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Diante dos
elogios podemos observar diversas reações, desde as mais tímidas aos
comportamentos que beiram a infantilidade, revelando determinadas
imaturidades. Nesta hora o que está guardado e às vezes muito bem escondido
aparece abruptamente, revelando algumas surpresas. O escritor português
Vergílio Ferreira tem uma citação interessante sobre os elogios: "A melhor
forma de te não dizerem pequeno é dizeres dos outros que são grandes.
Sobretudo se for mentira." Existem aqueles que se valem deste recurso para
se divertir, enaltecendo exageradamente as supostas qualidades do outro, com
o propósito de perceber até aonde o ego infla ou prevalece o bom senso;
mesmo recebendo uma saraivada de elogios. Alguns ficam num estado de êxtase
parecendo inebriados diante de um possível sucesso, adentrando no movediço
terreno daqueles que se consideram superiores e diferentes dos demais.
Evidentemente gostamos de receber elogios, mas alguns nem sempre verdadeiros
costumam mais atrapalhar do que ajudar. Além de convivermos numa sociedade
em que o jogo da hipocrisia conta com muitos adeptos, dificilmente sabemos
quando são sinceros, principalmente se o elogio decorre do nada. Caso não
proceda de uma contribuição efetiva ou trabalho apresentado, perde
totalmente o sentido; meras palavras despejadas no vazio.
Alguns ficam
tão entusiasmados diante de comentários favoráveis, munidos de
envaidecimento exagerado, que descuidam das suas atividades pela sobra de
confiança. O falso reconhecimento de si próprios e a autoconfiança excessiva
conduz à insuportável arrogância. Com o passar do tempo, a pessoa pode se
convencer de que pertence a uma categoria superior aos demais mortais;
consequentemente sua capacidade de autocrítica reduz vertiginosamente. Leva
a crer que a pessoa incorporou apenas os elogios recebidos durante toda a
sua vida e, a partir de dado momento, adquiriu uma licença especial para se
auto elogiar. O pior de todos é o elogio próprio. Quantas vezes escutamos em
demasia a expressão do “eu” entre uma conversa e outra? Logo a conversa se
esvazia quando prevalece a manifestação de um ego insuflado.
É
interessante observar o elogio cruzado, um elogia o outro para receber em
troca a sua parte. Num absurdo jogo de negociação, uma prática que atende
apenas aos envolvidos, visando preencher alguma deficiência ou um interesse
escuso aos eventuais espectadores desse infeliz espetáculo. A barganha pela
adulação, por esta moeda sem lastro de verdade e cunhada pela futilidade,
acarreta dano ao se passar adiante.
No trato com
as pessoas, todas merecem os gestos amáveis e a delicadeza, não dispensando
o sorriso sincero. As palavras motivadoras são imprescindíveis para superar
as dificuldades da vida. Mas estas nunca tendem ao exagero, decorrem na
medida exata da sinceridade de quem as pronuncia, sem os excessos que beiram
a bajulação. Elogiar atitudes e não personificar os elogios para que alguns
se julguem no direito de assentar no trono da soberba. Que elogios sirvam de
impulso e não um objetivo a ser almejado, decorrente de um banal jogo de
interesses. Nada melhor que um bom desafio para não se acomodar, ele
impulsiona e permite um rumo centrado e firme em torno de um objetivo.
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