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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 13 de julho de 2009 21:23:49                                               

 
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CRôNICAS

A estante

   

Valdicleia Gleise da Silva Costa

publicado em 26/02/2009

 

Menino arteiro,subiu  na estante, pendurando-se aqui e ali.

buscava lá alto o  que não encontrava, dependurava-se  

Que cara sapeca!

-Encontrou? ...

-Não! Procurou, revirou escarafunchou.

beummmmm!!!   

 Um estrondo e...

Ploc, plac, ploc, ploc, brummmm!!!

Virou a estante sobre o menino.

Menino arteiro ficou espremido entre livros e caixas.

parado, sem lágrimas  de olhos arregalados imóvel não se mexia.

Toc ,ToC ,TAm, TAm,TAm, só  seu coração.

Uma banda completa acelerada batucando bem alto.

Toc tuc, tuc toc, tram-tram,tram-tram...

-Respira menino! gritou sua mãe!

-Está machucado? Todos em volta e o menino imóvel  sem reação.

Repentinamente!!! nada mais que de repente!

Haaaaa!

Achei! achei! Grita o menino com um livro na mão.

Menino arteiro não tem jeito, não!!!

De ponta cabeça, revira o menino toda bagunça que acabara de fazer, não estava satisfeito, queria mais?

O que o menino pretendia?

Apenas escolher...  Entre figuras coloridas, letras grandonas, rimas enredo.

Eu quero escolher, o livro certo para o que sinto hoje !

Estou alegre como chuva ligeira que vem correndo atrás da gente nas tardes quentes.

Estou leve como pluma de ninho que caiu devagarzinho empurrada pelo vento rodopiando  em círculos, girando subindo lentamente e caindo ligeira no ar.

Estou saltitante como  pipoca em microondas louca para pular fora do saco  e me esparramar.

Estou quente  igualzinho a  bolo  feito por vovô  nas férias de Janeiro  nas tardes  sem fim de riso  e gargalhadas , sem tarefas, sem hora certa só o agora, o agora mais agorinha ainda pro bolo  partido na frente do ventilador esfriar.

E o cheiro invadindo o ar...na espera eterna do agora ... Já, já!

 

Estou elétrico feito  carrinho novo, barulhento cheio de luzes    sirenes e motores, rompendo a sala entre as pernas das cadeiras, bate e volta no tapete rodopia   e se enrosca na cortina, até topar no pé de alguém apressado  emburrado cheio de “trabalho na cabeça”   que   ameaça desligar, mas que acaba dando  de ombros  e desenrosca-o da cortina  e outra trilha  pela casa  sai a  agitar.

 

Hoje estou cheio de  força igual formiga posso o mundo  carregar, daqui pra lá de lá pra cá.

 

Que cara tenho hoje? É a cara do livro que quero  !

Quero  imagens grandes e alegres, quero  ler   feito quem devora cocada de duas bocanhadas.

 

Quero  uma história emocionante que em seus braços me carregue  sem meus pés no chão tocar,e  me deixe sonhando me reencontre  a cada página que eu folhear.

 Quero palavras fáceis! Que as engula ligeira uma a uma sem me chatear , sem a obrigação de ter obrigação de aprender  ou depois ter de explicar. Quando não quero falar.

Quero curtir o momento por ser gostoso  bebê-los a  grades goles,  saboreando  o que  vem depois  e depois.

 

Quero  a qualquer momento fechar as páginas por um breve  instante  e  planos traçar, imaginas caminhos cheio de possibilidades  inesperadas.

E  sem levantar do canto  viajar o mundo intero,galáxias novas descobrir, ao me enfiar numa gota d’água  e novos mundos  reencontrar.

Quero escolher pois sei o  que quero, não quero uma caixa fechada sem possibilidades.

Se agora  sou herói  daqui a pouco sou espaçonave, se ontem fui caubói, amanhã luto de espadas.

 Ser mutante  e não poder mudar de opinião?   Ser  humano e  fazer minhas escolhas dependendo da ocasião.

Que cara  tem o livro que quero? É a cara que tenho no momento  que escolho. Pois agora é agora e sei o que agora eu quero .

 

É muito simples  o que quero, você não acha?



 

 

 

 
  

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::sobre o autor::

 
Gleise Costa é especialista em educação pós-graduada pela UFRPE, graduada pela UNICAP, escritora publicada pelas edições Bagaço de Recife e professora de História da Rede Pública Estadual / Municipal e privada em Recife /Pernambuco

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