a crescente
violência e barbárie onde o ser humano sem falta de avisos se encontra.
Marcado pelos horrores de Auschwits, Adorno via na educação uma das formas
de resistir à barbárie.
No entanto o
que se percebe na educação brasileira não tem nada a ver com essa idéia
inicial. A educação não visa a formação do indivíduo como um ser humano
autônomo e democrático. As instituições escolares apenas resistem ao tempo,
mantendo as mesmas tradições e verdades que erigiram a sociedade do jeito
que ela é.
Adorno critica
nos seus escritos a transformação da escola em indústria, empreendimento
comercial. O autor não vê como um pensamento administrativo e burocrático
possa servir para emancipar o sujeito e transformar o estudante e o cidadão
em criaturas melhores. Pelo contrário, percebe através destes dois
pensamentos formas de reduzir a própria educação em mercadoria, facilitando
dessa forma uma educação “mais ou menos”, para as massas. Ou péssima, se
formos um pouco mais radicais.
O aluno se vê
seqüestrado pelas organizações do espaço e dos tempos escolares, é
seccionado pela organização das disciplinas e conteúdos e é seduzido a se
diluir num aparato cada vez mais tecnológico a fim de estar e ser como todos
os outros. Buscar o seu lugar ao sol. Mesmo que para isso tenha que bater em
alguém. “cotoveladas” diria Adorno.
A escola
promove a competição em detrimento do companheirismo e da solidariedade,
lembrada apenas em datas marcadas na folhinha. Não há um movimento dentro da
educação para fazer pensar a educação, mas sim em cumprir o que é e está.
O professor,
profissional que deveria por sua condição de intelectual e pensador,
promover debates e questionamentos sobre a sociedade a fim de buscar
melhorias através de um pensamento que criasse opções e novos caminhos, se
vê automatizado e prisioneiro de sua limitação, tanto econômica quanto
cultural, e apenas ecoa o grande discurso dos que estão no poder.
Como falar de
violência em sala de aula, se o próprio aluno é tratado como se fosse um
prisioneiro? Para não dizer do próprio professor, amedrontado pelo dedo
fascista de um discurso tecnicista e castrador?
O que pensar de
uma escola que obriga o aluno a pedir a chave do banheiro publicamente para
poder se aliviar. O carcereiro olha para o infeliz e diz: Não demora!
A barbárie não
está só em Auschwits, e se esta mesma escola não consegue fazer seus alunos
“aprenderem” a ir no banheiro sem destruí-lo, o que se espera que os alunos
aprendam?
Há uma visão
antiquada que reduz a instituição educacional, com todos os seres que a
habitam em mero braço da força e do discurso tradicional que procura manter
tudo do jeito que sempre foi.
A violência, de
todas as formas, se origina da necessidade que o homem tem em controlar o
medo e na conseqüente necessidade de dominar. E a educação não questiona nem
argumenta contra isso. Pior, incita na alma dos estudantes o egoísmo e essa
necessidade de dominação. A formação não é mais vista como uma forma de
singularização do indivíduo e como um caminho para melhor compreender o
mundo e interferir positivamente nele, mas sim como uma forma de “encarecer”
uma mercadoria. Cada vez mais o homem busca “formação”, não como forma de
melhorar como homem, mas apenas para se promover e valorizar o produto. Ele
mesmo.
A escola e a
educação são violentadas por visões que não vêem a educação, mas o que ela
pode lhes dar em troca; dinheiro, poder político, status social. E a
educação não tem voz. Sofre de bullying nas mãos de outros interesses.
A educação,
deveria pelo menos, denunciar essa “pseudoformação” como diria Adorno,
apontar as condições que a geram, mas o que vemos são discursos que procuram
reduzir esse fato histórico e social em atributos de responsabilidade
individual.
A escola é
meramente um lugar para “docilizar” o indivíduo, fazer com que perceba que é
só mais uma engrenagem da máquina. Apêndice do organismo estatal.
Enquanto isso,
o menininho nervoso levanta de sua cadeira, ergue a mão. Trêmulo: “Posso ir
ao banheiro fessora?” Se a professora está de “boas”, permite que a
criança saia... ela atravessa o espaço da escola e chega na secretaria.
Várias pessoas conversam: - A chave do banheiro? Ele abana afirmativamente a
cabeça. Alguém procura em uma gaveta uma chave...
A educação é
isso. Uma prisão, e toda hora alguém se ajoelha pedindo uma chave...
É... Educação
após Auschwits...
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